quinta-feira, 20 de março de 2014

CARÊNCIA DE PROFETAS


Ricardo Gondim
Reconheço: existem diversas pessoas sérias entre os crentes. Admito: mais de sete mil profetas não se dobraram a Baal. Não desprezo o testemunho daqueles que me precederam e honraram a fé. Dados os devidos descontos, impossível não admitir o colapso do que se popularizou como movimento evangélico.
Como calar diante do avanço de vigaristas e charlatões? Quantos vão manter um silêncio obsequioso diante das promessas irresponsáveis de cura, prosperidade financeira, solução de problemas conjugais e sucesso empresarial? Não é possível aguentar três minutos de programa de rádio ou de televisão. Náusea, diante da postura arrogante de falsos profetas que oscilam entre camelôs religiosos e doces professores de Bíblia.
Não dá para lidar com a falta de sensibilidade humana de grupos fundamentalistas, quando celebram desastres naturais como sinais inequívocos do castigo de Deus sobre o pecado. A lógica do quanto pior, melhor só revela quão egocêntrico e cínico o movimento vem se tornando. Haja estômago para ouvir professores de teologia, forjados em seminários de segunda linha, criticando livros que nunca leram. A maioria dos auto-reconhecidos teólogos evangélicos não consegue citar duas obras de peso da literatura. Eles discursam na defesa de uma reta doutrina que ainda não completou duzentos anos.
Será que passará impune a intolerância de muitos sacerdotes, que deveriam ser pacientes e benignos? O meigo carpinteiro de Nazaré seria parceiro de abutres prontos para estraçalhar quem tropeçou na vida? Quantos tribunais sumários já excomungaram adolescentes por, na lógica deles, graves transgressões morais, enquanto bandalheira administrativa passa batida.
O movimento evangélico corre o risco de se tornar refúgio para incompetentes. Líderes, que jamais conseguiriam sobreviver no mundo empresarial, se ocupam em tornar a culpa em uma fonte de lucro. Preguiçosos e despreparados, adoram praticar tiro ao alvo, desferindo setas nos já abatido pela vida. Os piores tentam mimetizar comportamentos moralistas do mundo anglo-saxão. Eles copiam as afirmações dos ortodoxos, que se pretendem eleitos de Deus, e se vendem como especialistas em cerimonialismos e tradições.
Também, não dá para lidar com tanto ufanismo. Falsos Aquiles perambulam pelos corredores eclesiásticos como exemplo de imunidade. Sobram narcisistas na corrida pelos primeiros lugares no Olimpo dos ungidos. E cada dia fica mais notório que empreitada, projeto ou campanha, que pretende mudar o mundo, não passa de estratégia surrada de movimentar dinheiro. Falsos heróis instumentalizam o povo para viabilizar megalomanias – usam e abusam da boa-fé de quem deseja fazer alguma coisa pela humanidade. A burocracia eclesiástica dilui enormes fatias dos recursos doados. Fortunas acabam sugadas na volúpia do poder. O dízimo suado dos crentes, investido em mais propaganda, só serve para alardear ao mundo como aquele evangelista é especial.
Enerva ouvir a repetição enfadonha de chavões. Cansam as frases prontas e os conceitos batidos. Fazem-se afirmações esvaziadas de sentido ou valor. A grande maioria dos púlpitos evangélicos se repete numa mesmice horrorosa. O culto deseduca. A convivência, no ar viciado de quem só visa repetir o que já foi dito, estupidifica. Os hinos reciclam poesias gastas. Os sermões começam e terminam com promessa de bênção. O movimento evangélico se tornou uma neurolinguística religiosa.
Há anos escrevi que andava cansado com o meio evangélico. Na verdade, não estava assim tão cansado. Eu procurava apenas denunciar o desgaste de tanta bobagem em nome de Jesus falando de exaustão. Mais tarde, para expor a ladeira abaixo do movimento, pedi para não ser classificado como evangélico. Não resta muito o que dizer. Talvez deva insistir na mesma tecla. Repetir: não dá, não dá, não dá, até que muitos profetas falem – a carência é grande.
Soli Deo Gloria
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domingo, 16 de março de 2014

MARIA MADALENA ERA UMA PROSTITUTA?

Maria Madalena é uma das personagens bíblicas mais conhecidas. É a mulher mais citada no Novo Testamento (doze vezes); mas o que a faz famosa é a crença de que ela teria sido uma prostituta que foi transformada pela palavra de Cristo: a famosa Madalena Arrependida, exemplo de arrependimento e transformação para os pecadores.

As fontes que temos sobre a vida de Maria Madalena são os Evangelhos canônicos (reconhecidos como inspirados por Deus) e os Evangelhos apócrifos. Estes últimos não são confiáveis como fonte de informação verídica sobre Madalena, pois foram escritos bem depois da época em que ela viveu, além de serem produto das seitas heréticas gnósticas, as quais distorciam os ensinos de Jesus.

O curioso é que em nenhum lugar da Bíblia (e até mesmo nos evangelhos apócrifos) se diz que Maria Madalena fosse prostituta ou a mulher apanhada em adultério do oitavo capítulo de João.

O livro de Dan Brown, O Código Da Vinci, polemizou mais o assunto, pois o autor, baseado no evangelho apócrifo de Filipe, afirma como verdade histórica que Jesus se casou com Madalena e teve filhos com ela. Tal fantasia se mostra mentirosa por si mesma.

No entanto como até no meio evangélico é corrente pensar em Maria como ex-prostituta, faz-se necessário sabermos o que realmente a Bíblia nos diz sobre essa discípula de Cristo.

Maria de Magdala

Maria Madalena é assim chamada por ser de Magdala, aldeia de pescadores que ficava na costa oeste do mar da Galiléia, próxima a cidade de Tiberíades. O Novo Testamento nos relata que Cristo expulsou dela sete demônios (Marcos 16.9; Lucas 8.2) e depois ela se tornou uma das mulheres que acompanharam e seguiram a Jesus (Lucas 8.2-3). Junto com outras mulheres, permaneceu aos pés da cruz (Marcos 15.40; Mateus 27.56; Lucas 23.49; João 19.25) e assistiu ao sepultamento do Mestre (Mateus 27.59-69; Marcos 15.46-47; Lucas 23.55,56). Deixando passar o sábado, que era dia de descanso, Maria vai, na madrugada de domingo, aplicar especiarias no corpo de Jesus, conforme o costume, e se torna a primeira testemunha da ressurreição de Cristo (Mateus 28.1-8; Marcos 15.1-19; Lucas 24.1-10; João 20.1-18).

Lendas

Fora o que foi dito acima, nada pode ser afirmado com certeza a respeito de Maria Madalena. Porém, muitas lendas surgiram em torno dela. De acordo com uma antiga tradição dos antigos cristãos do Oriente, Maria Madalena acompanhou João e Maria, mãe de Jesus, a Éfeso, onde morreu e foi enterrada. Um das lendas da Idade Média diz que ela foi prometida ao apóstolo João.

Uma outra lenda antiga, que a confunde com Maria, irmã de Lázaro, diz que ela viajou para Marselha na Gália (França) com Marta e Lázaro e outros para evangelizar a região. Segundo essa lenda, ela passou 30 anos de sua vida cumprindo penitência na caverna de La Saint-Baume nos Alpes Marítimos e foi milagrosamente transportada pouco antes de sua morte, para a capela de Saint-Maximin e enterrada em Aix. 

Ao longo dos séculos a arte cristã tem representado Maria Madalena, através da escultura e da pintura, como uma mulher de cabelos longos e com uma jarra de óleo nas mãos.

Maria Madalena apócrifa


Os escritos apócrifos (Evangelho de Maria, Proto-Evangelho de Tiago, Evangelho de Filipe e Pistis Sophia) consideram Maria Madalena como o espírito da Sabedoria descrita em Provérbios oito; a personificação da gnosis (conhecimento); amada de Jesus; adversária de Pedro; ministra da evangelização; discípula e apóstola de Jesus; a apóstola dos apóstolos. Nesses textos não se afirma que Maria teria sido prostituta ou uma mulher adúltera. De onde vem então essa associação? Por que se pensa que Madalena era prostituta?

Do que vimos acima, percebe-se que a Bíblia nada diz sobre a vida de Maria Madalena antes de sua conversão, a não ser o fato de que foi liberta por Cristo de sete demônios. Realmente uma situação terrível, porém isso não quer dizer que Madalena tivesse uma vida devassa. De onde vem então a crença de Maria Madalena era prostituta? Vem da confusão de Maria Madalena com a pecadora mencionada no capítulo sete de Lucas que ungiu os pés de Cristo e da confusão desta com Maria, irmã de Lázaro que também ungiu Jesus. Posteriormente, associou-se Madalena à história da mulher adúltera do evangelho de João. Ou seja: a pecadora de Lucas 7 = Maria de João 12 = Maria Madalena = mulher adúltera. Por ser pecadora, a mulher de Lucas 7 foi identificada com Madalena, que foi possuída por muitos demônios, e a associação de Maria de Betânia com a pecadora de Lucas 7 se deve ao fato de ambas ungirem os pés de Jesus. Porém, deve se observar que a pecadora lavou os pés de Jesus com as próprias lágrimas, enquanto que Maria de Betânia com o perfume.

Nas passagens paralelas com a unção de Betânia em Mateus 26.6-13 e Marcos 14.3-9, se menciona a unção da cabeça de Jesus. Porém é o mesmo episódio: no costume da hospitalidade oriental se ungia a cabeça e se lavava e ungia os pés. João frisou a unção dos pés, enquanto Mateus e Marcos a da cabeça.

A unção da pecadora de Lucas e a de Maria de Betânia têm de semelhante o nome do dono da casa e a forma em que é realizada a unção, mas uma série de fatos mostra que são episódios diferentes:

Simões diferentes. O Simão de Lucas é chamado fariseu; o de Betânia, leproso. Simão era um nome comum na época e se usavam qualificativos para se distinguir as pessoas. Como o qualificativo é diferente, os Simões são diferentes.

Lugares diferentes. A unção da pecadora se dá numa cidade (Lucas 7.37) que provavelmente é Naim, mencionada anteriormente (Lucas 7.11). A unção de Maria se dá na aldeia de Betânia (João 12.1).

Épocas diferentes. A unção de Betânia se dá no final do ministério de Jesus, próxima da sua derradeira Páscoa, e de seu sepultamento (Mateus 26.2,12; Marcos 14.1,8; João 12.1,7). Já a unção da cidade se dá quando Jesus ainda estava em um ministério itinerante como se depreende de Lucas 8.1, que a o contexto subseqüente do episódio da pecadora.

Portanto, são episódios e pessoas diferentes. Mas, seria Madalena a pecadora de Lucas 7? Pouco provável, pois nenhum texto do Novo Testamento faz essa identificação, a qual depende da confusão com Maria de Betânia e não é, portanto, uma tradição independente, mas fruto de um mal entendido, que por ser antigo se tornou tradicional e popular.

Seria Madalena a mulher adúltera de João 8? Provavelmente não, pois mulheres livres não adulteram, nem as solteiras, mas, somente as noivas e as casadas. Que Madalena não era casada se evidencia por sua liberdade de seguir a Cristo, o que seria improvável se fosse casada, e por não ser mencionado o nome de seu marido, o que na sociedade da época era comum. Quando se quer distingui-la de outras Marias, se usa o gentílico madalena. O normal seria mencionar o nome de seu esposo se fosse casada.

Além disso, o texto de João 7.53-8.11 que narra a história da mulher adúltera, embora seja histórico (realmente aconteceu) e canônico (faz parte da Palavra de Deus escrita) não consta nos mais antigos manuscritos do Novo Testamento, aparecendo em alguns manuscritos antigos no texto de Lucas. É uma história real da vida de Cristo que se propagou independente dos evangelhos e se fixou no texto de João; essa passagem, porém foi pouco conhecida e comentada pelos primeiros cristãos, sendo usada no culto a partir o século V d.C. e praticamente só comentada no século XII. A identificação da mulher adúltera com Madalena veio depois dessa já estar identificada como uma mulher pecadora, e no decorrer dos anos todas essas mulheres se confundiram. Mas como foi isso?

Maria de Magdala: de apóstola dos apóstolos para pecadora e adúltera

A primitiva comunidade cristã tinha grande estima por Maria Madalena, mais pelo seu papel na ressurreição do que pela redenção de sua vida pregressa. Por ter sido comissionada por Cristo a anunciar Sua ressurreição aos demais discípulos, Madalena passou a ser estimada como modelo de evangelização, a apóstola dos apóstolos. 

No segundo século depois de Cristo, o teólogo Tertuliano de Cartago (150-222), em seu tratado De Pudicitia, confunde e identifica Maria Madalena, Maria de Betânia e a pecadora de Lucas 7 como uma mesma pessoa. No entanto, pela mesma época, outro grande teólogo, Irineu de Lion (c. 130-202 d.C.) distingue em seus escritos as três pessoas. Orígenes de Alexandria (185-254 d.C.) discutiu a possibilidade das três personagens serem a mesma mulher, mas rejeitou essa identificação.

Hipólito de Roma (170-235 d.C.), escrevendo sobre o Cântico dos Cânticos, ressalta o amor espiritual de Madalena por Cristo e compara a busca da Amada pelo Amado no poema de Salomão com a busca de Madalena por Jesus no sepulcro e no jardim. Ele a intitula de "Apóstola dos Apóstolos". Jerônimo (342-420 d.C.), em sua obra Principium Virginem, ressalta seu privilégio de ver Cristo ressuscitado mesmo antes dos apóstolos por causa da força da sua fé. Pedro Crisólogo (380-450) a vê como figura da Igreja.

Apesar dessa exaltação de Madalena, a tradição da prostituta redimida oriunda da confusão das três mulheres ia crescendo e ganhando vulto. Em contra partida, as seitas heréticas gnósticas exaltavam Madalena como a companheira predileta de Cristo e personificação da Sabedoria divina.

Como passar do tempo, a virgindade passou a ser valorizada como modelo de espiritualidade, encontrando seu grande referencial em Maria, mãe de Jesus; Maria Madalena passa gradativamente a ser o referencial da pecadora redimida. Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) foi um dos poucos teólogos ocidentais que distinguiam as três mulheres e ressaltavam o papel de Madalena na ressurreição de Cristo. Os teólogos ligados à tradição cristã do Oriente continuaram exaltando Madalena por seu papel na ressurreição. Cirilo de Alexandria (370-444 d.C.) e Proclus de Constantinopla (390-446 d.C.) afirmam que a aparição de Cristo ressuscitado às mulheres, em especial, a Madalena, visava honrá-las. Gregório de Antioquia, em c. de 593, chama Madalena e as mulheres que foram ao sepulcro de "primeiras apóstolas".

No entanto, na parte ocidental da Igreja, que estava sob a influência do bispo de Roma, prevalecia a ênfase no mito da prostituta perdoada. O Papa Gregório I (540-604 d.C.) em uma pregação ao povo de Roma, que passava por enormes dificuldades (fome, guerra e peste), utilizou o exemplo de Maria Madalena como a prostituta que se arrependeu, e só por isso foi curada, passando o resto da vida em penitência. Esse exemplo foi utilizado para demonstrar que o povo necessitava de fé e penitência. Com isso, Gregório I oficializou e deu por certo o antigo erro de identificar Maria Madalena, Maria de Betânia e a pecadora de Lucas como uma mesma mulher.

No entanto, na Igreja Oriental continuava a se pensar diferente como testemunha Modestus, patriarca de Jerusalém, em 630, que acreditava, contrariando a crença tradicional sobre Madalena, que ela havia morrido virgem e mártir, e que fora líder das discípulas.

Mas, no ramo ocidental da Igreja perpetuou-se a crença de que Maria de Magdala era a pecadora que ungiu os pés de Jesus e ao mesmo tempo seria Maria de Betânia e a mulher adúltera. A partir do século X, inúmeras "Vidas" de Maria Madalena foram escritas. Maria Madalena foi proclamada, em 1050, padroeira de uma abadia de monjas beneditinas. Isso visava mostrar que Maria Madalena se arrependeu e tornou-se eremita, incentivando a entrada de mulheres para as ordens religiosas.

Mas, como Maria poderia ser denominada através de duas cidades diferentes? Ela era de Magdala ou de Betânia? A imaginação humana sempre encontra saídas mirabolantes para as dificuldades que se lhe apresentam. E no caso de Madalena, em vez de se estudar a Bíblia e rejeitar uma crença errada, criou-se outra fantasia: No século XII, Iacopo de Varazze, em sua Legenda Áurea (a biografia dos Santos) diz que ela era oriunda de uma família rica de Betânia, que morava em um castelo chamado Magdala. Com a morte dos pais, Marta teria herdado a vila de Betânia e ela o castelo, daí o seu nome. Honório de Autun, pensador da mesma época, em seu Speculum Ecclesiae (tratado sobre pecado, perdão e penitência) atribui a Maria Madalena o adultério e uma vida promíscua e por isso cheia de demônios, tendo sido salva pela clemência de Cristo.

Nada disso se encontra na Bíblia, nem na História. Porém, quando algo é crido por muitos séculos é difícil e polêmico de ser contestado e revisto. Embora o Catolicismo mais erudito não creia que Madalena fosse prostituta e adúltera, o Catolicismo popular o crê firmemente.

E os evangélicos? Geralmente crêem, por tradição e por ignorância das Escrituras. Por que duvidar do que todo mundo diz sobre Madalena? Só que nem todo mundo estuda a Bíblia. Quando me converti achava que na Bíblia estavam escritas as seguintes frases: “De 1000 passarás, mas de 2000 não passarás”, “Os justos pagarão pelos pecadores” e “aqui se faz, aqui se paga”. Para minha surpresa, quando li a Bíblia vi que nada disso estava escrito. Também acreditava que Madalena era a mulher adúltera, e mesmo lendo e estudando a Bíblia, só depois de anos é que constatei que cria em algo errado ou no mínimo, improvável.


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sábado, 15 de março de 2014

QUAL É O VALOR DA SANTIDADE?


João Cruzué

Em tempos que os cristãos estão perdendo as referências e as palavras sagradas estão sendo relativizadas pelo testemunho de algumas lideranças cristãs, é muito importante saber o valor da santidade. Além do propósito principal, garantia de ver o Senhor, a santificação tem tesouros ocultos que ainda não foram revelados ao coração de muita gente. Guarde bem isso.

Podemos começar por este versículo: "Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do pai não está nele". Quando João escreveu assim em sua carta, estava falando (e ainda está) de algo que vale mais que tudo: a presença de Deus. Quando o cristão decide no seu íntimo seguir um princípio de vida baseado em atitudes que agradam ao Senhor Jesus, ele passa a andar com Deus. E esse andar no dia a dia com o Senhor, traz uma comunhão sempre crescente com Ele. Esta comunhão se traduz pela presença do Senhor na vida deste cristão.

A presença do Senhor na vida do cristão é um tesouro de valor incalculável. Quando uma parenta nossa estava com câncer de colo de útero, internada no Hospital São Paulo, não tinha recursos financeiros. Na mesma ocasião, Linda Eastman McCartney e Leandro (da dupla Leandro e Leonardo) também estavam se tratando de câncer nos melhores hospitais. Estes dois, infelizmente, morreram. Eles eram muito ricos. A esposa de Paul McCartney era filha do fundador da Kodak. Dinheiro não era problema, mas eles morreram de câncer. Minha prima não tinha nada, mas está viva - porquê? Porque ela era uma crente fiel. A presença do Senhor estava com ela nos dias mais difíceis da vida, pois precisou de 42 bolsas de sangue, ficou 69 dias no hospital, saiu de lá com menos de 40 kg, mas já se vão mais de dez anos e ela está viva.

Andar em santidade significa praticar atos que agradam a Deus. E também buscar com interesse o conhecimento da Sua vontade para deixar de praticar aqueles que O desagradam. Fazer o bem e evitar o mal, com um coração alegre e sincero. Ao fazer assim, o cristão está plenamente de acordo com a condição escrita no Salmo 91: "Pois que tão encarecidamente me amou, também Eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o Meu nome. "

Em nossos dias, quando nos deparamos com atitudes surpreendentemente profanas de grandes médios e pequenos líderes cristãos, nós paramos e pensamos: Meu Deus era tudo de mentirinha, de faz de contas... eles são muito hipócritas. Assim temos vistos nossos paradigmas nos decepcionando um após o outro. Vamos, então, por isso, também relativizar e menosprezar as coisas santas? O andar com Deus? o desejo íntimo e profundo de agradar ao Senhor? De certo que não!

A consciência sincera, o andar com Deus, o agradar ao Senhor, tem, sim, um valor incalculável, inestimável e surpreendente. E sabe quando ela se torna útil? A resposta é bem simples: no dia da adversidade. Quando estiver diante do imprevisível, do assombroso, do assustador, do câncer, das dívidas, da doença incurável de um filho pequeno ou adolescente, daquilo que ninguém pode consertar, ajudar ou fazer.

Se você andar em santidade para Deus, se você seguir o princípio de agradar ao Senhor, como assim era do caráter de Jó, como assim disse o Apóstolo João no início deste texto, você vai olhar para cima e fazer uma pequena oração, uma oração até bem curta e o Senhor vai inclinar seus ouvidos vai ouvir suas necessidades. Se Ele quiser, vai atender sua oração e livrá-lo de todo o mal. Mas se você seguir o caminho do mundo, pisar na palavra de Deus e copiar o desvio de muitos bispos, pastores e pregadores, quando você clamar o Senhor não vai ouvi-lo. E nem todo o dinheiro do mundo vai lhe servir recurso.

Há coisas que estão além do alcance das riquezas deste mundo. Se você é cristão e teme ao Senhor, não deixe que os desejos mundanos comandem o seu coração. Não ande na prostituição. Não procure ficar rico jogando na mega-sena. Não deixe que seu coração fique vazio sem ocupação na obra do Senhor. Essas coisas vão impedir sua oração, no dia que mais precisar. A santidade é  uma condição, uma segurança em que você pode orar com a certeza de que vai ser ouvido.

É para isto que serve andar separado do mundo, em santificação perante o Senhor. Um tesouro único, ajuntado dia a dia, cujo valor só vai ser descoberto no dia da adversidade.


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Os três nomes da Igreja Assembleia de Deus no Brasil


Creio não ser novidade para os assembleianos que o primeiro nome da sua denominação não foi Assembleia de Deus. No Brasil, o pentecostalismo teve inicio com o nome Missão da Fé Apostólica, que designava as igrejas ligadas ao movimento iniciado por Charles Fox Parham (1873-1929). E não foi por pouco tempo. Até ser adotado o nome Assembleia de Deus, quase sete anos depois, a doutrina pentecostal já havia chegado aos estados do Ceará, Pernambuco, Alagoas, Amapá e talvez Amazonas. Portanto, quando os nosso livros de história dizem que a “Assembleia de Deus” chegou a esses estados na verdade  querem dizer “Missão da Fé Apostólica” (um anacronismo normal nesses casos), porque o outro nome até então não existia aqui.
O nome Assembleia de Deus foi escolhido quando se decidiu que a igreja precisava ter personalidade jurídica, e foi registrada assim em 11 de janeiro de 1918. Segundo o testemunho de  Manoel Maria Rodrigues, o primeiro presbítero assembleiano do Brasil, o nome foi escolhido numa parada de bonde [...].
Mas agora vem o detalhe curioso, que descobri ao consultar o livro A história da igreja-mãe das Assembleias de Deus no Brasil, editado pela própria: o primeiro nome oficial da denominação foi Sociedade Assembleia de Deus. O nome Igreja Evangélica Assembleia de Deus veio a ser adotado mais tarde, mas desconheço em que circunstâncias.
Há também um fato interessante ligado a esse nome. O primeiro templo da denominação (foto ao lado) foi inaugurado em 1914, quando o nome ainda ainda era Missão da Fé Apostólica. No entanto, a foto que costumamos ver da fachada desse templo, e que parece a única a ter sobrevivido, traz o nomeAssembleia de Deus. Mas creio que a explicação é simples: a foto deve ser de um período posterior a 1918, quando o antigo letreiro, se é que havia algum, já tinha sido substituído.
Algumas curiosidades sobre a Assembleia de Deus
Folheando hoje um exemplar do jornal O Assembleiano, que editei em 1991, deparei com uma página de curiosidades sobre a Assembleia de Deus. Foi na edição em que publicamos a matéria dos 80 anos da denominação no Brasil. Reproduzo aqui algumas delas, com as devidas ou arbitrárias adaptações e alguns adendos.
Datas importantes
19 de novembro de 1910 — Os pioneiros Daniel Berg e Gunnar Vingren chegam a Belém do Pará.
13 de junho de 1911 — Um grupo de irmãos é cortado da comunhão da Igreja Batista por aceitarem a doutrina pentecostal.
18 de junho de 1911 — O culto realizado nesse dia, na casa da irmã Celina Albuquerque, com a presença de excluídos e alguns ainda membros da Igreja Batista, marca o início da Assembleia de Deus no Brasil. É a data em que se comemora a sua funda­ção.
11 de janeiro de 1918 — A denominação é registrada oficialmente como pessoa jurídica e adota o nome Assembleia de Deus (antes disso, chamava-se Missão da Fé Apostólica).
Primeiro batismo no Espírito Santo
A primeira pessoa a receber a pro­messa do batismo com o Espírito Santo no Brasil foi Celina Albuquerque, no dia 2 de junho de 1911. Depois de um culto em que buscava o batismo, ela continuou orando em casa. À uma hora da ma­drugada, começou a falar em línguas, só parando duas horas depois.
Getúlio Vargas
O presidente Getúlio Vargas, que tomou o poder no Brasil após a sua vitó­ria na revolução de 1930, manteve boas relações com a Assembleia de Deus. A explicação é que vários de seus parentes eram crentes pentecostais.
Dólar — mau negócio
Uma interessante nota sobre o câmbio na época dos pioneiros. Numa carta datada de 1932, Gunnar Vingren fala do sustento que recebia do exterior: “A moeda brasileira subiu aqui neste último tempo, de forma que rece­bi menos pelos dólares a mim enviados”.
A escolha do nome Assembleia de Deus
O nome da denominação foi esco­lhido, segundo o testemunho de Manoel Rodrigues, um dos primeiros assembleianos brasileiros, numa parada de bonde. Gunnar Vingren perguntou a um grupo de irmãos que após o culto estava aguardando a condução qual nome se deveria dar à jovem igre­ja, que estava para adquirir personalidade jurídica. Explicou-lhes que nos Estados Unidos as igrejas adeptas da doutrina pentecostal usavam o nome “Assembleia de Deus” ou “Igreja Pentecostal”. Todos decidiram pelo primeiro.
Costumes
No dia 1.° de janeiro de 1935, a denominação aprovou uma disposição em Assem­bleia Geral sobre o “uso de mundanismos que se querem insinuar dentro da Igreja de Deus”. Foi resolvido que a partir daquela data a irmã que cor­tasse o cabelo seria excluída do rol de membros.
Gentinha?
O Isael de Araujo, autor do Dicionário do movimento pentecostal, numa conversa ao telefone chamou a minha atenção para um ponto interessante. A Assembleia de Deus por muito tempo foi considerada uma igreja de pobres e, de fato, sempre se identificou com a parcela menos favorecida da população. Entretanto, o grupo pioneiro, oriundo da Igreja Batista, de forma alguma se encaixava nesse perfil, pois seus membros eram, em grande parte, representantes das classes média e média alta de Belém do Pará.
Assembleia de Deus: um nome que dá o que falar
No dia 16 de janeiro deste ano, publiquei, pela série Centenário da AD no Brasil, o artigo Os três nomes da AD no Brasil, referente aos nomes pelos quais a denominação foi conhecida até hoje em nosso país, baseado principalmente no livro A história da igreja-mãe das Assembleias de Deus no Brasil, publicado pela AD de Belém do Pará, e no texto faço algumas conjecturas, partindo do pressuposto de que o nome Assembleia de Deus só passou a ser utilizado no Brasil em 1918, quando a denominação foi registrada.
No entanto, passou-me despercebida a informação de que em 1917, Frida Vingren, recém-chegada ao Brasil, escreveu para a Suécia informando que sobre a porta do primeiro templo, inaugurado em 1914, estava o nome Assembleia de Deus. Essa informação consta do Diário do pioneiro, página 93 (da edição antiga, de 1983, que utilizo). Está registrada também no Dicionário do movimento pentecostal, que só adquiri alguns dias depois de ter publicado a matéria.
Além disso, o nome Assembleia de Deus já era conhecido dos missionários desde 1914, quando foi fundada a denominação nos Estados Unidos (Assembly of God). Consultando o próprio Dicionário, descobri que os nomes Fé Apostólica e Assembleia de Deus eram usados de modo intercambiável entre 1914 e 1918 no Brasil, mas o último caiu nas graças do povo, daí ter dado nome ao primeiro templo.
Na verdade, quem me alertou sobre o fato foi o próprio autor do Dicionário, o pastor Isael Araújo, a quem sou muito grato, pois fez a gentileza de me ligar na semana passada e esclarecer todos os pontos. Vamos, portanto, à seção “Melhor dizendo…”:
No artigo citado, digo que “a doutrina pentecostal já havia chegado aos estados do Ceará, Pernambuco, Alagoas, Amapá e talvez Amazonas” sob a designação “fé apostólica”, mas o nome Assembleia de Deus talvez fosse conhecido nesses lugares desde o início, porque o pentecostalismo parece não ter chegado a outros estados antes de 1914.
O nome Assembleia de Deus foi escolhido mesmo numa parada de bonde, mas a escolha talvez se refira ao nome do primeiro templo, não ao do registro da denominação. Se foi o segundo caso, tratou-se apenas de confirmar o nome.
Na História da igreja-mãe, consta o nome Sociedade Assembleia de Deus, mas oDicionário, que reproduz o estatuto, traz Sociedade Evangélica Assembleia de Deus.
Pelo fato ser mera conjectura baseada no pressuposto inicial e por não fazer muito sentido diante das “novas” informações, o último parágrafo deve ser desconsiderado.

Nota: as informações acima foram extraídas do blog O BALIDO - Blog do Judson Canto, de três artigos nele publicados.

quarta-feira, 12 de março de 2014

COMO REAGIR QUANDO UM AMIGO SE TORNA INIMIGO


Temos dois tipos de inimigos: os invisíveis e os visíveis. Os primeiros são as hostes do mal, às quais devemos nos opor (Ef 6.10-18). Os outros são pessoas que nos odeiam ou nos traem por algum motivo. E estas, por mais contraditório que isso possa parecer, devemos amar (Mt 5.44).

Se quisermos andar como Jesus andou (1 Jo 2.6), não devemos nos fazer inimigos de ninguém, mesmo dos falsos ou ex-amigos que nos traem. Afinal, segundo a Bíblia, os nossos reais inimigos são os invisíveis: principados, potestades, hostes espirituais da maldade, príncipes das trevas deste século, e não as pessoas (Ef 6.10-12).

Lamentavelmente, há cristãos (cristãos?) elegendo, equivocadamente, seus vizinhos, colegas de trabalhos e até irmãos como inimigos. E alegam ter motivos “nobres” para alimentarem sentimento de vingança e se regozijarem com o aparente fracasso dos tais. Que tipo de vida cristã é essa? Obadias profetizou numa época em que a cidade de Jerusalém estava sob o ataque violento da Babilônia. E os vizinhos de Jerusalém, os edomitas, estavam torcendo para que os exércitos inimigos os matassem e os destruíssem, como lemos em Salmos 137.7: “Lembra-te, SENHOR, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, porque diziam: Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces”.

As seguintes palavras de escárnio e desprezo, constantes de Obadias v.12, foram pronunciadas por parentes consanguíneos dos judeus: “Mas tu não devias olhar para o dia de teu irmão, no dia do seu desterro; nem alegrar-te sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da angústia”. Descendentes de Esaú, irmão de Jacó, os edomitas foram condenados por Obadias em razão de se regozijarem com o sofrimento dos judeus. Conclusão: os filhos de Edom, que pensavam estar comemorando uma vitória com sabor de mel, experimentaram, na verdade, uma derrota com sabor de fel: “Ah! Filha de Babilônia, que vais ser assolada! Feliz aquele que te retribuir consoante nos fizeste a nós! Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras!” (Sl 137.8,9).

Se alguém que nos tem traído ou prejudicado, de alguma maneira, está sofrendo ou vier a sofrer, não devemos, como servos do Senhor, ter o prazer da vingança. As Escrituras nos ensinam: “Quando cair o teu inimigo, não te alegres, e não se regozije o teu coração quando ele tropeçar” (Pv 24.17). Em vez de zombarmos do suposto fracasso de alguém, devemos manter uma atitude de compaixão e perdão, pois “Horrenda coisa é cair na mão do Deus vivo” (Hb 10.31). O que estão buscando os crentes que cantam “Tem sabor de mel, tem sabor de mel” ao verem sofrendo o seu irmão (que eles consideram inimigo)?

Por outro lado, é impossível não ter inimigos. O Senhor Jesus, o Homem perfeito, também os tinha, e a maioria deles o odiava por inveja. O Mestre nunca foi inimigo de ninguém, a ponto de chamar até o traidor Judas de amigo (Mt 26.50)! Ele não impediu que o Iscariotes se fizesse seu inimigo. Mas, paradoxalmente, nunca desejou ser seu inimigo, objetivamente.

Judas é o mais emblemático exemplo bíblico de traição, mas não é o único. A traição de Demas também foi bastante sentida pelo apóstolo Paulo (2 Tm 4.10). As Escrituras e a escola da vida nos ensinam que, em muitos casos, os traidores se travestem de “melhores amigos” até conseguirem o que desejam. O caso de Judas, em específico, mostra que o falso amigo é ingrato e prioriza o dinheiro, em detrimento da amizade. Entretanto, não nos cansemos de fazer o bem, mesmo correndo o risco de estarmos ajudando inimigos que se fingem de amigos. 

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O que é o batismo com o Espírito Santo e com fogo?


Em Lucas 3.16, lemos: “Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias; este vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. Essa passagem e também Mateus 3.11 nos apresentam, a rigor, dois tipos de batismo: (a) em águas, para arrependimento, e (b) com o Espírito Santo e com o fogo, um revestimento de poder para os salvos em Cristo (cf. Lc 24.49; At 1.5,8; 2.1-4).

Para interpretar as passagens bíblicas corretamente, além da iluminação do Espírito, precisamos levar em conta os princípios da Hermenêutica Bíblica — a arte e a ciência de interpretar os textos das Escrituras. E a principal função dessa matéria é aclarar passagens de difícil compreensão (cf. 2 Pe 3.16), conquanto seja também muito útil na interpretação geral das Escrituras.

O princípio dos princípios de interpretação (a regra áurea) da Hermenêutica Bíblica é: A Bíblia interpreta a própria Bíblia (cf. 2 Pe 1.20,21). Ou seja, as Escrituras são análogas. E, nesse caso, para interpretar uma passagem bíblica, é preciso considerar todos os tipos de contextos: (a) contexto geral; (b) contexto imediato; (c) contexto remoto: há alusões do Gênesis em Hebreus, por exemplo, que complementam o que está no primeiro livro do Antigo Testamento; (d) contexto referencial: passagens paralelas; (e) contexto histórico: época, cultura, ocasião, propósito original dos textos em estudo, etc.; (f) contexto literário: cada parágrafo é uma unidade de pensamento da revelação da Bíblia; (g) contexto cultural: estudo sobre os povos bíblicos.

No caso de Lucas 3.16 (ou Mateus 3.11), o contexto imediato não é suficiente para uma correta interpretação. Por quê? Porque, por meio dele, o exegeta pode ser induzido a interpretar, apressadamente, que há mesmo uma distinção entre o batismo com o Espírito Santo (uma bênção) e o batismo com fogo (juízo divino). E essa conclusão não é corroborada por todos os contextos mencionados.

Em primeiro lugar, o próprio Senhor Jesus, antes de sua ascensão, fez menção do revestimento de poder aludido por João Batista nos seguintes termos: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5). Observe que o Senhor não apresenta o “batismo com fogo”, dando a entender que João apenas aludiu ao fogo de maneira simbólica, para, mediante seus efeitos, ilustrar as ministrações do Espírito ao crente: iluminação, fervor, purificação, etc.

É importante considerar que João Batista, a despeito de aparecer no Novo Testamento, exerceu um ministério profético nos moldes do Antigo Testamento (Lc 16.16). E para os profetas veterotestamentários era comum falar de bênçãos e juízos de modo intercalado. Veja o caso de Isaías 61.1-3. O profeta discorre sobre várias bênçãos trazidas pelo Messias e, ao mesmo tempo, menciona “o dia da vingança do nosso Deus” (v.2). Em Zacarias 9 ocorre o mesmo: bênçãos e juízos se intercambiam.

Nesse caso, o fato de João Batista ter mencionado antes e depois da promessa do revestimento de poder o juízo por meio do fogo (Mt 3.10-12) não oferece base suficiente para distinguirmos entre o batismo com o Espírito e o batismo com fogo.

De acordo com a analogia geral, o fogo não significa apenas juízo, mas também denota purificação, iluminação e fervor propiciados pelo Espírito. E, por isso, no dia de Pentecostes, “foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (At 2.3).

Finalmente, menciono a opinião do respeitado teólogo pentecostal French L. Arrington: “O batismo com fogo [...] não diz respeito, pelo menos primariamente, ao julgamento final e à destruição por fogo dos ímpios, mas aos acontecimentos momentosos do Livro de Atos. A unção com o Espírito não é identificada explicitamente com o batismo com o Espírito e com fogo, mas Jesus confirma a promessa de João Batista acerca do batismo [...], o qual é cumprido como ‘línguas de fogo’ que pousaram sobre cada um dos discípulos” (Comentário Bíblico Pentecostal, CPAD, p.335).

[...] procurei demonstrar, pela analogia geral da Bíblia, que o batismo com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11; Lc 3.16) é uma coisa só, não havendo base contextual suficiente para a criação de outro batismo de julgamento, distinto do batismo com o Espírito Santo.

Segue-se que o fogo, nas passagens sinóticas mencionadas, foi empregado tão-somente para ajudar-nos a compreender, pela sua riqueza simbólica, a multíplice manifestação do Espírito na igreja. Não foi por acaso que o apóstolo Paulo asseverou: “Não extingais [apagueis] o Espírito” (1 Ts 5.19).

Paulo usou a figura do fogo para ilustrar a manifestação do Espírito no meio do povo de Deus. Isso porque o fogo alastra-se, comunica-se, purifica, ilumina, aquece, etc. Assim é a manifestação do Espírito como fogo.

Para muitos, a dificuldade em aceitar o batismo com o Espírito Santo e com fogo deve-se ao fato de a salvação em Cristo também ser descrita, figuradamente, como um batismo (1 Co 12.13, Gl 3.27; Ef 4.5). Todos os salvos, verdadeiramente, foram batizados pelo Espírito, imersos, feitos participantes do Corpo místico de Cristo, que é a sua Igreja (Hb 12.23; 1 Co 12.12ss). Nesse batismo da conversão, recebemos vida de Deus, mas o batismo com o Espírito e com fogo confere-nos poder de Deus (At 1.8).

Os discípulos que foram agraciados com o revestimento de poder no dia de Pentecostes já eram salvos! Observe a promessa que o Senhor havia feito a eles: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5).

Quando o apóstolo Paulo passou por Éfeso, depois de Apolo, disse aos salvos que ali estavam: “Certamente João [Batista] batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam” (At 19.4-6).

Portanto, num sentido, todos os salvos foram batizados pelo Espírito Santo no Corpo de Cristo. Noutro, nem todos foram batizados com o Espírito Santo e com fogo, conquanto esse dom esteja à disposição de cada salvo em Cristo. Afinal, essa “promessa [...] diz respeito [...] a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar” (At 2.39).

No dia de Pentecostes, os seguidores do Mestre receberam a bênção em apreço pela primeira vez, tendo como evidência as línguas repartidas como que de fogo que pousaram sobre cada um deles (At 2.1-4). Elas não foram produzidas pelos próprios seguidores de Jesus. Elas vieram sobre aqueles, de modo sobrenatural: “E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (At 2.3).

É importante dizer que o termo “línguas estranhas” é usado no meio pentecostal para denotar que essas línguas são estranhas (desconhecidas) para quem as pronuncia, e não — necessariamente — aos que as ouvem.

Vários dons do Espírito Santo são exercidos através da língua. Deus usa as línguas estranhas como sinal externo do batismo com o Espírito Santo e com fogo, para demonstrar sua inteira posse e controle da nossa língua, ao batizar os seus servos (cf. Tg 3.8).

Há muitos abusos nessa área, promovidos por movimentos pseudopentecostais. Mas o livro de Atos dos Apóstolos não deixa dúvidas quanto ao fato de as línguas estranhas serem a evidência inicial do revestimento de poder em análise. Em três passagens, pelo menos, é mencionada, textualmente, essa verdade: “começaram a falar em outras línguas” (2.4); “os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus” (10.46); “e falavam em línguas e profetizavam” (19.6).

As línguas estranhas não são apenas um sinal do batismo em apreço. Elas também são apresentadas no Novo Testamento como um dos dons do Espírito Santo pelo qual Deus fala com o seu povo (1 Co 12.10,30). O dom de variedade de línguas é usado pelo Espírito em conexão com o dom de interpretação das línguas (cf. 1 Co 12.10,28,30; 14.5,13,26-28).

Há pessoas batizadas com o Espírito que falam em línguas, mas não são portadoras de mensagens proféticas. E é aqui que reside muita confusão. Mas, em Atos 2.16,17 e 19.6, vemos que as línguas ocorreram inicialmente como sinal do batismo e, logo depois, quase ao mesmo tempo, houve a manifestação do dom de variedade de línguas.

No dia de Pentecostes, as línguas “como que de fogo” vieram do céu. Não foram produzidas por vontade humana. Hoje, infelizmente, há pregadores e cantores que mandam o povo “dar uma rajada de línguas estranhas”, o que é uma aberração. Ainda que o espírito do profeta esteja (ou deva estar) sujeito ao profeta, não falamos em línguas apenas porque queremos falar, e sim porque elas foram antes geradas sobrenaturalmente em nosso espírito. É o Espírito Santo quem acende o fogo em nossos corações!

É preciso ter em mente, então, que as línguas estranhas são multiformes em sua manifestação. Elas inicialmente são o sinal do batismo com o Espírito. Mas também podem conter mensagens proféticas, que precisam — geralmente — de interpretação, a menos que elas sejam conhecidas do público, como ocorreu no dia de Pentecostes. E elas, ainda, edificam o crente (1 Co 14.4).

Muita gente se opõe às línguas estranhas, mas elas são o único dos dons — entre as manifestações esporádicas do Espírito — do qual está escrito que edifica o seu portador. Os outros edificam a igreja. Paulo, em 1 Coríntios 14, asseverou que falava mais línguas (estranhas) que todos os coríntios (v.18) e ensinou: “Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar e não proibais falar línguas” (v.39).

As línguas para edificação do crente são mencionadas na Bíblia como um meio de o crente falar diretamente a Deus na dimensão do Espírito Santo: “Porque o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios” (1 Co 14.2). Essa oração “no Espírito” é confirmada em outras passagens, como 1 Coríntios 14.14,15; Romanos 8.26; Efésios 6.18; e Judas v.20.

Embora haja manifestações pseudopentecostais no meio dito pentecostal, isso não é motivo para desprezarmos o que a Bíblia diz a respeito das línguas “como que de fogo” produzidas sobrenaturalmente pelo Espírito. Mas tenho visto muitos zombarem delas. Esses ignoram que, através desse dom espiritual, o crente louva e adora a Deus melhor, inclusive cantando, dando-lhe graças (1 Co 14.15-17; Ef 5.19), magnificando-o e falando de suas grandezas (At 2.11; 10.46).

Como se vê, o estudo sobre as línguas estranhas é vastíssimo e, por isso, o crente que se preza não o despreza. Afinal, a Palavra de Deus afirma, em 1 Coríntios 14.26: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação”. E essa recomendação não é apenas para os crentes que se dizem pentecostais, mas para todo o povo de Deus!



Autor: Pastor Ciro Sanches Zibordi

VOCÊ É UM FILHO DA “GERAÇÃO QUE DANÇOU”?


Por *Livan Chiroma

Prometiam uma “Nova Unção”. Há cerca de 20 anos o campo religioso evangélico brasileiro estava praticamente estático. O costumeiro declínio numérico das igrejas históricas e o crescimento quantitativo das igrejas neopentecostais, ambos inevitavelmente demonstrado nas estatísticas. 

Era inicio dos anos 2000 e os movimentos do tabuleiro evangélico dos próximos anos já pareciam definidos: Caio Fabio, fundador da AEVB (Associação Evangélica Brasileira) havia se retirado do Brasil. Durante muito tempo ele foi o opositor ideológico da IURD (1977). A Associação foi soerguida para criar polaridade às organizações neopentecostais, que ganhavam poder político e econômico e inseriam a Teologia da Prosperidade nas igrejas brasileiras. No entanto, Caio foi acusado de envolvimento com o “Dossiê Cayman”, além de cometer o “pecado abominável número 1″ dos evangélicos, o pecado moral de um relacionamento extra conjugal. Foi execrado pela opinião pública evangélista. A AEVB se fragmentou. Isto aconteceu em 1998. 

No início dos anos 2000, na mesma Igreja Batista que catapultou o cisma na Convenção Batista Brasileira (CBB) (nascendo a Convenção Batista Nacional – 1965), emergiu uma “nova unção” para o Brasil. Márcio Valadão, pastor da Igreja Batista Lagoinha, havia enviado seus filhos para uma temporada no instituto Christ For The Nation, Ana e André foram treinados teologicamente como avivalistas e no movimento da “Chuva Serodia”. O movimento carismático Later Rain afirmava que a geração contemporânea seria uma “geração escolhida”, portanto receberia uma “chuva fora do tempo”. Chuva de bençãos, de prosperidade e do avivamento. 

Aos que viveram o protestantismo nos anos de 1990, só o advento do grupo Vencedores Por Cristo havia provocado tamanha onda transformadora cultural, sobretudo na área musical. O VPC rompeu barreiras musicais, inserindo o rock e ritmos brasileiros no protestantismo evangélico e apresentou às igrejas brasileiras um louvor congregacional destoante dos hinos do séc XVI-XIX até então padrão na maioria dos cultos evangélicos. Mas isso foi nos anos 70. Como o retorno de Ana Paula Valadão ao Brasil, a cantora e filha do pastor principal da Igreja da Lagoinha passa a liderar os momentos musicais junto à uma das bandas que conduziam adoração nos cultos da Igreja Batista da Lagoinha. Conforme seu relato, tem uma visão: durante um banho, envolta à água e as espumas do chuveiro, antevê, em sua profecia particular, que o Brasil seria banhado por uma onda de despertamento espiritual. Este evento fundante alavanca a gravação do primeiro CD da banda, que até então era simplesmente um grupo que entre outros que ministravam os momentos litúrgicos nos cultos da IBL. Produzido e masterizado no exterior por Randy Adams, o CD explodiu em vendas. A escolha de Adams foi certeira e trouxe um padrão sonoro e de masterização de alta qualidade dificilmente encontrada nas produções evangélicas nacionais. A compra dos direitos da canção “Shout to the Lord“, composta por Darlene Zschech, líder do ministério cristão australiano “HillSong” impulsionou a fama do grupo. “Shout to the Lord” era um sucesso garantido e o grupo “Diante do Trono”, já em seu primeira investida fonográfica, alcança destaque nacional. 

Liderado por Ana, o grupo “Diante do Trono”, vendeu mais de 10 milhões de CDs e, concomitante à atuação fonográfica, impulsionou diversas novas linhas teológicas e eclesiologias pelo Brasil. Este ministério evangélico não só foi o maior catalisador musical do movimento gospel durante os anos 2000 como protagonizou uma segunda onda cultural na música cristã evangélica brasileira. Os protestantes históricos, urbanos e pós modernos, não vivenciavam outros horizontes litúrgicos por décadas. Agora seria diferente. As igrejas pentecostais e históricas estavam culturalmente estáticas, sem grandes alterações morfológicas e gramaticais e, apesar de certas tentativas para alterar o desenho das igrejas protestantes como a “Igreja com propósito”, “Rede Ministerial”, estes sistemas eclesiásticos soavam, para a maioria do grande público, gerenciais e americanizadas demais – tais fiéis históricos tinham um novo paradigma – a “nova unção”, operando principalmente através da música gospel e o sistema de igreja em células, que disciplinava os membro das igrejas à “ganhar, consolidar, treinar e enviar”. 

Na carona do DT veio o G12 – sistema de células – criado 10 anos antes, em Bogotá. No inicio da década passada foi uma enxurrada de pastores históricos e pentecostais aderindo ao sistema, nem sempre com respeito à suas denominações e membresias. Os crentes tradicionais ficaram confusos. O que estaria acontecendo quase que “do dia pra noite”? 

Em dez anos o deslocamento cultural foi efetivado – os antigos grupos musical das igrejas locais protestantes realizaram uma repaginação estética e estrutural/teológica. Igrejas perdiam membros e o solo se moveu de maneira sem precedentes, uma verdadeira hemorragia e circulação dos membros, em direção às igrejas “avivadas”. Ouvi-se sobre “a igreja onde as pessoas caem no chão, em êxtase” (fenômeno “reciclado” dos anos de 1960. Porém o fenômeno, que em um período anterior, era experimentado em esfera privada, discretamente, a partir de sua versão contemporânea, era exposto midiaticamente pelos famosos artistas gospeis durante suas apresentações, virou “hit”). Em um Brasil pós ditadura militar e com o amadurecimento do neoliberalismo, cuja transversalidade influenciava outros setores estruturantes para além da economia, os sujeitos agora podiam operar suas próprias escolhas. A liberdade religiosa possibilitou o intenso trânsito das saberes do sagrado – sair de suas denominações familiares para outras (ou até, migrar para outras religiões não herdadas), mais modernas e conveniente, não era mais considerado como tabu ou afronta à religião dos pais. 

Nesta onda surgiram novos grupos, novas teologias, novas “moveres”. Toneladas de novas bandas e pastores midiáticos. Também neste movimento o líder de adoração foi elevado ao status de um pastor. Considerados “levitas” que podiam “ministrar” ou seja, antecediam casa canção com uma pequena pregação. Antes o estreitamento com as escrituras era condicionado ao Pastor protestante (Para o pós moderno a experiência proporcionado pela arte e pelos sons pode ser mais interessante que ouvir um sermão explicativo da bíblia ou frequentar um classe de catequização – a catarse emocional como elemento de transcendência, que era comum ao pentecostal desde o início do século XX, penetrava o culto do protestante histórico, em uma espécie de “pentecostalização tardia”, o êxtase tornava-se também régua na mensuração da espiritualidade do protestante comum/histórico). A experiência emocional cúltica definitivamente tornou-se sobrepujante à reflexão racional. O que os crentes assistiam no DVD ou no show gospel precisava ser repetido em suas igrejas locais e nem sempre a cultura eclesiástica local suportava tamanha e rápidas mudanças de paradigmas. Hoje praticamente todas as denominações não católicas, tem em seus repertórios, ao menos rabiscos desta Cultura Gospel, tornando-se quase dominante à todos os viéses evangélicos. 

Dificilmente alguém, sendo evangélico nos anos 2000, não ter ouvido sobre os grupos musicais Filhos do Homem, Casa de Davi, Santa Geração, Vineyard, David Quilan, Ludmila Ferber e muitos outros. Nesta mesma época muitos acessaram novos arsenais espirituais para eu cardápio: Vigílias no Monte, “mantras gospel”, unção com óleo, cânticos espontâneos, shofares (uma espécie de “berrante”), batalha espiritual, demônios territoriais, etc; anteriormente esses elementos eram observadas em redutos específicos, a partir desta virada, popularizaram-se e, em muitos casos, tornaram-se fundamentais na experiência comunitária do culto cristão. Falava-se em uma “judaização do cristianismo brasileiro”. 

Costumes como “cair na unção”, atos proféticos, ser “pai de multidões”, surgiram no léxico do campo religioso protestante. Uma interpolação do antigo e novo testamento. Era um movimento tectônico poderoso de carga simbólica intensa. Para se entregar ao “novo mover”, os crentes precisavam transformar suas próprias biografias religiosas. A entrega ao “irracional”, ao “sobrenatural” era necessária e muitos “históricos” (batistas, presbiterianos, metodistas, …) “desde o berço”, através da inserção de suas comunidade aos novos vetores, realizavam estas metamorfoses ou, pelo menos, simulavam. Era preciso para “estar na visão”, embora muitos “lá no fundo” relutavam em entrar na onda, no entanto, com a adesão de suas igrejas e pastores ao neo carismatismo protestante, abdicaram da teologia conservadora, do estudo da bíblia como padrão de fé e confiaram suas pertenças religiosas à estas “novas visões”, principalmente adquiridas em congresso, CDs e literaturas que se espalhavam pelo Brasil. 

Muitos se decepcionaram com estas promessas. Milhares, talvez milhões. Nesta movimentação, diversas comunidade resistiram à tentação do crescimento rápido, da evangelização fast food, propostas pelas novas técnicas. Muita gente bem intencionada, pastores e lideres mais conservadores, equilibrados, souberam realizar esta transição cultural com respeito. Outros não. Muitos dos quais decidiram fechar os olhos e lançarem-se aos novos movimentos, forçados pela pressão de grupos à “falarem em línguas”, ser “líder de multidões”, etc; hoje, após o desgaste dentro destes movimentos, optaram pelo desligamento, junto a muitos de seus membros. Recentemente ouvimos falar sobre os desigrejados, evangélico sem igreja, aumento do número daqueles desafeitos às lógicas evangélicas. Também, pessoas com sérios problemas psicológicos propiciados por abusos de pastores e lideres gananciosos. A lista é grande… 

Há de se discernir o “joio e o trigo”. Algumas comunidades “decantaram” todo o movimento, assimilaram coisas e descartaram excessos. Além disso a onda diminuiu e formarem-se algumas ilhas, regiões do “avivamento”, como Belo Horizonte (sede do ministério Diante do Trono) e Manaus (“capital” do G12, sede do ministério de Renê “TerraNova”). Também as igrejas afins formaram redes e alianças, mais fios e traços dentro do complexo mapa religioso brasileiro. Concluo sugerindo que a geração que dança está passando, os jovens e adolescentes à época, tornaram-se adultos, com maior senso crítico e de avaliação de significados. Ainda não há sinais de uma nova onda tão significativa, ou então, tornou-se a grande onda fracionada em diversas outras vagas? 

E 10 anos depois? Como estão os filhos da “Geração que dança”?

*Livan Chiroma é Comunicólogo, Teólogo e Antropologia Cultural (graduando-Unicamp). Mestre em Ciências da Religião. Áreas: Antropologia, Sociedade, Cultura, Mídia e Religião. 

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