segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O cristão que se suicida perde a salvação?


Resolvi pesquisar sobre o suicídio entre cristãos e, claro, pensei que fosse encontrar apenas conclusões de que o crente que pratica suicídio perde a sua salvação. O que eu não esperava é que os Calvinistas chegassem tão longe com a tese de "uma vez salvo, salvo para sempre". Ledo engano, pois eles chegaram. Logo de início deparei-me com a resposta do site Got Questions para as perguntas: Qual a visão cristã a respeito do suicídio? O que diz a Bíblia a respeito do suicídio? O pessoal do referido site diz que "a Bíblia tem as respostas" e que eles vão "encontrá-las para você". Sabemos que a Bíblia, sendo a Palavra de Deus, realmente tem respostas para todas as coisas. Agora, falar em nome da Bíblia e dos cristãos para afirmar que um crente salvo que pratica suicídio não perde a sua salvação, seria de deixar o próprio Calvino de cabelos em pé e olhos arregalados. 
Graças a Deus que, no meio dessa torre de babel teológica, ainda existe quem fale a língua da sã doutrina bíblica, como o irmão Valmir Nascimento Milomem - jurista, teólogo, professor e bloqueiro. Veja o que ele escreveu sobre o assunto em seu Blog de Apologética e Cosmovisão Cristã:
"Tenho um profundo respeito pelo pastor Renato Vargens. Sempre que possível acompanho seu blog e leio atentamente seus escritos, os quais concordo em grande parte, especialmente suas denúncias em relação ao neopentecostalismo atual e às travessuras levadas a efeito por líderes e falsos pastores. 
Entretanto, ele escreveu recentemente um artigo com o título 'Os evangélicos e o suicídio' onde, motivado pelo acontecimento envolvendo a atriz Leila Lopes, aborda esse assunto tão delicado, o qual, com a devida vênia, não posso concordar.
Ele escreve: 'Em primeiro lugar não acredito que um cristão verdadeiro que comete suicídio perca a sua salvação. A Bíblia ensina que a partir do momento no qual a pessoa verdadeiramente crê em Cristo, ela está eternamente salva (João 3:16). De acordo com a Bíblia, os cristãos podem ter certeza, sem sombras de dúvida, que têm a vida eterna, não importa o que aconteça. “Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus” (I João 5:13). Nada pode separar o cristão do amor de Deus! “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:38-39). Se nenhuma “criatura” pode separar um cristão do amor de Deus, e um cristão que comete suicídio é uma “criatura”, então nem mesmo o suicídio pode separá-lo do amor de Deus. Jesus morreu por todos os nossos pecados… e se um cristão verdadeiro, em tempo de crise e fraqueza espiritual, cometer suicídio – também este é um pecado pelo qual Cristo morreu'.
Ele ressalva, ainda: 'Caro leitor, antes que você emita qualquer parecer é certo que todos concordamos que nenhuma pessoa racional tiraria sua própria vida e, quando isso ocorre, é um ato irracional de uma pessoa que está com algum distúrbio mental (…)'.
Antes de tecer qualquer comentário, é bom frisar  que não quero ser leviano ao efetuar a análise do texto do prezado pastor Renato Vargens. A reflexão que aqui se impõe diz respeito a um debate de idéias, fundamentado em um senso crítico aliado às minhas convicções bíblicas. Mantenho meu profundo respeito por sua pessoa, porém, nesse caso específico, não concordo com suas palavras.
Pois bem.
O pastor Renato Vargens acredita que um cristão verdadeiro que cometa suicídio não perde a salvação; isso porque, afiança ele, 'A Bíblia ensina que a partir do momento no qual a pessoa verdadeiramente crê em Cristo, ela está eternamente salva (João 3:16)'.
Não tenho dúvida alguma que o ponto fulcral desse assunto gira em torno da própria concepção de salvação. Com efeito, a ponderação de Vargens tem no seu pano de fundo a doutrina calvinista, para quem, o homem, uma vez salvo, sempre salvo. De modo que, nem mesmo o suicídio 'poderia separar o homem do amor de Deus'.
É interessante, mas, o suicídio, ele mesmo aponta a incongruência da visão calvinista. Dizer que mesmo tirando a sua própria vida o cristão mantém a sua salvação é desconsiderar o valor da vida – dom magnífico de Deus. O homem foi criado segundo a imagem e semelhança de Deus; destruir o próprio corpo é desonrar o Criador. O apóstolo Paulo é categórico ao afirmar que nosso corpo é templo do Espírito, e que ele habita em nós (I Cor. 6.16); e que, por isso mesmo, “se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo (1Co 3.17).
A salvação, portanto, não é uma licença para se fazer tudo que se queira, muito menos tirar a sua própria vida. O ato, em si, é uma demonstração de completa desesperança e falta de confiança no Doador da vida. Um ato de grande egoísmo, desconsiderando-se o sofrimento daqueles que ficam.
Além disso, o termo 'nada' utilizado por Paulo em Rm 8:38 não possui valor absoluto, devendo ser interpretado em conformidade com o próprio texto. Se assim fosse acreditaríamos que nem mesmo o pecado nos separaria de Deus. Mas a Bíblia diz que separa (Is 59.2). Assim, é mais fácil que aqueles que pensam que serão salvos ouvirem a seguinte frase: “Eu nunca vos conheci; Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt 7:23)”, do que serem salvos.
Suicídio, não tenho dúvidas, é pecado. E se assim é, não existe possibilidade de perdão, mesmo porque diz-nos a Bíblia que aos homens está ordenado morrerem um vez, vindo, depois disso, o juízo (Hb. 9.27). Portanto, não há meio termo.
Não bastasse tudo isso, outra pergunta que se faz necessária: Como pode um 'cristão verdadeiro' ser tentado acima da sua possibilidade sendo levado a tirar a sua própria vida, se a Bíblia diz que: Não veio sobre vos tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixara tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também escape, para que a possais suportar”? Se isso realmente for verdade, de que Deus perdoa o “crente suicida”, é de se concluir também que a Bíblia esta equivocada. E isso, obviamente, não dá para aceitar.
Voltando à palavras do pastor Renato Vargens, ele escreveu ainda 'que todos concordamos que nenhuma pessoa racional tiraria sua própria vida e, quando isso ocorre, é um ato irracional de uma pessoa que está com algum distúrbio mental. Isso nos leva a uma outra pergunta: Pode o cristão sofrer de doença mental?'
Dizer que nenhuma pessoa racional tiraria sua própria vida e, quando isso ocorre, é um ato irracional de uma pessoa que está com algum distúrbio mental, é uma forma de abrandar a culpa do suicida, que estaria agindo de modo irracional. Ocorre que nem todos agem assim. Muitos, sim, podem estar abalados, mas não agem de modo irracional, que é a exclusão da sua capacidade de autodeterminação. Não. Na grande maioria eles sabem perfeitamente o que estão fazendo. Podem estar em profunda depressão ou angústia, mas agem de modo racional, de forma consciente.
Ao final, Vargens conclui: 'Aproveito o ensejo em afirmar que não aprovo nem tampouco reconheço que o suícidio seja uma saída àqueles que sofrem. Acredito piamente que o Senhor Todo-Poderoso é capaz de trazer bálsamo as nossas vidas e emoções restaurando naquele que nEle crêr a alegria de viver.'
De fato. Mas que o tal crente suicida não é salvo, isso realmente não é!"

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