quarta-feira, 27 de maio de 2015

Polícia da Suíça prende dirigentes da Fifa acusados de corrupção

Operação foi a pedido de autoridades dos EUA, após investigação do FBI. José Maria Marin, ex-presidente da CBF, está entre os presos.


A polícia da Suíça prendeu nesta quarta-feira (27), em Zurique, sete dirigentes da Fifa acusados de corrupção. Eles são investigados também pelo FBI, a polícia federal americana. A operação foi realizada pela polícia suíça, a pedido das autoridades americanas, em um hotel cinco estrelas de Zurique, onde é realizado o congresso anual da Fifa.
Depois de três anos de investigações, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, afirmou que a corrupção no mundo do futebol é desenfreada e sistêmica. Ao todo, 14 pessoas - nove dirigentes da Fifa e cinco executivos de marketing esportivo - são acusadas de crimes como extorsão e lavagem de dinheiro. O departamento de justiça americana afirma que seis acusados já se declararam culpados.
O esquema de corrupção teria movimentado mais de US$ 150 milhões durante mais de duas décadas e estaria relacionado a propina para as candidaturas das copas do mundo da Rússia e do Catar e a acordos de marketing e transmissão de jogos.
Sete dirigentes foram detidos no início da manhã em Zurique por policiais à paisana. A lista oficial com o nome dos presos inclui Jeffrey Webb, vice-presidente da Fifa, e José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, não está entre os investigados. Os dirigentes estavam reunidos em Zurique para a reunião anual da Fifa.
Em uma coletiva, o diretor de comunicação da entidade disse que apoia a investigação e que vai cooperar com a justiça. A Fifa garantiu ainda que o congresso da entidade vai ser realizado normalmente. Portanto, está mantida para sexta-feira a eleição para a presidência da entidade. Joseph Blatter está à frente da Fifa desde 1998 e deve conseguir o quinto mandato. O único adversário, o príncipe da Jordânia, Ali bin Al-Hussein, afirmou que hoje é um dia triste para o futebol mundial.
No apartamento do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, não houve movimentação.
Esse é considerado o maior escândalo na história do futebol. A corrupção é generalizada e a repercussão é enorme na Europa. Os jornais impressos não trazem a notícia, porque as prisões foram de manhã, mas na internet esse é o assunto do dia.
Na rede de televisão britânica ‘BBC’ a notícia foi destaque na primeira página: “A investigação sobre a Fifa termina com prisões em Zurique”. No espanhol ‘El Mundo’: “Vários dirigentes da Fifa detidos na Suíça por corrupção a pedido da justiça americana”. E no francês ‘Le Figaro’: “Suspeitos de corrupção de vários departamentos da Fifa foram presos”.
Na França, o presidente da Liga do Futebol Francês disse que está profundamente chocado, assim como o mundo inteiro. Frédéric Thiriez disse que as prisões de figurões do futebol na Suíça fazem muito mal para a imagem do esporte. Disse ainda o futebol internacional tem um sério problema de transparência.
O Ministério Público suíço também apura irregularidades na entidade máxima do futebol. O foco dos promotores suíços é o processo de candidatura para sediar as copas de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar.
A polícia fez buscas na sede da Fifa, em Zurique, e recolheu documentos e computadores que serão analisados. Os promotores estão em busca de provas sobre o pagamento de propina para favorecer as candidaturas de Rússia e Catar. Dez pessoas foram convocadas a depor.
Já a investigação do Departamento de Justiça americano é mais ampla: abrange casos de corrupção na Fifa durante os últimos 20 anos.