sexta-feira, 16 de novembro de 2012

25 - O LIVRO DAS LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS


  • Autor: Jeremias
  • Tema: Tristeza Presente e Esperança Futura
  • Data: Cerca de 586 - 585 a.C.


  • Considerações Preliminares

    O título deste livro deriva-se do subtítulo das versões grega e latina do Antigo Testamento - "As Lamentações de Jeremias". O Antigo Testamento hebraico o inclui como um dos cinco rolos (juntamente com Rute, Ester, Eclesiastes e Cantares) da terceira parte da Bíblia hebraica, os hagiógrafos ("Escritos Sagrados"). Cada um desses cinco livros era tradicionalmente lido num evento determinado do ano litúrgico judaico. Este, se lia no nono dia do mês de ab (cerca de meados de julho), quando, então, os judeus relembravam a destruição de Jerusalém. A septuaginta colocou Lamentações imediatamente após o profeta Jeremias, onde aparece na maioria das Bíblias de hoje.
     
    Quanto a Jeremias ser autor de Lamentações, tem sido há muito tempo o consenso entre as tradições judaica e cristã. Entre as evidências que respaldam esta conclusão estão as seguintes. (1) Por 2 Cr 35.25, sabe-se que Jeremias compunha lamentações. Além disso, o livro profético de Jeremias contém referências frequentes ao seu pranto por causa da devastação iminente de Jerusalém (ver Jr 7.29; 8.21; 9.1,10,20). (2) A vívida descrição em Lamentações daquele evento catastrófico sugere um relato de testemunha ocular; Jeremias é o único escritor conhecido do Antigo Testamento que testemunhou em primeira mão a tragédia de Jerusalém em 586 a.C. (3) Há vários paralelos temáticos e linguísticos entre o livro de Jeremias e Lamentações. Por exemplo: os dois livros atribuem o sofrimento de Judá e a destruição de Jerusalém à sua persistência no pecado e à rebelião contra Deus. Nos dois livros, Jeremias chama o povo de Deus de "filha virgem" (Jr 14.17; 18.13; Lm 1.15; 2.13). Estes fatos, juntamente com as semelhanças entre os dois livros, quanto ao seu estilo poético, indicam o mesmo autor humano.
     
    A desolação de Jerusalém é retratada em Lamentações de modo tão vívido e claro que indica ter sido experimentada pelo autor como um evento recente. Jeremias tinha entre cinquenta e sessenta anos quando a cidade caiu; ele sentiu profundamente esse trauma e se viu forçado a ir ao Egito contra a sua vontade em 585 a.C. (ver Jr 41 a 44), onde morreu (talvez martirizado) na década seguinte. Assim, o mais provável é que o livro foi escrito imediatamente após a destruição de Jerusalém (586-585 a.C.).
     
    Propósito
     
    Jeremias escreveu uma série de cinco lamentações a fim de expressar sua intensa tristeza e dor emocional por causa da trágica devastação de Jerusalém, que compreende: (1) a queda humilhante da monarquia e do reino davídico; (2) a destruição total dos muros da cidade, do templo, do palácio real e da cidade em geral; e (3) a lamentável deportação da maioria dos sobreviventes para a distante Babilônia. "Jeremias ficou sentado chorando, e lamentando sobre Jerusalém com esta lamentação", diz um subtítulo do livro na septuaginta e na Vulgata Latina. No livro, a mágoa do profeta jorra como a de um enlutado no sepultamento de um amigo íntimo que teve morte trágica. As lamentações reconhecem que a tragédia era o juízo divino contra Judá pelos longos séculos de rebeldia contra Deus. Chegara o dia da prestação de contas, e foi muito terrível. Em lamentações, Jeremias não somente reconheceu que Deus é reto e justo em todos os seus caminhos, como também que é misericordioso e compassivo com todos os que nEle esperam (Lm 3.22,23,32). Assim sendo, Lamentações levou o povo a ter esperança em meio ao desespero, e a olhar para além do juízo daquele momento, para o tempo futuro em que Deus restauraria o seu povo. 
     
    Visão Panorâmica
     
    Cada uma das cinco lamentações é completa em si mesma. A primeira (cap. 1) descreve a devastação de Jerusalém e o lamento do profeta sobre ela, ao clamar a Deus com alma angustiada. Às vezes a sua lamentação é personificada, como se fosse a da própria Jerusalém (Jr 1.12-22). Na segunda lamentação (cap. 2), Jeremias descreve a causa dessa devastação como resultado da ira de Deus contra um povo rebelde que se recusou a arrepender-se. O inimigo de Judá foi o instrumento do juízo de Deus. O poema seguinte (cap. 3) exorta a nação a lembrar-se que Deus realmente é misericordioso e fiel e que Ele é bom para aqueles que nEle esperam. O quarto poema (cap. 4) reitera os temas dos três anteriores. No poema final (cap. 5), após a confissão do pecado e da necessidade de misericórdia de Judá, Jeremias pede que Deus  restaure seu povo ao favor divino.
     
    As cinco lamentações do livro, que correspondem aos cinco capítulos, têm vinte e dois versículos cada (exceto o cap. 3, que tem vinte e dois multiplicados por três: ou seja, sessenta e seis versículos); vinte e dois é a quantidade de letras do alfabeto hebraico. Os quatro primeiros poemas são acrósticos alfabéticos, isto é, cada versículo (ou no cap. 3, cada conjunto de três versículos) começa com uma letra diferente do alfabeto hebraico, de modo sucessivo, de Álefe a Tau. Essa estrutura alfabética, além de ser uma ajuda para a memória, realiza duas coisas. (1) Transmite a ideia que as lamentações são completas e abrangem tudo, desde A até Z (Álefe a Tau). (2) Pressupõe que o profeta se proíbe de continuar com prantos e gemidos intermináveis. Os lamentos chegam ao fim, assim como algum dia o chegaria para o exílio e a reedificação de Jerusalém.
     
    Características Especiais
     
    Cinco aspectos principais caracterizam o livro de Lamentações. (1) Embora cânticos de lamento individual ou comunitário ocorram nos Salmos e livros proféticos, somente este livro da Bíblia está composto exclusivamente de poemas cheios de pesar. (2) Sua estrutura literária é inteiramente poética, sendo que quatro das cinco lamentações são acrósticas (ver o parágrafo final da "Visão Panorâmica"). Em consonância  com a estrutura poética do livro, o quinto poema tem também vinte e dois versículos. (3) Enquanto 2 Rs 25 e Jr 52 descrevem o evento histórico da destruição de Jerusalém, somente este livro retrata vividamente  as emoções e sentimentos  daqueles que realmente  experimentaram a catástrofe. (4) No centro do livro há uma das mais enérgicas declarações em toda Bíblia quanto a fidelidade e a salvação de Deus (Lm 3.21-26). Embora lamentações comece com um lamento (Lm 1.1,2), termina de modo apropriado, com uma nota de arrependimento  e esperança de restauração (Lm 5.16-22). (5) Não há citações deste livro no Novo Testamento; somente umas poucas possíveis alusões (cf. Lm 1.15 com Ap 14.19; Lm 2.1 com Mt 5.35; Lm 3.30 com Mt 5.39; Lm 3.45 com 1 Co 4.13).
      
    O Livro de Lamentações ante o Novo Testamento
     
    Embora Lamentações não seja citado em nenhum lugar do Novo Testamento, tem realmente muita relevância para aqueles que crêem em Cristo. Assim como em Rm 1.18 a 3.20, esses cinco capítulos exortam os crentes a refletir sobre a gravidade do pecado e a certeza do juízo divino. Ao mesmo tempo, fazem lembrar que, por causa da compaixão e misericórdia do Senhor, a salvação está à disposição  daqueles que se arrependem dos seus pecados e se voltam a Ele. Além disso, as lágrimas do profeta relembram as lágrimas de Jesus Cristo, que chorou por causa dos pecados de Jerusalém ao prever a destruição da cidade pelas mãos dos romanos (Mt 23.37,38; Lc 13.34,35; 19.41-44).
     
     
     
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    BIBLIOGRAFIA
    Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, Edição de 1995, ano 2002, pp. 1159, 1160 e 1161.