domingo, 13 de novembro de 2011

6 - O LIVRO DE JOSUÉ

Josué


  • Autor: Josué
  • Tema: A Conquista de Canaã
  • Data: Século XIV a.C.

Considerações Preliminares

               O livro de Josué é a continuação do Pentateuco. Relata a travessia do Jordão por Israel, depois da morte de Moisés, para a entrada em Canaã, bem como a conquista e o povoamento de Canaã pelas doze tribos sob a liderança de Josué. A data bíblica aproximada da invasão de Canaã por Israel é 1405 a.C. O livro abrange os 25-30 anos consecutivos da história de Israel, e conta como Deus "deu... a Israel toda a terra que jurara dar a seus pais" (21.43).

               Apropriadamente, o livro recebe o nome do seu personagem principal, que se destaca como o líder escolhido por Deus, do começo ao fim do livro. Os antecedentes pessoais de Josué muito contribuíram para que se tornasse o líder da conquista. Josué viveu próximo ao fim da opressão de Israel pelo Egito, e testemunhou as dez pragas que Deus enviou a esse país como castigo, a primeira Páscoa, a travessia milagrosa do mar Vermelho e os sinais (e juízos) sobrenaturais durante as peregrinações de Israel no deserto. Serviu a Moisés como comandante militar na batalha contra os amalequitas, pouco depois da saída do Egito (Êx 17.8-16). Somente ele acompanhou Moisés na subida ao monte Sinai, quando Deus deu a Israel os dez mandamentos (Êx 24.12-18). Como auxiliar de Moisés, Josué demonstrava intensa devoção e amor a Deus, e muitas vezes permaneceu na presença do Senhor por um longo período (Êx 33.11). Era um homem que se deleitava na santa presença de Deus. Por certo, aprendeu muito com Moisés, seu conselheiro e guia de confiança, a respeito dos caminhos de Deus e das dificuldades na condução do povo. Em Cades-Barnéia, Josué serviu a Moisés como um dos doze espias que observaram a terra de Canaã. Ele, juntamente com Calebe, rejeitou energicamente o relatório da maioria, que retratava a incredulidade do povo (Nm 14). Muitos anos antes de substituir Moisés  como líder de Israel, Josué demonstrou ser um homem de fé, visão, coragem, lealdade, obediência inconteste, oração e dedicação a Deus e à sua palavra. Quando foi escolhido para substituir Moisés, já era um homem "em que há o Espírito" (Nm 27.18; Dt 34.9).

               A tradição judaica, no Talmude, atribui a Josué a autoria literária do livro. Duas vezes o livro menciona o ato de escrever em conexão com Josué (18.9; 24.26). As evidências internas do livro indicam enfaticamente que o seu autor foi testemunha ocular da conquista (conforme "nos" em 5.6; note-se que Raabe ainda vivia quando o autor escreveu, 6.25). As partes do livro acrescentadas depois da morte de Josué - exemplo, 15.13-17 (conforme Jz 1.9-13); 24.29-33 - foram talvez escritas por um dos "anciãos que ainda viveram muito depois de Josué" (24.31). Josué morreu cerca de 1375 a.C., aos 110 anos de idade (24.29). 

Propósito


              O livro de Josué foi escrito como um registro da fidelidade de Deus, no cumprimento de suas promessas pactuais a Israel, concernentes à terra de Canaã (23.14; conforme Gn 12.6-7). As vitórias da conquista aparecem como os atos libertadores da parte de Deus pró Israel sobre uma decadente cultura cananéia (Dt 9.4). A violência neste livro deve ser enquadrada nesta perspectiva. A arqueologia confirma que o povo cananeu era caracterizado por extrema depravação e crueldade quando Israel ocupou a terra. 

Visão Panorâmica

               Josué começa onde Deuteronômio termina. Israel estava acampado nas planícies de Moabe (Dt 34.1), diretamente a leste de Jericó e rio Jordão. O livro divide-se em três seções. (1) Seção I (1.1 a 5.15). Descreve a designação de Josué por Deus, como sucessor de Moisés, e os preparativos de Israel para entrar em Canaã (1.1 a 3.13), sua travessia do Jordão (3.14 a 4.24), e suas primeiras atividades na terra consoante o concerto (cap. 5). Deus prometeu a Josué: "Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado" (1.3). (2) Seção II (6.1 a 13.7). Descreve como Israel avançou obedientemente contra cidades-estados bem armadas e com muros fortificados. Deus deu ao seu povo vitórias decisivas no centro de Canaã (6 a 8), no sul (9;10) e no norte (11;12), e assim Israel obteve o controle das terras montanhosas (de norte ao sul) e do Neguebe. A maneira altamente singular da conquista de Jericó demonstrou claramente a Israel quem era o Príncipe da sua salvação (cap. 6). A derrota de Israel em Ai revela a imparcialidade do livro e a obediência devotada que Deus requeria da parte de Israel (cap. 7). (3) Seção III (13.8 a 22.34). Descreve a repartição da terra , por Josué, entre as doze tribos; a herança de Calebe; as seis cidades de refúgio; e as quarenta e oito cidades levíticas dentre as tribos. O livro termina com duas mensagens de despedida por Josué (23.1 a 24.28) e um tributo post-mortem a Josué e Eleazer (24.29-33).     

Características Especiais

               Sete características principais sobressaem neste livro. (1) É o primeiro dos livros históricos do Antigo Testamento a descrever a história de Israel como nação na Palestina. (2) Oferece muitos aspectos da admirável vida de Josué como o escolhido de Deus para completar a missão de Moisés: estabelecer Israel como o povo do concerto na terra prometida. (3) O livro registra vários milagres divinos em favor de Israel, sendo que os dois mais notáveis são a queda de Jericó (cap. 6) e o prolongamento das horas da luz do dia, na batalha em Gibeão (cap. 10). (4) É o principal dos livros do Antigo Testamento a descrever o conceito da "guerra santa" como missão específica e limitada, prescrita por Deus e inclusa no contexto mais amplo da história da salvação. (5) O livro ressalta três grandes verdades no tocante ao relacionamento entre Deus e o seu povo do pacto: (a) sua fidelidade; (b) sua santidade; e (c) a sua salvação. (6) O livro ressalta a importância de manter viva a memória dos atos redentores de Deus em favor do seu povo, e de perpetuar esse legado de geração em geração. (7) O relato prolongado que o livro registra da transgressão de Acã e do seu subseqüente castigo (cap. 7), juntamente com outras admoestações, advertências e castigos, enfatiza a importância do temor do Senhor no coração do seu povo.

O livro de Josué e Seu Cumprimento no Novo Testamento

              
                O nome Josué (hb. Yehoshua' ou Yeshua' ) é o equivalente hebraico do nome "Jesus" no Novo Testamento, em grego. Josué, no seu encargo de introduzir Israel na terra prometida, é um tipo ou prefiguração no Antigo Testamento, de Jesus, cuja obra foi levar "muitos filhos à glória" (Hb 2.10; 4.1-13; 2 Co 2.14). Além disso, assim como o primeiro Josué usou a espada do terrível juízo divino na conquista, assim também o segundo Josué a usará na conquista das nações no fim da história (Ap 19.11-16). 


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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, Edição de 1995, ano 2002, pp. 344, 345 e 346.  

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