sábado, 26 de abril de 2014

A Igreja Brasileira é contaminada pela praga pelagiana!

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Infelizmente, os evangélicos brasileiros, em sua maioria, professam a doutrina de Pelágio [1]. Bom, resumindo de forma rápida e superficial, o pelagianismo é a ênfase nas boas obras para a salvação. Portanto, em uma comunidade evangélica a resposta que você mais ouvirá para a pergunta “você é salvo?” será um “estou me esforçando”! A resposta é simplesmente trágica, antibíblica e religiosa. Nesse sentido, o evangelicalismo brasileiro mata a principal ênfase do protestantismo e se volta para o pior do catolicismo popular. E não pense que esse problema é exclusivo de denominações arminianas, pois em comunidades calvinistas há, também, inúmeros pelagianos.

Nada mais distante do Evangelho do que a crença que a salvação seja fruto do NOSSO esforço. Como diz M. James Sawyer: “A doutrina da depravação humana e sua doutrina correlata, a necessidade de salvação vinda de Deus e pela graça, pertencem ao centro da rede da proclamação cristã” [2]. O pelagianismo não é um erro bobo- ou uma mera questão secundária- mas sim uma doutrina importante para mostrar onde está a nossa confiança salvífica. Em quem confiamos? Em nossa própria capacidade caridosa? Nas atitudes legalistas e moralistas? Na autojustificação? No mito da “bondade nata” da modernidade? Ou de fato cremos em Cristo como o nosso salvador?

Não falo em semipelagianismo, pois é difícil que, na essência, algo seja simplesmente “semi”. A frase mencionada acima expressa bem um pensamento pelagiano. Mas é interessante observar que o discurso do "eu fazer"  para "ser salvo" não se restringe a essa frase. Observe como as pregações mencionam mais o nosso papel do que o papel de Deus no processo salvífico. E a santificação?  Quase se esquece que ela também é recebida pela graça. Veja, por exemplo, como o pensamento de Paulo centraliza que a santificação, igualmente como a salvação, também depende de uma ação divina: “Jesus Cristo, nosso Senhor, pelo qual recebemos a graça [...] para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome, entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo." [Romanos 1.4-6]. Portanto, se você obedece é porque Deus lhe deu essa graça. Isso não vem de nós, pois somos naturalmente tendenciosos para o mal.

É grave notar que o pelagianismo tomou o nosso discurso de forma que nem nos incomodamos. A ação humana é sempre mais valorizada do que a ação divina. É a divinização do próprio homem. Os sermões falam em “dez atitudes para isso” ou “oito ações para aquilo”. Tudo é o “eu quem faço”. A santificação, quando pregada, sempre enfatiza a ação ativa e nada da ação passiva, onde somos cheios pelo Espírito Santo para viver uma vida minimamente decente.

Portanto, o pelagianismo é um gravíssimo problema da práxis e da concepção salvífica dos evangélicos. Estamos cada vez mais católicos, mas, infelizmente, naquilo que o catolicismo tem de pior...

Encerro este texto com dois trechos do belíssimo Grata Nova, hino de número 18 da Harpa Cristã. Veja como o Evangelho está em destaque nessa letra:


Com ofertas e obras mortas,
Sacrifícios sem valor,
Enganado, pensa o homem,
Propiciar Seu Criador,
Meios de salvar-se inventa;
Clama, roga em seu favor,
A supostos mediadores,
Desprezando o Deus de amor.

Luz divina, resplandece!
Mostra ao triste pecador,
Que na cruz estão unidos
A justiça e o amor.
Fala aos corações feridos,
Mostra-te, Deus Salvador;
E sem fim, proclamaremos:
“Deus é luz! Deus é amor!”



Notas e Referências:

[1] Pelágio da Bretanha (350 — 423) foi um monge ascético a quem se atribui a defesa de crenças como a autonomia humana para a salvação, a natureza humana como neutra e a negação do pecado original. O seu principal oponente teológico fora Agostinho de Hipona (354- 430).

[2] SAWYER, M. James. Uma Introdução à Teologia. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2009.
183.


Fonte: Clique aqui

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Deus amaldiçoe o teu descanso!


Por Gilson Moura


"Deus amaldiçoe teu descanso e a tranquilidade que buscas para estudar, se diante de uma necessidade tão grande te retiras e te negas a prestar socorro e ajuda".

Esta frase foi dita por um homem chamado Guilherme Farel, chefe do grupo de missionários protestantes que saíram da cidade de Berna e estavam em Genebra, ambas na Suíça durante a Reforma Protestante no século 16.

Esta frase foi dirigida a João Calvino, um dos gigantes da Reforma Protestante.

Não se espante, vamos ver o contexto da situação nas palavras de Justo Gonzalez, no volume 6, página 113 do livro A Era dos Reformadores (de onde extraí a imagem acima):

Calvino não tinha a menor intenção de dedicar-se à vida ativa de seus muitos correligionários que em diversas partes levaram a cabo a obra reformadora. Mesmo que sentisse para com eles profundo respeito e admiração, estava convencido de que seus dons não eram os de pastor, ou um "cabo de guerra", mas sim os de estudioso e de escritor.

Depois de uma breve visita a Ferrara, e outra à França, decidiu estabelecer seu domicílio em Estrasburgo, onde a causa reformadora havia triunfado e onde havia uma grande atividade teológica e literária que lhe parecia oferecer um ambiente propício para seus trabalhos.


Mas o caminho mais direto para Estrasburgo estava fechado por razões de uma guerra, e Calvino teve que se desviar e passar por Genebra. A situação nessa cidade era confusa. Algum tempo antes, a cidade protestante de Berna havia enviado missionários a Genebra, e estes tinham conseguido o apoio de um pequeno núcleo de leigos instruídos que ansiavam pela reforma da igreja e de um forte contingente de burgueses cujo principal desejo parece ter sido o de ganhar certas vantagens e liberdades que não tinham sob o regime católico. O clero, em geral de escassa instrução e menor convicção, simplesmente havia seguido ordens do governo de Genebra quando este decidiu abolir a missa e optar pelo protestantismo. Isto tinha ocorrido poucos meses antes da chegada de Calvino a Genebra e, portanto, os missionários procedentes de Berna, cujo chefe era Guilherme Farel, se encontravam à frente da vida religiosa de toda uma cidade e carentes de pessoal necessário.


Calvino chegou a Genebra com a intenção de não passar ali mais que um dia e prosseguir seu caminho para Estrasburgo. Porém alguém avisou a Farel que o autor das Institutas se encontrava na cidade, e assim se produziu uma entrevista inolvidável, que o próprio Calvino nos conta.

Farel, que "ardia com um maravilhoso zelo pelo avanço do evangelho", apresentou a Calvino várias razões pelas quais precisava de sua presença em Genebra. Calvino escutou atentamente seu interlocutor, uns quinze anos mais velho que ele, porém se negou a aceitar seu rogo, dizendo-lhe que tinha projetado certos estudos e que não lhe seria possível terminá-los na situação em que Farel descrevia. Quando por fim, Farel tinha esgotado todos seus argumentos, sem conseguir convencer ao jovem teólogo, apelou ao Senhor de ambos e insurgiu contra o teólogo com voz estridente: "Deus amaldiçoe teu descanso e a tranquilidade que buscas para estudar, se diante de uma necessidade tão grande te retiras e te negas a prestar socorro e ajuda".

Diante de tal imprecação, nos conta Calvino: "essas palavras me espantaram e me quebrantaram e desisti da viagem que tinha empreendido". E assim começou a carreira de João Calvino como reformador de Genebra.

Entendeu as circunstâncias da frase acima?

Esta passagem da história da igreja é de alguma valia para nós hoje? SIM!

Quantos estão acomodados, com seus dons enterrados, sem fazer nada. Criando uma fortaleza na mente dizendo que o que estão fazendo para o Reino de Deus é o suficiente! Está bom assim, pensam eles!

"Este é o meu dom, orar pelos outros!" Dizem alguns, e acabam orando sofrivelmente!

Ou ainda "Este é o meu dom, contribuir". E acaba dando algumas migalhas para Missões.

Outros não fazem nada, esquentam o banco com a sua temperatura morna.

Missões também é ser Enviador! Também é ir com orações e com dinheiro, mas não exime as pessoas de testemunharem de Cristo!

Ficam em uma profunda sonolência. Dormem na luz! Acordarão no lago de fogo?

Vamos ler a frase novamente e tirar dela algumas lições:

"Deus amaldiçoe teu descanso e a tranquilidade que buscas para estudar, se diante de uma necessidade tão grande te retiras e te negas a prestar socorro e ajuda".

  • Necessidade de descanso e de tranquilidade para fazer algo - Jesus nos disse que no mundo passaríamos por tribulações, logo, não existirá real e duradouro descanso para os servos de Deus!
  • Estudar - o estudo é bom! É necessário! Contudo, lemos em Coríntios que a ciência (conhecimento) incha e o amor edifica. O amor é mais importante que o conhecimento. O amor precisa do conhecimento para ter equilíbrio. O conhecimento precisa do amor para manter-se relevante.
  • Diante de uma necessidade - as necessidades do corpo de Cristo existem, quer a gente queira ver ou não!
  • Retirar-se - fugir das obrigações, enterrar seu talento! Como Jonas! Você esperará ser engolido por um peixe? Não há aposentadoria para os cristãos! Se a pessoa está viva, tem de trabalhar!
  • Negar a prestar socorro e ajuda - Lembre-se que Jesus disse que o amor de muitos se esfriaria nos últimos tempos. Você está incluído nesta turma?

Vamos nos arrepender dos nossos desejos de descanso e da nossa preguiça ou indiferença. Que venhamos a nos comprometer mais com a obra de Deus!

O que você está fazendo para o Reino de Deus?


Fonte: Clique aqui.

ATÉ AQUI NOS AJUDOU O SENHOR!