sexta-feira, 27 de julho de 2012

A Tróia de Heinrich Schliemann


Já no primeiro semestre do Curso de História, na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), assisti a um vídeo, na própria UESC, sobre os feitos do alemão Heinrich Schliemann. Sempre tive uma queda por Arqueologia e, assim, o vídeo em pauta me chamou a atenção de uma forma especial. Hoje,  resolvi postar um pouco da vida desse homem que, já na infância, se apaixonou por Tróia, e provar a sua existência se tornaria a grande obsessão da sua vida. Contudo, quero salientar que o objetivo maior em narrar parte da vida de Heinrich Schliemann, filho de um pastor protestante como eu, é mostrar que muitas vezes, como cristãos, somos ignorados, desprezados, ironizados, ridicularizados e até perseguidos por defender verdades nas quais a maioria das pessoas não acredita. Schliemann mostrou que a verdade não é o resultado da opinião da maioria e, partindo na contramão da lógica acadêmica de sua época, saiu em busca do lar de Príamo. "Schliemann venceu sozinho todos os obstáculos colocados a sua frente para fazê-lo desistir das escavações. Ele estava prestes a desmoralizar a irascível e intransigente comunidade arqueológica britânica e alemã, principalmente".

A lendária cidade de Tróia, como sabemos, foi onde ocorreu a famosa Guerra de Tróia, descrita na Ilíada, um dos poemas de Homero. Segundo a Wikipédia, "a história dos troianos começou em mito. De acordo com a mitologia grega, os troianos foram os antigos cidadãos de Tróia na Anatólia (atual Turquia). Tróia era conhecida por seus ricos ganhos do comércio portuário com o leste e o oeste, roupas pomposas, produção de ferro e massivas muralhas de defesa. A família real troiana partiu de Electra e Zeus, os pais de Dardano. Dardano, que de acordo com mitos gregos veio a Arcádia, mas que de acordo com mitos romanos veio da Itália, atravessou a Ásia Menor desde a Ilha de Samotrácia, onde encontrou Teucro, que era também um colonizador vindo da Ática, e tratou Dardano com respeito. Posteriormente, Dardano desposou as filhas de Teucro, e fundou Dardania (mais tarde governada por Enéias). Com a morte de Dardano, o reino foi passado a seu neto Tros, que chamou seus habitantes de troianos e a terra de Trôade, derivados de seu próprio nome. Ilus, filho de Tros, fundou a cidade de Ilion (Tróia), nome derivado do dele próprio. Zeus deu a Ilus o paládio. Posídon e Apolo construíram as muralhas e fortificações ao redor de Tróia para Laomedonte, filho mais velho de Ilus. Quando Laomedonte recusou-se a pagar, Posídon inundou a terra e exigiu o sacrifício de Hesíone para um monstro marinho. Pestilência veio e o monstro marinho tirou as pessoas da planície.

Uma geração antes da guerra de Tróia, Hércules capturou a cidade e matou Laomedonte e seus filhos, exceto o jovem Príamo. Príamo depois tornou-se rei. Durante seu reinado, os gregos micênicos invadiram e capturaram a cidade durante a guerra de Tróia (tradicionalmente datada em 1193-1183 a.C.). Os maxianos foram uma tribo líbia do oeste que diziam que eram descendentes dos homens de Tróia, de acordo com Heródoto. Os navios troianos transformaram-se em náiades, que regozijaram em ver os restos do navio de Odisseu."

É lógico que os dois parágrafos anteriores se referem à lendária Tróia. A incidência do mito na obra de Homero jogou nas trevas da incredulidade a existência de uma Tróia histórica. Todavia, Heinrich Schliemann não fixou o seu olhar na lenda, mas na riqueza de detalhes imprimida por Homero em sua obra. Sobre isto, segue abaixo o que foi postado por Nuno Carvalho no Blog Ciclo Final, em 31 de janeiro de 2011. 

"Até a segunda metade do século XVIII da era cristã, a cidade de Tróia não passava de uma lenda supostamente criada por um escritor grego e relatada em um poema composto a partir da tradição oral dos aedos. Contudo, um arqueólogo amador alemão provou que a história contada por Homero podia ser real. O arqueólogo, na realidade, era um sonhador que havia se apaixonado pela narrativa de Tróia durante a infância, e encontrá-la tornou-se sua grande obsessão - mesmo que todos tentassem demovê-lo da idéia de buscar o fictício lar de Príamo. O garoto não se conformava com o fato, narrado pelo pai, que nenhum vestígio da cidade de Tróia fora até então encontrado, o que remetia a famosa batalha entre gregos e troianos para o campo das lendas e dos mitos. Nada havia, histórica ou cientificamente, que comprovasse a existência real daquela saga. Mas o menino sonhava e dizia para o pai: 'Quando eu for grande, hei de encontrar Tróia e também o tesouro do rei'. Esse menino, nascido na Alemanha em 1822, chamava-se Heinrich Schliemann e esta é sua incrível história.

Heinrich Schliemann (foto ao lado), por necessidade, parou de estudar aos 14 anos e foi trabalhar numa loja de secos e molhados. Um dia, um bêbado entra na loja e começa, entre soluços, a declamar estranhos versos. O menino nada entende, mas, quando descobre que são versos da Ilíada de Homero, paga ao ébrio alguns goles a mais para que ele os repita. Começa a demonstrar então uma incrível facilidade no aprendizado de línguas. Em pouco tempo, domina o inglês, o francês, o holandês, o italiano, o espanhol e o português. A firma em que trabalha mantém relações comerciais com a Rússia, mas ninguém conhece o idioma. Rapidamente, o jovem Schliemann domina o russo, o que lhe vale sucessivas promoções. Mas um novo objetivo estava nascendo na imaginação do incansável Schliemann: achar os restos da cidade de Micenas, o rico reino dos Pelópidas. E, como sempre, ele foi buscar orientação nas obras clássicas de Ésquilo, Sóflocles e Eurípedes e nos relatos de viagens de Pausânias. Outros haviam tentado o mesmo caminho sem êxito, fracasso atribuído por Schliemann a traduções incorretas dos textos clássicos. Aos 46 anos, já homem de muitas posses e realizado profissionalmente, no auge de sua carreira comercial, resolve abandonar tudo que construiu e dedicar-se integralmente à realização de seu sonho de infância, jamais esquecido: descobrir Tróia! Em 1868 parte para Ítaca, a ilha onde nascera Ulisses, o herói mitológico da Odisséia de Homero. E é lendo os poemas de Homero que Schliemann se convence, cada vez mais, da existência real de Tróia. Não é possível que a riqueza de detalhes que Homero imprime em suas obras tenha sido inventada. Ele resolve então seguir, passo a passo, as descrições contidas na Ilíada e na Odisséia. Uma estranha figura fazia aquele alemão obstinado que, com um relógio em uma das mãos e o livro de Homero na outra, percorria à pé as terras da Frígia, hoje Turquia, nas margens do Mar Egeu, medindo distâncias, comparando citações, identificando os lugares geográficos descritos, relocando as fontes de água que existiam e desapareceram com o tempo, enfim, reconstituindo toda uma época, trazendo-a para o presente. Quando ele chega à Colina de Hissarlik (que quer dizer "palácio"), todas as descrições de Homero parecem coincidir com o que ele vê e sente. Levanta seu olhar cansado e vê, ao longe, o Monte Ida do cume do qual, segundo o poeta, Júpiter dominava a cidade de Tróia.

Não há mais dúvidas. Schliemann se põe a escavar com a ajuda de cerca de 100 trabalhador e muitos o chamam de louco - afinal, o alemão não era um arqueólogo no conceito que se tinha dessa profissão no século XIX, ou seja, estudiosos que não saíam da luz dos seus gabinetes e jamais se aventurariam ao sol escaldante das escavações. Mas o alemão não desiste: enfrenta todas as agruras e as supera, pois move-lhe o impulso irrefreável de realizar seu sonho de criança. De repente, começam a surgir objetos diversos, armas e utensílios domésticos. Ali deve haver uma cidade! E realmente havia, não uma, mas nove, construídas em épocas diferentes, umas sobre as outras (veja foto acima). Qual das nove seria Tróia? Ao descobrir vestígios de fogo nos restos da sétima e oitava camada, julgou ter encontrado Tróia e seus relatos, além de darem à Arqueologia uma nova dimensão, trouxeram-lhe fama, reconhecimento e muitas críticas pelo método de trabalho que utilizara. Hoje sabe-se que a Tróia descrita por Homero corresponde aos estratos 6 e 7 (1900 a 1100 a.C.) e que a Guerra de Tróia realmente ocorreu como descrita pelo poeta, no começo do século XII a.C., e teria sido ocasionada por uma disputa comercial entre os Aqueus (Gregos) e os Troianos (Frígios dos Balcãs, aparentados com os gregos), com a vitória dos primeiros. Sabe-se também que a Tróia mais antiga, correspondendo ao último estrato, remonta à Idade do Bronze, cerca de 3000 a.C. A Primeira Tróia, Nova Ílion, seria do período latino que vai de 85 a.C. a 324 d.C. e o tesouro que foi considerado como sendo de Príamo, na realidade, pertencera a um rei mil anos mais antigo do que ele. Depois de Schliemann, críticas à parte, a Arqueologia nunca mais foi a mesma."

Quero, en passant, falar da esposa de Schliemann que, ao que parece, muito contribuiu com o arqueólogo alemão para o sucesso do seu objetivo, que foi provar a todos os seus opositores que Tróia não era apenas uma cidade lendária, arquitetada na cabeça de Homero. O nome dessa mulher era Sophia Schliemann. Na foto ao lado, tirada em 1874, ela aparece usando as jóias supostamente pertencentes a Helena de Tróia, que foi escavada por seu marido, Heinrich Schliemann, em Hirsalik. "Sophia cativou Schliemann no momento em que recitou versos da Ilíada, de memória. Certa vez, perguntado sobre os artefatos encontrados em Tróia, Schliemann relatou que o melhor achado foi Sophie, a mulher mais bela encontrada". O próprio Schliemann, relatando sobre o evento de 27 de maio de 1873, declarou que em uma escavação no palácio do rei Príamo, após deparar-se com um tesouro que muito chamou a sua atenção,  deu folga aos seus trabalhadores, a fim de evitar sentimentos de cobiça por parte deles. Enquanto os homens estavam comendo e descansando, Schliemann começou a cavar o tesouro, porém, segundo ele, seria impossível retirar os objetos preciosos daquele lugar sem a ajuda valiosa de sua querida esposa Sophia, que ficou ao seu lado pronta para arrumar as coisas e carregá-las para fora, embrulhadas em seu xale.

No filme "Caçadores de Tróia" (Original: Der geheimnisvolle Schatz von Troja ), do diretor Dror Zahavi, temos uma ideia de como Schliemann conheceu Sophia e como ela atuou ao seu lado, ajudando-o em sua aventura arqueológica. É claro que há controvérsias, e tem quem diga que o próprio Schliemann chegou a declarar mais tarde que, na verdade, Sophia não estava ao seu lado quando ele encontrou o tesouro no palácio de Príamo, mas sim em Atenas, junto com sua família, por conta da morte de seu pai. Tirando os possíveis exageros, eu recomendo o filme, que pode ser encontrado no Youtube.

Como declarei no primeiro parágrafo, o objetivo em postar algo sobre a vida de Heinrich Schliemann foi mostrar que a verdade não depende da aprovação da maioria para ser verdade. A ressurreição do Senhor Jesus Cristo, por exemplo, é algo contestado pela maioria, principalmente por aqueles que fazem parte da chamada comunidade científica. Porém essa verdade, a de que o Senhor Jesus Cristo morreu em uma cruz e ressuscitou ao terceiro dia, breve será revelada a todos, mesmo aos mais incrédulos. Então, todos verão "a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não O serve" (Ml 3.18).