quarta-feira, 5 de junho de 2013

NADA DE NOVO EM TEOLOGIA


O sábio Salomão afirmou que “não há nada de novo debaixo do sol” (Eclesiastes, 1:9). É possível que ele estivesse experimentando a decadência de seus últimos dias. O livro de Eclesiastes carrega um tom de acidez quanto à vida. Para o Pregador, o mundo é vaidade. O conhecimento parece ser uma repetição. É nessa última proposição que muito do estudo teológico de nossos dias se enquadra.

Muitos estudantes têm aprendido os tópicos da teologia sistemática, contudo não sabem qual a sua utilidade. Esse modo de abordar a teologia herdou da filosofia grega o seu modo de sistematizar a realidade. Sua abordagem limita o conhecimento de Deus a tópicos. Para alguns o domínio de tais tópicos os faz teólogos. Isso é um engano! Perguntas precisam ser respondidas antes de nos aventuramos no mundo teológico. Entre elas: Teologia e filosofia são a mesma coisa? Tem alguma utilidade o conteúdo teológico? Que método será utilizado no estudo teológico?

Teologia é uma disciplina crítica. Gostaria de lhe explicar. O papel do teólogo é guiar a igreja no caminho revelado por Deus através do seu Filho. O conteúdo teológico nasce da inquietação em saber qual a vontade de Deus para a igreja em seu tempo. Na história do cristianismo encontraremos servos de Deus preocupados em entender a vontade do Pai e aplicá-la à igreja histórica. Os pais apostólicos fizeram teologia simultaneamente as suas críticas ao que alguns julgavam a essência da fé. Os reformadores fizeram isso muito bem, resgatando conceitos essenciais com a justificação pela fé somente. A teologia precisa olhar para frente embasada naquilo que foi estabelecido no passado.

Infelizmente a teologia de nossos dias tem apenas olhado para trás. Alguns voltam ao conteúdo já estabelecido da Reforma, por exemplo, para tentar restabelece-lo – repare a redundância. A abordagem teológica dos Reformadores pode ser a base sobre a qual olhamos para o futuro, mas não pode ser o fim último do nosso trabalho teológico. Se assim fosse estaríamos engessados no tempo. A igreja é um organismo dinâmico e ainda pecador – daí a utilidade da teologia. A igreja exige constantes reavaliações e reformulações do seu pensamento. Novos desafios são descortinados diante da igreja e a teologia não pode ficar aquém das demandas teológicas da igreja.

Precisamos estar inteirados sobre os desvios da igreja dos nossos dias. Pois é nosso papel fornecer uma resposta adequada às escolhas da igreja. O modo como ela vive é um reflexo do seu entendimento da vontade de Deus. As discrepâncias no seu modo de vida requer a orientação teológica. É nesse contexto que precisamos oferecer o remédio de Deus. Isso requer que façamos uma teologia que seja relevante para os dilemas da igreja. A vontade de Deus é o norte que ela precisa. Cabe ao teólogo conhecer o querer do Senhor revelado nas Escrituras e aplica-lo à igreja do seu tempo.

Nossa teologia precisa ultrapassar o abismo do tempo. O nosso papel não é fundamentar o que já está fundamentado. Por exemplo, para que repetir as Teorias da Kenosis – doutrina do esvaziamento de Cristo – se já temos um legado exaustivo acerca da questão? É preciso que mostremos o esvaziamento de Cristo aplicado ao modo orgulhoso da igreja contemporânea e de que modo a igreja precisa reavaliar-se em relação à Cristo. Temos advertido os cristãos a esse respeito? Fazer um levantamento descritivo das Teorias Kenóticas é o mesmo que chover no molhado. Questiono o modo como tal trabalho tem pensado a utilidade da teologia. Vejo somente os velhos conceitos já explorados no passado.


Fonte: Clique aqui, in Blog criticasagrada.