domingo, 25 de março de 2012

15 - O LIVRO DE ESDRAS


  • Autor: Esdras
  • Tema: Restauração de um Remanescente
  • Data: 450 - 420 a.C.

Considerações Preliminares

O livro de Esdras faz parte da história seqüencial dos judeus, escrita depois de seu exílio, que consiste de 1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias. No Antigo Testamento hebraico, Esdras e Neemias formavam originalmente um só livro e, de igual modo, 1 e 2 Crônicas. Os eruditos bíblicos entendem que a inspirada história contida nesses livros provinha  de um só autor pós-exílico. Embora não haja menção do autor em nenhuma parte da Bíblia, quase todos os autores antigos judeus e cristãos, bem como muitos eruditos contemporâneos concluem que esse autor foi Esdras, o sacerdote e escriba. [...]

Segundo a tradição, foi Esdras quem coligiu todos os livros do Antigo Testamento e os reuniu numa só obra, que instituiu a liturgia do culto na sinagoga, e que fundou a Grande Sinagoga em Jerusalém, a qual fixou o cânon das Escrituras do Antigo Testamento. Esdras era um líder piedoso, em tudo fiel às Escrituras do Antigo Testamento e que as amava ardorosamente.

O livro de Esdras relata como Deus cumpriu sua promessa profética através de Jeremias (Jr 29.10-14), no sentido de restaurar o povo judeu depois de setenta anos de exílio, ao trazê-lo de volta à sua própria terra (Ed 1.1). O colapso de Judá como nação e sua deportação para Babilônia ocorrera em três levas separadas. Na primeira (605 a.C.), a nobreza jovem de Judá, inclusive Daniel, foi levada ao exílio; na segunda (597 a.C.), foram mais 11.000 exilados, inclusive Ezequiel; e na terceira leva (586 a.C.), o restante de Judá, menos Jeremias e os mais pobres da terra foram levados. Semelhantemente, a restauração do remanescente exílico, em cumprimento à profecia de Jeremias, ocorreu em três levas. Na primeira (538 a.C.), 50.000 exilados voltaram, liderados por Zorobabel e Jesua; na segunda (457 a.C.), mais de 17.000 voltaram conduzidos por Esdras; e na terceira leva (444 a.C.), Neemias e seus homens levaram de volta o restante do povo.

Cerca de dois anos depois da derrota do império babilônico pelo império persa (539 a.C.), começou o retorno dos judeus à sua pátria. O livro de Esdras registra a primeira e a segunda levas de repatriados abrangendo três reis persas (Ciro, Dario e Artaxerxes) e cinco líderes espirituais de destaque: (1) Zorobabel, que conduziu os primeiros exilados; (2) Jesua, um sumo sacerdote piedoso que auxiliou a Zorobabel; (3) Ageu e (4) Zacarias, dois profetas de Deus que encorajavam o povo a concluir a reconstrução do templo; e (5) Esdras, que conduziu o segundo grupo de exilados de volta a Jerusalém, e a quem Deus usou para restaurar o povo, espiritual e moralmente. Se Esdras escreveu esse livro, como é geralmente aceito, ele compôs a sua obra sob a inspiração do Espírito Santo mediante consulta aos arquivos oficiais (e.g. 1.2-4; 4.11-22; 5.7-17; 6.1-12), genealogias (e.g. 2.1-70), e memórias pessoais (e.g. 7.27 - 9.15). O livro foi escrito em hebraico, a não ser 4.8 - 6.18 e 7.12-26, trechos que foram escritos em aramaico, a língua oficial dos exilados em Babilônia.

Propósito

Este livro foi escrito para demonstrar a providência e fidelidade de Deus na restauração do remanescente judaico que voltou do exílio em Babilônia. (1) Deus moveu os corações de três diferentes reis persas, para ajudarem o povo de Deus a regressar à pátria, a repovoar Jerusalém e a reedificar o templo; e (2) proveu líderes espirituais e capazes para conduzir o remanescente que retornava, a um avivamento espiritual no culto a Deus, na dedicação à palavra divina e no arrependimento por causa da infidelidade do povo de Deus.

Visão Panorâmica

Os dez capítulos de Esdras dividem-se naturalmente em duas seções principais: (1) a primeira seção (1 - 6) trata do primeiro grupo de exilados judeus a voltar a Jerusalém e a reedificação do templo por eles; (2) a segunda seção (7 - 10) descreve o retorno do segundo grupo sob a liderança de Esdras, e a renovação espiritual que teve lugar, então.

(1) A primeira seção começa onde 2 Crônicas termina - com o cativeiro judeu e o decreto de Ciro, rei da Pérsia (538 a.C.), que permitiu a volta dos judeus à sua pátria (Ed 1.1-11). O capítulo 2 alista aqueles que constituíram o primeiro grupo. É digno de nota que apenas uns 50.000 exilados judeus dentre um milhão ou mais, vieram no primeiro grupo (Ed 1.5; 2.64,65). No capítulo 3, Zorobabel (um descendente de Davi) e Jesua (o sumo sacerdote) mobilizaram o povo para recomeçar a construção do templo destruído. Astutos inimigos de Judá manipularam meios políticos e interromperam a obra por algum tempo (cap. 4), mas depois a obra recomeçou e o templo foi concluído em 516 a.C. (caps. 5; 6).


(2) Houve um intervalo de quase sessenta anos entre os capítulos 6 e 7. Nesse período Ester tornou-se rainha da Pérsia, consorte do rei Assuero (i.e., Xerxes I). Ester tornou-se rainha por volta de 478 a.C. [...]. Os capítulos 7 e 8 registram eventos de uns vinte anos mais tarde, quando, então, um grupo menos de exilados voltou da Pérsia a Jerusalém sob a liderança de Esdras. Enquanto os primeiros exilados que voltaram realizaram a tarefa de edificar a Casa de Deus, Esdras empreendeu a obra de restaurar a Lei de Deus no coração do povo (cf. Ne 8.1-8). Esdras deparou-se com uma apostasia generalizada, espiritual e moral entre os homens de Judá, evidenciada nos seus casamentos mistos com mulheres pagãs. Com profunda tristeza Esdras confessou a Deus o pecado do povo, e intercedeu por ele (capcap. 10). 

Características Especiais

Quatro características principais assinalam o livro de Esdras. (1) Esdras e Neemias são o único registro histórico da Bíblia sobre a restauração pós-exílica dos judeus que retornaram à Palestina. (2) Uma característica notável desse livro é que entre suas duas divisões principais (1 - 6 e 7 - 10) há um intervalo histórico de aproximadamente sessenta anos. O livro todo abrange uns oitenta anos. (3) Esdras demonstra claramente como Deus vela sobre a sua palavra para cumpri-la (cf. Jr 1.12; 29.10); Deus controlou os corações dos reis persas como o leito de um rio comanda a direção das suas águas, para conduzir o seu povo à sua pátria (Ed 1.1; 7.11-28; cf. Pv 21.1). (4) O modo de Esdras tratar as mulheres pagãs com as quais os judeus (inclusive sacerdotes) casaram, transgredindo os mandamentos de Deus, ilustra amplamente o fato de que Deus requer que o seu povo viva separado do mundo pagão, e às vezes Ele emprega medidas radicais para tratar da perigosa transigência com o mal no meio do seu povo.

O Livro de Esdras à Luz do Novo Testamento

A volta do remanescente judaico à sua pátria e a reedificação do templo revelam que Deus sempre anela restaurar os desobedientes. Seus métodos incluem não somente o castigo pela apostasia, como também a restauração e esperança para o remanescente crente, através do qual Deus dirige o caudal da redenção no seu curso final. Vemos esse princípio no Novo Testamento, onde um remanescente crente dentre os judeus aceitou Jesus como o seu Messias, enquanto o fluxo principal da redenção passou dos judeus incrédulos para os gentios na igreja primitiva.
  

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BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, Edição de 1995, ano 2002, pp. 708, 709 e 710.

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