segunda-feira, 20 de junho de 2011

"Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu..."

          Da arca de Noé ao trio elétrico de Dodô e Osmar   
           
            Todo cristão evangélico sabe que o carnaval é uma festa satânica. O que muitos não sabem é que essa festa "¹se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C.. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica em 590 d.C.. É um período de festas regidas pelo ano lunar no cristianismo da Idade Média. O período do carnaval era marcado pelo 'adeus à carne' ou do latim 'carne vale' dando origem ao termo 'carnaval'...". Porém, nesta postagem não vou tratar da história do carnaval em escala mundial, e nem mesmo nacional. Vou falar especificamente de um carnaval, que vem crescendo exponencialmente ano após ano: o carnaval da Bahia. Comparando a arca de Noé com o trio elétrico de Dodô e Osmar, veremos, à luz da Palavra de Deus, "a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não o serve" (Ml 3.18).

            Deus ordena que Noé construa uma arca

            A desobediência de Adão e Eva fez com que o pecado se entranhasse, por hereditariedade, em toda a humanidade. Jó fez a seguinte pergunta: "Quem do imundo tirará o puro?" (Jó 14.4). Davi disse em um dos seus Salmos: "Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe" (Sl 51.5). O profeta Jeremias, em suas lamentações, declarou: "Nossos pais pecaram e já não existem; nós levamos as suas maldades" (Lm 5.7). Escrevendo aos romanos o Apóstolo Paulo afirmou: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23).

            O princípio da hereditariedade do pecado, embora pareça complexo, não é difícil de explicar, porém, falaremos disso em uma outra postagem. O que todos sabem, ou pelo menos sentem na pele, é que o pecado original trouxe consequências desastrosas para todos os homens e mulheres, desde Adão e Eva até a última criança que há de nascer - "todos pecaram" (Rm 3.23). Houve uma época em que a corrupção geral do gênero humano chegou a tal nível, que pesou no coração de Deus (Gn 6.6). Diante de tanta iniquidade o SENHOR disse: "Destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei..." (Gn 6.7). Mas a Bíblia também nos diz que havia um homem, por nome Noé, que "achou graça aos olhos do SENHOR" (Gn 6.8). E continua:

            "A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra. Então, disse Deus a Noé: O fim de toda carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra. Faze para ti uma arca da madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume. E desta maneira farás: de trezentos côvados o comprimento da arca, e de cinqüenta côvados a sua largura, e de trinta côvados a sua altura. Farás na arca uma janela e de um côvado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-ás andares baixos, segundos e terceiros. Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda carne em que há espírito de vida debaixo dos céus: tudo o que há na terra expirará. (...) Assim fez Noé; conforme tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez" (Gn 6.11-17, 22).      

            Pelas dimensões determinadas por Deus para a construção da arca, sua capacidade de carga era equivalente à de mais de trezentos vagões de trem, e podia comportar cerca de sete mil tipos de animais. Para se ter uma ideia, o holandês Johan Huibers está construindo, em Amsterdã, uma arca com as mesmas medidas determinadas por Deus a Noé, e, além de navegar pelo rio Tâmisa com várias espécies de animais de verdade, fará, dentro da réplica da arca, conferências em seus dois auditórios para cerca de mil e quinhentas pessoas. Porém, a Tipologia Bíblica nos mostra que a arca de Noé atravessa a fronteira do mundo físico e aponta simbolicamente para Aquele que haveria de vir, numa demonstração fantástica de que Deus está absolutamente no controle de todas as coisas. Falaremos sobre isso na conclusão desta postagem.  

            Como surgiu o trio elétrico

            O trio elétrico nada mais é do que um caminhão adaptado com aparelhagem de som para a apresentação de músicas que são tocadas e cantadas ao vivo. Mas não é tão simples assim, pois muitos dos trios elétricos modernos possuem uma parafernália que custa milhões de reais, levando, em suas complexas estruturas, várias opções, tais como: bar, pista de dança, banheiros, sala vip, etc. Isso tudo, claro, é a evolução da "velha fobica" da dupla Dodô e Osmar. "²Em 1951, na quarta-feira anterior ao Carnaval, o famoso 'Clube Carnavalesco Vassourinhas do Recife', com 150 componentes, apresentou-se em Salvador com metais, alguma madeira e pouca percussão. Na manhã do dia seguinte à apresentação dos pernambucanos, Dodô e Osmar começaram a trabalhar no projeto de construção do que viria a ser o 'trio elétrico'. Osmar, proprietário de uma oficina mecânica, retirou do galpão um Ford 1929, conhecido como 'Fobica' (veja foto acima), e iniciou o processo de decoração pintando em todo o veículo vários círculos coloridos como se fossem confetes e confeccionou em compensado, no formato de violão, duas placas com os dizeres 'Dupla Elétrica'. Dodô, com formação em radiotecnia, decidiu montar uma 'fonte' que, ligada à corrente da bateria de um automóvel, iria alimentar a carga para o funcionamento dos alto-falantes instalados na fobica (onde eles se apresentaria com os seus 'Paus Elétricos'). Em pleno domingo de Carnaval, a dupla subiu a ladeira da montanha em direção à Praça Castro Alves e Rua Chile, por volta das 16 horas, e arrastou milhares de pessoas. Dodô e Osmar, em cima da fobica decorada e eletronicamente equipada, fizeram, assim, sua primeira aparição como os inventores do trio elétrico. A dupla resolveu convidar o amigo e músico Temístocles Aragão para formar o que se chamaria de trio elétrico".   

            O objetivo do trio elétrico

            O que pode ter nascido com um simples propósito de entretenimento, transformou-se em um monstro eletrônico do mundo capitalista. Sim, a primeira visão de quem monta um trio elétrico é o lucro - a velha fobica elétrica evoluiu para uma gigantesca máquina caça-níquel sobre rodas. O trio elétrico arrasta não apenas uma multidão de mortos ambulantes, mas o dinheiro dos cofres das prefeituras que patrocinam essa orgia generalizada chamada carnaval da Bahia. Dinheiro este, diga-se de passagem, que vai faltar na educação, na saúde e na segurança do cidadão. Porém, o "aspirador elétrico" não só suga o erário público, como, também, o dinheiro dos foliões néscios, que às vezes passam um ano inteiro pagando as prestações de um tal abadá, com a triste finalidade de submeterem-se por quatro dias à própria infâmia.      

            O lado espiritual do trio elétrico

            Caetano Veloso compôs, cantou e a música pegou: "Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu...". Caetano, obviamente sem querer, e em uma única expressão, falou sobre duas verdades, sendo uma literal  e outra espiritual. A elas acrescentarei mais uma: "Atrás do trio elétrico só vai quem está morto!". Então, vejamos essas três verdades à luz da Palavra de Deus:

            1) Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu - Consideremos esta expressão de forma literal. Neste caso, a Bíblia nos diz que: "...os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma (...) e já não tem parte alguma neste século, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol" (Ec 9.5, 6). Esta é uma das afirmações bíblicas que faz cair por terra a maldita teoria espírita da reencarnação. Quanto a isto, a Bíblia também nos diz: " "Todos vão para um lugar; todos são pó e todos ao pó tornarão" (Ec 3.20). E ainda: "...aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo..." (Hb 9.27). Assim, quem morreu não pode, nem em espírito, sair atrás do trio elétrico.  

            2) Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu - Analisemos mais uma vez esta expressão, todavia, de forma espiritual. Todo aquele que aceitou Jesus Cristo como Senhor e Salvador morreu para o mundo e, consequentemente, para o pecado. Portanto, jamais um crente que tenha morrido com Cristo vai sair por aí atrás de um trio elétrico, mesmo que tenha sido um assíduo folião no passado. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos romanos disse:

            "Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; sabendo que havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso SENHOR" (Rm 6.2-11). 

            3) Atrás do trio elétrico só vai quem está morto - Parece um paradoxo, mas só se compararmos as duas expressõs de forma literal. No entanto, comparando-as espiritualmente, veremos que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu (com Cristo - Rm 6.8); e atrás do trio elétrico só vai quem está morto, pois é essa a condição de quem não tem Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. O Apóstolo Paulo, conhecedor dessa realidade, escreveu aos efésios: "...estando nós ainda mortos em nossas ofensas..." (Ef 2.5); e aos colossenses disse: "...quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne..." (Cl 2.13). Só vai atrás do trio elétrico nos carnavais desta vida, quem está morto em seus pecados; aqueles que não foram vivificados juntamente com o Senhor Jesus Cristo (Ef 2.1-6). 

            A arca de Noé é um tipo do Senhor Jesus Cristo e o trio elétrico o cumprimento de Suas palavras

           A arca de Noé não foi apenas um meio de salvação para aqueles que estavam levando uma vida que agradava a Deus, mas apontava para uma salvação bem maior: o Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). O Apóstolo Pedro disse: "...quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água, que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo" (1 Pe 3.20, 21). Quanto a isso, a Associação dos Estudantes da Bíblia Aurora informa: "³Vemos no contexto que o Apóstolo Pedro tem em mente o grande Dilúvio. Ele recorda a seus leitores que toda a humanidade pereceu no Dilúvio salvo oito almas, que foram preservadas de um túmulo em água por meio da Arca que Deus lhes proporcionou. Aquela Arca, ainda que submergida na água, era sua salvação. Pedro declara que isto é "uma verdadeira figura - o batismo". Devemos notar que aqueles que se salvaram no Dilúvio não se salvaram do tormento eterno, e que um símbolo parecido da salvação não indicaria que a Igreja se salva do tormento eterno por seu batismo em Cristo. Noé e sua família salvaram-se da morte; e a Igreja de Cristo se salva igualmente da morte por seu batismo. (...) Assim como Noé e a sua família salvaram-se da morte entrando na Arca em obediência a Deus, assim também a Igreja de Cristo se salva da morte adâmica por obediência a Deus, aceitando Sua oferta de salvação (Jo 17.16; 15.19). A Arca de Noé representou a Cristo. Quem quer que entre em Cristo entra em segurança e salvação, fora do perigo e da destruição".

            O Senhor Jesus Cristo disse: "E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem" (Mt 24.37-39). Quando o Senhor Jesus vier buscar a Sua Igreja, muitos estarão desapercebidos, e, quem sabe, pulando atrás de um trio elétrico. Mas ainda há tempo, pois Ele, ainda que por muito pouco tempo, continua chamando: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve" (Mt 11.28-30); "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16).


Pastor Hafner
Chavannes - Suíça
           
                                  
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA

¹Wikipedia. Carnaval (site consultado no dia 16/06/2011, às 15:40 h) Obs.: os grifos no texto são meus.

²Galeria de Inventores Brasileiros (site consultado no dia 18/06/2011, às 06:35 h).

³Associação dos Estudantes da Bíblia Aurora (site consultado no dia 20/06/2011, às 16:30 h). Obs.: os grifos no texto são meus.

Contigo, imagem do trio elétrico, editora Abril (site consultado no dia 17/06/2011, às 18:55h).