sexta-feira, 31 de julho de 2015

O PERIGOSO UNIVERSALISMO DE ED RENÉ KIVITZ

Teólogos calvinistas e arminianos vêm debatendo há séculos a respeito do alcance da obra salvífica de Cristo, mas não a ponto de cometerem heresias. De modo geral, os primeiros creem em uma expiação restrita, afirmando que o Senhor Jesus teria provado a morte, de modo eficaz, somente pelos eleitos (cf. Mc 10.45). Já os arminianos defendem que Jesus morreu por toda a humanidade, mas somente “aquele que nele crê” (Jo 3.16) é efetivamente salvo (cf. 1 Tm 2.4-6). O universalismo é uma perigosa heresia, condenada tanto por calvinistas como por arminianos que se prezam.

“Os evangélicos, de modo global, rejeitam a doutrina do universalismo absoluto (isto é, o amor divino não permitirá que nenhum ser humano ou mesmo o diabo e os anjos caídos permaneçam eternamente separados dEle). O universalismo postula que a obra salvífica de Cristo abrange todas as pessoas, sem exceção” (PECOTA in HORTON, p. 358). Observe que o universalismo extremado prevê a salvação até do Diabo! Para os teólogos pentecostais, a heresia em apreço — quando levada às últimas consequências — é o ensino “segundo o qual todos os seres humanos, anjos e o próprio Satanás acabarão sendo salvos e desfrutarão eternamente do amor e da presença de Deus para sempre” (HORTON, p. 803).

Poucos teólogos universalistas, na atualidade, têm a coragem de afirmar que Deus é tão amoroso, a ponto de salvar o próprio Diabo. Mas Ed René Kivitz, pastor e filósofo ligado ao movimento Missão Integral, tem afirmado, especialmente com base em João 1.29, que o pecado não está mais presente na relação entre Deus e os homens. Com base nisso, há alguns anos, ele ousou dizer que poderemos encontrar até Hitler no céu (!), não porque esse tirano tenha se arrependido antes de morrer (!!!), e sim porque Deus já tirou o pecado do mundo. Em outras palavras, todos serão salvos, haja o que houver, pois o pecado não mais existe (KIVITZ, 2013).

Kivitz interpreta a frase “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” de modo isolado, fora do seu contexto imediato e remoto, e sem considerar os três aspetos da obra salvífica: posicional, progressivo e perfectivo. À luz das Escrituras, a nossa preciosa salvação pela graça de Deus abrange passado, presente e futuro. No passado, a salvação é posicional: como já fomos justificados, regenerados e santificados, estamos "em Cristo" (2 Co 5.17; Ef 2.1-6). No presente, a salvação é progressiva, uma vez que, a cada dia, somos mais santos (Hb 12.14), operando a nossa salvação com temor e tremor (Fp 2.12). E, no futuro, ela será perfeita (Fp 3.19,20); este aspecto perfectivo da nossa salvação está ligado a outra dimensão, na glória, quando estivermos para sempre com o nosso Deus (Rm 8.18; 1 Pe 5.1). Nesse caso, hoje estamos libertos, em Cristo, do poder do pecado. Mas, somente na glória, estaremos livres da presença do pecado.

Qual é, pois, o erro de Kivitz? Ele afirma, em outras palavras, que Deus, hoje, já nos livrou da presença do pecado, contrariando o que está escrito em Gálatas 5.16-26. Ademais, ele não apenas defende a ideia falaciosa da libertação da presença do pecado, no presente, mas comete erro maior, ao afirmar — ou sugerir, pelo menos — que haverá salvação automática de todos, inclusive de Hitler, sem fé e arrependimento, uma vez que Jesus já teria tirado o pecado do mundo. Esse pensamento é, sem dúvida, uma grande heresia, haja vista a Palavra de Deus ser clara quanto à necessidade de o ser humano precisar crer e se arrepender para receber a preciosa salvação pela graça de Deus (Mc 1.15; Jo 3.36; At 3.19; Rm 10.9,10).

Ciro Sanches Zibordi

Fonte: Clique aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário