domingo, 28 de junho de 2015

O MITO FUNDADOR E AS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL


Há três anos, alguns blogs e postagens fizeram propaganda sobre o lançamento do selo comemorativo do centenário das Assembleias de Deus no Brasil. O selo possui a logomarca oficial do centenário, porém em forma de um quebra-cabeça, querendo assim demonstrar o grande mosaico que é a denominação, composta de vários ministérios e convenções. No selo aparecem ainda quatro mãos que ajudam a montar o quebra-cabeça, o qual significa a unidade dos diversos segmentos da denominação em torno do centenário.

A iniciativa é louvável, e o selo é realmente um símbolo da realidade de uma denominação que a cada dia que passa mais se fragmenta em ministérios e convenções concorrentes entre si, tendo à única coisa em comum o nome: Assembleia de Deus. 

Mas, não é só o selo comemorativo que simboliza a tentativa de unir facções assembleianas em torno de tão aguardada data. Já há algum tempo, a história da denominação tem sido um instrumento para de alguma forma, unir as igrejas em torno de objetivos comuns. Chamo à atenção para o “mito fundador”que se evidencia na história assembleiana. Estes atendem pelo nome de pioneiros ou missionários suecos, ou mais especificamente Daniel Berg e Gunnar Vingren. 

Quando se fala de mito, logo nos vem em mente a ideia de uma narrativa imaginária e fantástica de um acontecimento, ou seja, uma história fictícia. O chamado “mito fundador” (ou mito fundante por outros autores) é um conceito usado pela escritora Marilena Chauí não no sentido que se habitualmente se conhece e usa, mas no sentido antropológico “no qual essa narrativa é a solução imaginária para tensões, conflitos e contradições que não encontram caminhos para serem resolvidos no nível da realidade”.

Segundo a autora o “mito fundador” impõe um “vínculo interno com o passado de origem, isto é, com um passado que não cessa nunca, que se conserva perenemente presente...”. (CHAUI 2000 p.9)

Alguns exemplos do mito fundador em nossa sociedade são: Descobrimento do Brasil, os Bandeirantes, Proclamação da República, entre outros. Esses acontecimentos são fatos históricos reais, porém são utilizados de forma grandiosa e mítica para legitimar a nossa cultura ocidental e europeia, justificar o genocídio dos indígenas, e principalmente entre outras coisas, assegurar o status quo de um determinado grupo no poder.

Assim, a cada ano que se passa, o mito sueco mais se faz presente no contexto assembleiano. Seja para legitimar lideranças, doutrinas e costumes, ou para conclamar a união de todos os ministérios, pois afinal de contas todos os assembleianos têm nos suecos sua origem espiritual comum. Basta verificar como a imagem dos pioneiros escandinavos é usada nos históricos das igrejas e convenções. 

O que essa supervalorização dos missionários suecos esconde na verdade, são as contradições e os muitos embates que houve entre eles e os pastores brasileiros durante os primeiros anos, e o período de formação das Assembleias de Deus no Brasil.

Lewis Petrus
Basta uma leitura atenta para os livros de história da Assembleia de Deus no Brasil lançados pela própria CPAD, para perceber como os pastores brasileiros pressionaram os suecos  em 1930 e exigiram uma maior participação nas decisões dentro da denominação. O risco de um cisma ficou tão evidente, que Vingren foi buscar Lewis Petrus para mediar a primeira Convenção Geral.

No livro História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil é relatado um intenso debate ocorrido em 1947 entre as lideranças sobre a “superioridade dos missionários”. Nessa convenção ficaram evidentes as tensões entre os pastores nacionais e os suecos, pois as questões debatidas foram justamente sobre a liderança e pastorado dos escandinavos nas igrejas brasileiras. O desconforto e ressentimentos são visíveis em cada colocação de ambos os lados.

Em toda a sua história, fica também evidente que a formação de ministérios e convenções da Assembleia de Deus, teve origem no nacionalismo de certos líderes, que procuravam distinguir suas igrejas das dos suecos por serem elas conduzidas por pastores nacionais. Paulo Macalão e Ministério de Madureira é o caso mais conhecido.

Porém, a evidência histórica que desmonta a excessiva valorização do mito sueco no meio assembleiano é o caso de Gunnar Vingren. Como bem observou em entrevista o sociólogo Gedeon Alencar, Vingren hoje é laureado como herói, mas foi voto vencido em todos os seus projetos (principalmente na questão do ministério feminino na igreja).

É realmente uma ironia da história que hoje os suecos sejam aclamados, celebrados e relembrados para se manter a união dos ministérios (como disse Chauí sobre o mito fundador: é o passado que não cessa, é o vínculo), mas anteriormente eles foram a causa do início da fragmentação denominacional.

É lógico que a formação dos primeiros líderes se deve a esses homens. Até hoje a denominação carrega suas marcas. Porém na proximidade do centenário, com sua evidente e escandalosa fragmentação, a liderança procura de alguma forma “resgatar” símbolos, ícones e heróis para que - ainda que precariamente - manter uma unidade e legitimar sua liderança, a qual vive em processo de antropofagia.

Somente uma breve e irônica observação: se fosse escolher um símbolo, escolheria a Torre de Babel para representar as Assembleias de Deus no Brasil.


Fonte:

CHAUI, Marilena. Brasil: mito fundador e sociedade autoritária. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2000.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

FRESTON, Paul. Breve História do Pentecostalismo. In: ____. Nem anjos nem demônios; interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.


Postado por Mario Sérgio de Santana no Blog Memórias das Assembleias de Deus.


AS IMAGENS DA NECROPSIA DE CRISTIANO ARAÚJO


No ano de 2009, quando eu estava no Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos da Polícia Militar da Bahia, fui fazer uma visita, juntamente com alguns colegas de turma, ao Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, em Salvador, a fim de assistir uma necropsia. Tal visita foi agendada pela então Tenente PM Érica, Instrutora da disciplina Primeiros Socorros e Urgências.

Antes de irmos para a sala onde estavam sendo realizadas algumas necropsias, tivemos uma palestra com o Diretor do IML Nina Rodrigues. Já nessa palestra pude perceber a organização e o respeito que os profissionais daquela Instituição têm pelos corpos das pessoas já falecidas. É um código de ética rigorosamente respeitado e obedecido. 

Quando entramos na sala destinada à realização de necropsias, me deparei com seis corpos de bandidos que haviam sido mortos em um combate entre quadrilhas. A postura dos médicos legistas e dos auxiliares de necropsia era de um profissionalismo irrepreensível. Mesmo sendo corpos de bandidos, o respeito era evidente. Vale salientar que fomos orientados, antes de entrarmos na sala, a não usarmos câmeras fotográficas e nem filmadoras. 

Com a experiência acima relatada, fiquei chocado e indignado com o vídeo que vazou na Internet com a suposta necropsia do corpo do cantor Cristiano Araújo. Percebi, de imediato, que aquele procedimento não era o de uma necropsia. De qualquer forma, a pessoa que filmou e divulgou as imagens do corpo do jovem cantor agiu de forma criminosa,  desrespeitosa, repugnante e desprezível.

Quanto ao fato, o site de notícias G1 noticiou o seguite: "Ao G1, o médico legista Peterson Freitas Moreira, diretor clínico do Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia, disse que os registros não foram feitos dentro do órgão. Ele, inclusive, disse estar "indignado" com a situação.

'Isso é um absurdo. Ficamos sabendo do vazamento há poucas horas. O vídeo não foi feito aqui. Os dois funcionários que aparecem não trabalham no IML. Além disso, no caso das fotos, não somos nós quem vestimos os corpos', enfatizou.

O médico explicou ainda que, no caso do sertanejo, foi necessário analisar o corpo, mas nenhum órgão foi retirado. Ele revela que participou da necropsia de Cristiano com mais dois profissionais e que nenhum estava com celulares. Além disso, um policial fazia a segurança da sala."

Na verdade, as imagens que foram divulgadas de forma irresponsável não mostram a necropsia realizada em Cristiano Araújo, mas a preparação do corpo para velório e sepultamento, procedimento denominado tanatoestética. Os responsáveis por tamanha crueldade e falta de respeito foram exonerados das suas funções, demitidos da clínica onde trabalhavam, e responderão criminalmente pelo ato no mínimo insano.

O cantor goiano Cristiano Araújo, de 29 anos, e a namorada, Allana Moares, de 19, morreram na manhã do dia 24 de junho, vítimas de um acidente de carro ocorrido no km 614 da BR-153, entre Morrinhos e o trevo de Pontalina, em Goiás. 

Manifesto aqui o meu profundo sentimento de pesar às famílias do cantor Cristiano Araújo e de sua jovem namorada, Allana Moraes. Que Deus conforte a todos, nesse momento de dor e tristeza. 


Pastor Hafner
Lausanne - Suíça

PASTOR PAULO MACALÃO E O POLÍTICO "ESQUERDISTA"

Macalão e Café Filho: aproximação inusitada

Paulo Leivas Macalão foi sem dúvida um grande pioneiro nas Assembleias de Deus no Brasil. Evangelizou os subúrbios do Rio de Janeiro, expandiu e consolidou seu ministério em várias cidades e regiões do país. Tornou-se um personagem mítico ainda antes da sua morte em agosto de 1982. Quando seu nome é pronunciado, a lembrança que vem para muitos é do seu conservadorismo em relação a usos e costumes e  de suas composições e versões para o hinário das Assembleias de Deus, a Harpa Cristã.

Mas, há uma outro lado não muito explorado pela historiografia oficial sobre Macalão: as relações do pioneiro com "gente graúda" da sociedade secular. Não é novidade que pastor Paulo era de família militar, e segundo o sociólogo Paul Freston ele "sempre cultivou vínculos" com os mesmos. Mas a foto dessa postagem revela um contato um pouco mais além do líder de Madureira com os "senhores" desse mundo.


CAFÉ FILHO
Nela, Macalão acompanhado de sua esposa Zélia Brito Macalão entre outros visita (ou recebe a visita), de João Augusto Fernandes Campos Café Filho, ou simplesmente Café Filho. Para quem não sabe, Café Filho assumiu a presidência da República em um momento dramático da história do país, quando Getúlio Vargas em meio a uma crise política suicidou-se em 24 de agosto de 1954. O político originário do Rio Grande do Norte havia sido eleito vice-presidente na chapa que alçou Vargas novamente a presidência do país pelo voto popular em 1950.

Não se sabe, porém, se a visita e a entrega da Bíblia ao proeminente político foi antes ou depois de sua ascensão ao cargo máximo da República brasileira. Pode ter sido o momento em que, o conhecido líder da AD em Madureira convidou Café Filho para desatar a fita simbólica na inauguração do templo sede de Madureira no dia 1º de maio de 1953. O então vice-presidente não compareceu às celebrações, mas enviou para essa honrosa tarefa o coronel Sérgio Marinho.

Há um outro detalhe que não pode ser ignorado. Café Filho, ao assumir a presidência com o suicídio de Vargas, tornou-se o primeiro presidente de filiação protestante do Brasil. O político potiguar havia sido criado em uma Igreja Presbiteriana, mas ao contrário de muitos dos seus irmãos de fé, posicionava-se de forma polêmica em alguns assuntos que até hoje considerados caros para os evangélicos.

Segundo o biógrafo de Getúlio, o jornalista Lira Neto, Café Filho chegou a vice-presidência através de uma imposição do governador Ademar de Barros ao político gaúcho, como condição para apoiá-lo no Estado de São Paulo. Lira Neto ainda informa que o vice de Vargas era bem "avaliado pela imprensa" e considerado "como um dos melhores e mais atuantes parlamentares daquela legislatura". Entretanto, seu nome não agradava aos militares, pois era visto como um "político de tendências esquerdistas" e "possuía histórico suspeito pelos senhores da caserna".

O motivo? O político presbiteriano denunciara o golpe do Estado Novo 1937 (feito pelo próprio Getúlio com ajuda dos militares), e defendeu o Partido Comunista do Brasil e seus parlamentares quando os mesmos tiveram seus mandatos extintos em 1948. Ainda segundo Lira Neto: "Como não bastasse, (Café Filho) era evangélico e defensor do divórcio, o que o deixava mal com a Igreja".

"Nenhum católico poderá votar no Sr. Café Filho". Essa foi a determinação da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro, atendendo ao parecer da Liga Eleitoral Católica (LEC), uma organização civil-religiosa que "se arrogava o direito de vetar e aprovar candidatos". A liga, além de recomendar os eleitores católicos a não votar no deputado potiguar, ainda moveu uma grande campanha contra ele, com o objetivo claro de atingir Getúlio. 

Diante de tal quadro político-eclesiástico, a simpatia do pastor pentecostal Paulo Leivas Macalão por Café Filho, o qual era considerado persona non grata para grande parte dos militares, católicos e evangélicos é algo inusitado. E como essa possível aproximação com um político evangélico, que defendia o divórcio e os "terríveis" comunistas foi recebida por seus companheiros de ministério?

Até onde se sabe, pastor Paulo não foi excluído por isso, nem chamado de herege, ou taxado de comunista como seria nos dias de hoje. Mas suas ligações com políticos controversos lhe cobrariam um preço. Mas isso é outra história. Aguarde!


Fontes:


ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

FERREIRA, Samuel (org.) Ministério de Madureira em São Paulo fundação e expansão 1938-2011. Centenários de Glórias. Cem anos fazendo história 1911-2011 s.n.t.

FRESTON, Paul. Breve História do Pentecostalismo. In: ANTONIAZZI, Alberto. Nem anjos nem demônios; interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis: Vozes, 1994.

NETO, Lira. Getúlio: Da volta pela consagração popular ao suicídio (1945-1954). São Paulo: Companhia das Letras, 2014.


Postado por Mario Sérgio de Santana no Blog Memórias das Assembleias de Deus.



Coordonnateur Général de l'ONG "S.O.S. Mangroves" en Suisse

JEAN-MARIE BES
Pensez à un Suisse qui aime le Brésil et la nature. Ainsi est le nouveau Coordonnateur Général de l'ONG "S.O.S. Mangroves et Vies Aquatiques" en Suisse, Jean-Marie BES.

Jean-Marie Bes vit depuis quelques années au Brésil, plus précisément dans le sud de Bahia. Il est passionné par notre pays, par Bahia, par la forêt atlantique, par les mangroves, enfin par la nature en général. A part cela, Jean-Marie est un infatigable défenseur des causes sociales. Jean-Marie Bes s'intègre parfaitement dans le profil de l'ONG "S.O.S. Mangroves et Vies Aquatiques» et s'est complètement identifié avec les objectifs de l'organisation. Il a déjà entrepris quelques travaux orientés vers des questions environnementales, traités lors de ses voyages entre le Brésil et la Suisse. Nous en parlerons dans une prochaine publication.

Après quelques séances, le fondateur et président de l'ONG "S.O.S. Mangroves et Vies Aquatiques" Valerio HAFNER do Nascimento, en utilisant ses pouvoirs, a nommé en Suisse Jean-Marie BES afin d'assumer le poste de coordonnateur général de l'ONG Suisse.

Bienvenue, JEAN-MARIE BES!

"S.O.S. Mangroves et Vie Aquatique" est une société civile à but non lucratif qui a comme objectifs prioritaires la défense, la préservation et la restauration des mangroves, sources, rivières, ruisseaux, chutes d'eau, cascades, bassins, aquifères, eaux souterraines, lacs, lagons, baies, criques, plages, îles, îlots, atolls, récifs, marsouins, dauphins, baleines, tortues, poissons, coquillages, crustacés et toutes les espèces de la vie qui vivent dans l'eau et/ou de ses ayants droit à vivre ainsi que de la défense, de préservation et de restauration de la forêt Atlantique au sud de Bahia, avec tous ses écosystèmes et biodiversité. Sachant qu'il ne peut y avoir aucun développement durable s'il y a une justice sociale, l'ONG "S.O.S. Mangroves et Vies Aquatiques" lutte aussi pour la garantie des droits sociaux, y compris les projets tourné vers le développement social dans le sud et l´extrême sud de Bahia, visant à la qualité de vie et l'utilisation rationnelle des ressources naturelles (principalement de l'eau). Le siège de la "S.O.S. Mangroves et Vie Aquatique" est installé à 51 Km de l'autoroute de BA-001, direction de Ilhéus à Una, Rio da Serra, Una-Bahia.


Pour en savoir plus sur les domaines d'expertise de l'ONG "S.O.S. Mangroves et Vie Aquatique" CLIQUEZ ICI.

sábado, 27 de junho de 2015

NOVO COORDENADOR DA ONG "S.O.S. MANGUES" NA SUÍÇA

Vevey (Suíça), cidade onde nasceu JEAN-MARIE BES e onde fica a Sede da Nestlè.

O suíço JEAN-MARIE BES foi nomeado para assumir o cargo de Coordenador Geral da ONG "S.O.S. Mangues e Vidas Aquáticas" na Suíça. O ato foi anunciado no Blog da Organização (clique aqui para ver). 

Nascido em Vevey, Suíça, no dia 18 de junho de 1953, Jean-Marie Bes é um daqueles estrangeiros apaixonados pelo Brasil e por sua beleza natural. Morando no Sul da Bahia há alguns anos, o novo Coordenador Geral da ONG "S.O.S. Mangues e Vidas Aquáticas" na Suíça é um defensor do meio ambiente e das causas sociais. Ele já mantém alguns trabalhos voltados para questões socioambientais, dos quais trata em suas viagens entre o Brasil e a Suíça. 

JEAN-MARIE BES
Após algumas reuniões com o fundador e presidente da ONG "S.O.S. Mangues e Vidas Aquáticas", Jean-Marie Bes foi nomeado Coordenador Geral da Organização na Suíça por se identificar com os seus objetivos, que são: a defesa, preservação e restauração de manguezais, nascentes, rios, riachos, córregos, cachoeiras, cascatas, bacias hidrográficas, aquíferos, lençóis freáticos, lagos, lagoas, baías, enseadas, praias, ilhas, ilhotas, atóis, restingas, botos, golfinhos, baleias, tartarugas, peixes, mariscos, crustáceos e todas as espécies de vidas que vivem na água e/ou dela dependam para viver, assim como, defesa, preservação e restauração da Mata Atlântica do Sul e Extremo Sul da Bahia, com todo seu ecossistema e biodiversidade. Sabendo que não pode haver desenvolvimento sustentável se não houver justiça social, a ONG “S.O.S. Mangues e Vidas Aquáticas” também luta pela garantia dos direitos sociais, apresentando, inclusive, projetos voltados para o desenvolvimento social nas regiões Sul e Extremo Sul da Bahia, visando a qualidade de vida e o uso racional dos recursos da natureza (principalmente a água).

A Sede daS.O.S. Mangues e Vidas Aquáticasencontra-se instalada no Km 51 da Rodovia BA–001, trecho Ilhéus/Una, Rio da Serra, Una – Bahia. 

Para conhecer as áreas de atuação da ONG S.O.S. Mangues e Vidas Aquáticas  CLIQUE AQUI.


segunda-feira, 22 de junho de 2015

AS FILHAS DE ZELOFEADE


Wilma Rejane

Zelofeade era um pai da tribo de Manasses, a menor tribo de Israel, numericamente falando. No livro de Números capitulo 27 ele é citado por suas cinco filhas: Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza. Estas procuraram Moisés para reivindicarem o direito a herança: Zelofeate havia morrido no deserto de Moabe e segundo a lei daquela época filhas mulheres não tinham direito a herança.

“Nosso pai morreu no deserto, e não estava entre os que se congregaram contra o Senhor no grupo de Coré; mas morreu no seu próprio pecado, e não teve filhos. Por que se tiraria o nome de nosso pai do meio da sua família, porquanto não teve filhos? Dá-nos possessão entre os irmãos de nosso pai. ” Números 27: 3,4.

Primeiramente e antes de tudo digo que este artigo não tem objetivos feministas de aludir à causa de igualdades de direitos mediante gêneros masculino e feminino. Também não tem por objetivo combater o sistema patriarcal do Oriente na antiguidade. O que se pretende enfatizar aqui é a providência Divina atuando frente as desigualdades sociais que existem desde sempre em qualquer tempo e lugar. As filhas de Zelofeate são representantes de uma transformação social ímpar, consequência de uma cooperação familiar necessária. São um exemplo de fé porque ousaram se apresentar diante de um tribunal constituído por Deus a fim de serem auxiliadas.


As cinco filhas de Zelofeade estavam em luto,angustiadas, mediante a perda do pai e a incerteza do futuro. Elas eram descendentes de José do Egito, sobre elas repousava a promessa de Deus de herdar a terra prometida de Canaã. Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza eram conhecedoras da fé dos antepassados e da relação tão próxima de Deus com seus pais.

Genealogia das filhas de Zelofeade:

-José
-Manassés
-Maquir
-Galaad
-Héfer
-Zelofeade
-Filhas de Zelofeade.

Estas cinco mulheres se organizaram e compareceram diante dos sacerdotes em frente a tenda da congregação:


“E chegaram as filhas de Zelofeade, filho de Hefer, filho de Gileade, filho de Maquir, filho de Manassés, entre as famílias de Manassés, filho de José; e estes são os nomes delas; Maalá, Noa, Hogla, Milca, e Tirza;E apresentaram-se diante de Moisés, e diante de Eleazar, o sacerdote, e diante dos príncipes e de toda a congregação, à porta da tenda da congregação.” Números 27:1,2

Na porta da tenda elas ficaram de pé diante de Moisés e dos sacerdotes. Posição de oração, de espera, de reverência. É incrível a atitude delas, pois não recorreram a tribunais meramente humanos, não se acomodaram e nem temeram. A lei, instituída, tradicional, as excluía. Nunca antes na história daquela nação haviam feito uma reivindicação tão “descabida”. 

O que também é louvável no episódio das filhas de Zelofeade é o comportamento de Moisés e dos sacerdotes daquela congregação. Havia a possibilidade de eles expulsarem-nas, renegarem-nas  por infração a lei. Mas não, eles ouviram a causa atentamente e intercederam por elas:


“E Moisés levou a causa delas perante o Senhor. E falou o Senhor a Moisés, dizendo: As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pai; e a herança de seu pai farás passar a elas. ”Números 27:5-7

Deus respondeu a oração das filhas de Zelofeade concedendo-lhes herança entre os filhos de Israel.

Aqui esta uma maravilhosa lição ministerial de líderes intercedendo por pessoas aflitas, necessitadas. Aqui a graça e o amor de Deus atuando sobre as desigualdades sociais, quebrando paradigmas, superando a previsibilidade humana. Deus é o Governo sobre todos os governos terrenos.

As filhas de Zelofeade tinham uma causa “impossível” e foi buscando a justiça de Deus que conseguiram alcançar aquilo que só poderia ser alcançado mediante a fé. Entreguemos nossas causas a Deus, prostremo-nos diante de Seu tribunal a fim de sermos auxiliados.

A união familiar garantiu a herança. Elas tinham um objetivo comum, tinham tanto respeito e amor pelo pai que lutaram por preservar sua semente e memória. As filhas de Zelofeade são referenciais familiares para dias de crise. Elas não foram abatidas pela difícil situação, pelo contrário: se uniram a fim de se fortalecerem.  A oração e os laços de amor para com Deus e o próximo também podem nos garantir herança no Reino de Deus, na Canaã celestial.

Que assim seja,

Deus o abençoe.

***

BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Plenitude, Tradução João Ferreira de Almeida, São Paulo, Sociedade Bíblica do Brasil, 1995. Baseado no livro de Números, capitulo 27, Antigo Testamento.

Imagem Google.

Fonte: Clique aqui.

domingo, 21 de junho de 2015

CANTORA ENVIA CARTA DO INFERNO E DIZ QUE VAI REENCARNAR


Do site superpride
Está circulando na internet e que seria uma psicografia de um médium ditada pela cantora Cássia Eller, morta no dia 29 de dezembro de 2001, aos 39 anos, após sofrer quatro paradas cardíacas.
Wilson Pinto, presidente do Lar de Frei Luiz, conhecido centro espírita de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, teria confirmado que a suposta carta foi escrita no centro, e que já recebeu psicografias de Chorão e Cazuza. “Não é a primeira desse tipo que recebemos. Já recebemos do Chorão, do Cazuza… é verdadeira. O que não é de nosso costume é a divulgação dessas psicografias, é um assunto interno da casa, não deveria ter vazado”, disse Wilson ao jornal EXTRA.
A publicação fez uma boa cobertura sobre a possível carta psicografada de Cássia Eller, entrevistando a ex-companheira de Cássia, Maria Eugênia Martins, o diretor de marketing da Federação Espírita Brasileira, João Rabelo, a mãe do cantor Cazuza, e o presidente da Rádio Rio de Janeiro Espírita, Gerson Monteiro.
Confira a carta na íntegra:
"Se eu disser para vocês que o inferno existe, acreditem, pois eu estava mergulhada nele, de corpo e alma, num espaço sombrio e frio, bem interno do ser, dos pés à cabeça, sem tempo, sem luz, nem descanso e afogava-me, a cada segundo, num oceano de matéria viscosa que roubava até minha ilusória alegria… Naquele lugar não havia luz, somente nuvens cinza e chuvas com raios e trovões, gritos estridentes e desesperados, gemidos surdos, pedidos de socorro, lágrimas, desalento, tristeza e revolta…
Preciso descrever mais as cenas dantescas de animais que nos mastigavam e, em seguida, nos devoravam sem consumir nossos corpos; se é que posso dizer que aquilo, que sobrou de mim, era um corpo humano. Queria fugir para bem longe dali, mas tudo em vão, quanto mais me debatia no fluido grudento, mais me afundava e, quando alcançava, de novo, a superfície apavorante, mãos e garras afiadas faziam-me submergir naquele líquido pastoso e mal cheiroso.
Dragões lançavam chamas de suas bocas sujas e nos queimavam, machucando e estilhaçando a pouca consciência que me restava da lembrança de minha estada no corpo físico, neste planeta azul. Guardiões das trevas olhavam atentos seus presos e vigiavam todos os movimentos realizados naquele imenso espaço de sofrimentos, dores, lamentos, depressões, angústias e arrependimentos tardios… O ar era ácido e provocava convulsões diversas.
Perguntava-me porque ali estava se nada fizera por merecer tão infeliz destino, depois de ser expulsa do corpo de carne através do uso maciço de drogas. A dúvida assaltava-me os raros momentos de raciocínio menos desequilibrado e as crises de abstinência trancavam todas as portas que dariam acesso à saída daquele campo de penitência de espíritos rebeldes e viciados com eu.
Os filmes de horror que assisti, quando encarnada, estariam ainda muito distantes dos padecimentos, pânicos, pavores e temores que ficariam para sempre registrados na minha memória mental, os piores dias que vivi até hoje, como joguete e marionete de forças que me escravizavam o ser, debilitado, fraco, desprovido de energias, suja, carente e chorosa.
Não me lembrava do que acontecera comigo… Quando o medo é maior que as necessidades básicas, a mente fica encarcerada num labirinto hipnótico e ‘torporizante’ de emoções truncadas e desconectadas da realidade… Assemelha-se a um pesadelo sem fim, sempre com final trágico e apavorante. Quando conseguia conciliar um pequeno tempo de sono; era imediatamente desperta por seres que me insultavam e xingavam, acusavam-me de suicida maldita e jogavam-me lama misturada com pedras… Insetos e anfíbios ajudavam a traçar o perfil horrendo dos anos que passei no umbral. Preciso escrever estas palavras para nunca mais me esquecer: ‘Com o fenômeno da morte, nós não vamos para o umbral, nós já estamos no umbral quando tentamos forjar as leis maiores da criação com nossas más intenções e tendências viciantes’.
Tudo fica registrado num diário mental que traça nosso destino futuro, no bem ou no mal. O umbral não fora criado por Deus; ele é de autoria dos espíritos que necessitam de um autêntico e genuíno estágio educativo em zonas inferiores, onde poderão se depurar de suas construções aleijadas no campo dos sentimentos e dos pensamentos disformes, mal estruturados e mal conduzidos por nossa irresponsabilidade, de mãos dadas com a imensa ignorância que nos faz seres infelizes e distantes da tão sonhada paz de consciência.
Após alguns anos umbralinos, despertei numa tarde serena, num campo verdejante e calmo. Não acreditava no que via, pois tudo, agora, parecia um sonho… Percebi, ao longe, o canto de uma ave que insistia em acordar-me daquele pesadelo no qual já me acostumava a viver; a morrer todos os dias… Seu canto era uma música que apaziguava meu coração e aguçava meus pensamentos na lembrança de como fui parar ali naquele campo gramado e repleto de árvores. Consegui sentar-me na relva e ao olhar todo aquele espaço natural, deparei-me com milhares de outros seres como eu, nas mesmas condições de debilidade moral, usufruindo, agora, de um bem que não merecia, mas vivia! Todos nós dormíamos e fomos despertos com música e preces em favor de todos os presentes…
A maioria era de jovens e adultos, poucos idosos e centenas de enfermeiros que olhavam atentos para nossos movimentos no gramado. Com seus olhos serenos, projetavam em nós a mansidão e a paz tão esperadas por nossos corações enfermos, débeis e carentes de atenção, de afeto e carinho.
Alguém me tocava, de leve, os ombros e chamava-me pelo nome, como se me conhecesse há muito tempo. Eu identifiquei aquela voz e ‘temia’ olhar para trás e confirmar minha impressão auditiva, era Cazuza todo de branco, como lindo enfermeiro, de cabelos cortados bem curtos e estendia suas mãos para que eu levantasse, caminhasse e conversasse um pouco em sua companhia. Não consegui me levantar, porque uma enxurrada de lágrimas vertia dos meus olhos, como nascente de rio descendo a montanha das dores que trazia no peito. Meu ídolo ali estava resgatando e cuidando de sua fã, debilitada e muito carente. Ele cantou pequena canção e tive a capacidade de avaliar o que Deus havia reservado para aqueles que feriam suas leis e buscavam consolo entre erros escabrosos e desconcertantes.
A misericórdia divina sempre conspira a nosso favor, nós desdenhamos do amor divino com nossas desatenções e desequilíbrios das emoções comprometedoras, que arranham e esmagam as mais puras sementes depositadas no ser imortal. Aprendi palavras boas! Somente agora enxergo que sou espírito e que a vida continua e precisa seguir o curso natural das existências, como na roda-gigante: hora estamos aqui no alto; hora estamos aí embaixo encarnados. Daqui de cima, parece ser mais fácil compreender porque temos de respeitar as leis e descer num corpo físico para, igualmente, quando aí estivermos, conquistarmos, pelo trabalho no bem, a lucidez que explica porque há a reencarnação, filha da justiça divina.
Após um tempo no campo reconfortante, fui reconduzida para um hospital onde me recupero até hoje dos traumas e cicatrizes que criei no corpo do perispírito. As lesões que provoquei foram muito graves, passei por várias cirurgias espirituais e soube que minha próxima encarnação será dolorosa e expiarei asma, deficiência mental e tuberculose. Mesmo assim, estou reunindo forças para estudar, pois sempre guardamos, no inconsciente, todos os aprendizados conquistados. Reencarnarei numa comunidade carente no interior do Brasil e passarei por muitos reveses, para despertar em mim o valor da vida do espírito na pobreza e na doença crônica. Peço orações e a caridade dos corações que já sabem o que fazem e para onde desejam chegar. Invistam suas forças e energias espirituais em trabalhos de auxílio ao próximo e serão, naturalmente, felizes. Obrigada por me aceitarem como necessitada que sou!" (Até aqui o site superpride).
Nota: O Espiritismo é um dos enganos de Satanás. Nessa carta - que foi apresentada como sendo de autoria da falecida cantora Cássia Eller - há pouquíssimas verdades misturadas a uma grande quantidade de mentiras e enganos. Dentre as poucas verdades está a incontestável afirmação de que o inferno existe. Quanto a autoria da carta, posso citar duas possibilidades: 1) Alguém querendo atrair os holofotes da mídia a escreveu, buscando notoriedade e, por tabela, sucesso e dinheiro; 2) É de origem demoníaca, a fim de atrair pessoas para uma seita maligna e, inclusive, manter aquelas que a ela já estão acorrentadas. Eu creio mais na segunda possibilidade, embora não descarte completamente a primeira. Sim, a doutrina da reencarnação é de origem satânica. Esses ditos mediadores entre os vivos e os mortos deveriam respeitar as famílias das pessoas que já morreram, não abusando dos seus sentimentos e explorando as suas esperanças. A Bíblia possui muitos argumentos que refutam a doutrina espírita, e não são poucos os estudos apologéticos que apresentam os enganos malignos do Espiritismo. 
Além da reencarnação não existir, é impossível haver comunicação entre vivos e mortos, tendo em vista que Deus não permite essa possibilidade. Em Deuteronômio 18, Deus proíbe a consulta aos mortos. Confira: "Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos, pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de dinte de ti" (Dt 18.10-12). Em Isaías 8.19, lê-se: 'Não recorrerá um povo ao seu Deus? A favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos?".
"Reencarnarei numa comunidade carente no interior do Brasil e passarei por muitos reveses, para despertar em mim o valor da vida do espírito na pobreza e na doença crônica". Pode ter certeza que não foi a Cássia Eller que disse isso. E não duvide que vai aparecer alguém com uma criança nascida numa comunidade carente de um interior qualquer do Brasil, portadora de doença crônica, afirmando ser ela a reencarnação da Cássia Eller.

Pastor Hafner (Lausanne - Suíça)

PASTOR LAVA OS PÉS DE "MÃE DE SANTO"


O bispo Hermes Fernandes, da Igreja Reina, participou de um documentário gravado pela Rede Globo onde ele lava os pés de pessoas que sofrem preconceito por parte da igreja evangélica e também por parte da sociedade.

Os convidados para participarem dessa cerimônia foram uma travesti, uma mãe de santo, uma portadora de necessidades especiais, um homem negro, uma mulher boliviana, um sociólogo ateu e uma bióloga.

Em seu blog o bispo relatou que teve a ideia de lavar os pés dessas pessoas para “resgatar a mensagem central do evangelho: o amor. Em seu entendimento essas pessoas precisam entender que elas são amadas. “Pus-me de joelhos e com uma bacia cheia d’água, comecei a lavar e beijar seus pés, rogando que nos perdoassem por toda a discriminação sofrida”, relatou.

Segundo o bispo os fiéis que participaram do culto na manhã do dia 12 de junho se emocionaram. “Na plateia, lágrimas. A presença de Deus era nítida entre nós. Era como se o abismo profundo que nos separava fosse finalmente transposto”.

Mas apesar da emoção de quem assistiu ao culto, quando o fato foi transmitido pela internet o bispo Hermes Fernandes foi bastante criticado. Entre as críticas estão os textos dos pastores Ciro Zibordi e Renato Vargens que encontraram um erro teológico no ato de lavar os pés.

Zibordi escreveu que a atitude do bispo da Igreja Reina não está de acordo com a Bíblia, pois Jesus lavou apenas os pés dos seus discípulos. “A bem da verdade, o Senhor Jesus não saiu pelo mundo lavando os pés de todos os tipos de pecadores para demonstrar que os amava. Ele só lavou os pés de pessoas em uma única ocasião”, disse.

O pastor da Assembleia de Deus fez questão de frisar que Jesus não quis instituir o culto do lava pés, mas que o pastor que quiser seguir seu ato que o faça, desde que seja para larvar os pés de seus discípulos.

Zibordi também questiona qual é o tipo de evangelho que o bispo estaria pregando. “No texto que li, alhures, sugere-se que os evangélicos são preconceituosos e não amam os pecadores quando pregam contra o pecado. 

Entretanto, agradar os pecadores, apresentando-lhes uma mensagem ecumênica, é mesmo uma demonstração de amor, à luz do que ensinou o Mestre dos mestres? Penso que não, pois os evangélicos que se prezam — à semelhança do Senhor Jesus — devem pregar os que os pecadores precisam ouvir, o autêntico Evangelho, e não um evangelho pragmático, isto é, o que os pecadores querem ouvir.”

Renato Vargens, da Igreja Cristã da Aliança, listou cinco razões que o fazem discordar da atitude do bispo Fernandes, concordando com Zibordi quando ele fala sobre lavar os pés apenas de discípulos e sobre a pregação de uma evangelho ecumênico.

“Pregar o evangelho é anunciar a verdade que o homem independente da nacionalidade, sexo, cor e raça é pecador, e que em virtude disso está condenado ao inferno, a não que Cristo o salve do engano dando-lhe vida Eterna. 

Ao lavar os pés de pessoas de fé e percepções diferentes, Hermes, relativizou a mensagem do Evangelho proclamando um cristianismo politicamente correto, bem como desprovido das verdades como a necessidade do homem arrepender-se de seus pecados.”


Fonte: GospelPrime

sábado, 20 de junho de 2015

A POLÊMICA DO CALVINISMO NA ASSEMBLEIA DE DEUS


As recentes discussões na internet de pastores assembleianos sobre a teologia arminiana e calvinista, têm gerado algumas polêmicas, principalmente após o conhecido pastor e escritor Geremias do Couto posicionar-se como "calvinista convicto".

Porém, na década de 1930, as Assembleias de Deus já haviam se deparado com essa problemática. Segundo consta em sua história, no ano de 1932, Manoel Hygino de Souza, pastor da Assembleia de Deus em Mossoró (RN) aderiu a "predestinação calvinista", sendo acompanhado por Ursulino Costa. Tempos depois, seu irmão Luiz Hygino também se incorporou ao grupo. A Convenção Geral chegou a enviar uma comissão de obreiros para tratar do caso, mas sem sucesso, pois Manoel Hygino afirmou manter integralmente seu ponto de vista teológico. Segundo a história oficial, uma vez excluídos, os "rebeldes" iniciaram em Mossoró a Assembleia de Cristo (atualmente Igreja de Cristo).

Entretanto, outra é a versão apresentada para o desentendimento dos obreiros por um site da Igreja de Cristo. Segundo os membros do grupo dissidente teria sido uma "divergência doutrinária" entre Gunnar Vingren e Samuel Nyströn a respeito da salvação, o real motivo desencadeador das discussões soteriológicas. Em continuação, se afirma que a CGADB em Natal (RN) em 1930 foi o "primeiro passo histórico, que evidenciou a divergência doutrinária existente". Divergência essa comprovada pelo fato de Vingren no Rio de Janeiro criar o jornal Som Alegre e o hinário Saltério Pentecostal.

Contornados os problemas entre Vingren e Nyströn - segundo essa versão - as contradições teológicas ainda continuaram no Mensageiro da Paz com textos que, ora defendiam a segurança da salvação através da fé, ora colocavam em dúvida essa mesma salvação. Um exemplo citado é um texto do missionário Nils Kastberg, onde o mesmo dá a entender que a salvação estaria condicionada ao dízimo. Hinos também são citados como fonte de confusão doutrinárias, causando "um grande choque entre os irmãos que pediram uma explicação".

Temerosos de errar na doutrina da "segurança e salvação eterna do crente genuíno", os irmãos elegeram Manoel Hygino como mediador, o qual em carta enviada ao missionário Kastberg, sugere uma convenção para tratar do assunto. Mas a resposta, além de demorada foi negativa. Na missiva, Nils Kastberg teria escrito que estava "de acordo com os ensinos da salvação condicional, e quem estivesse aborrecido que saíssem para onde quisessem...”.

Como não poderia deixar de ser "diante desse impasse, e por não ter outra alternativa, todos os líderes acima mencionados devolveram voluntariamente suas credenciais de Obreiros à liderança da Assembleia de Deus, respectivamente de Pastores, Presbíteros e Evangelistas". No dia 13 de dezembro de 1932, o grupo dissidente fundou a Assembleia de Cristo em Mossoró.

Toda essa história evidentemente se choca com os relatos oficiais da CPAD. A versão, um tanto inusitada dessa questão, foi dada pelo Pastor João Vivente de Queiroz, o qual foi pastor da Igreja de Cristo em Fortaleza de 1946 a 1997. O depoimento coletado por David Marroque Teixeira foi publicado no Boletim Informativo da Região Oeste-RN., nº 09 de fevereiro de 1985.

Segundo os estudiosos das Assembleias de Deus no Brasil, a CGADB de 1930 tratou principalmente da questão do ministério feminino, o qual foi o grande desentendimento entre Vingren, Nyströn e os obreiros brasileiros. Mas é certo que Gunnar no Rio de Janeiro estava dando outros rumos para a igreja carioca, fato esse que estava desagradando os demais líderes da Assembleia de Deus.

Mas também é fato que muitos dos primeiros crentes da Assembleia de Deus tinham origem em igrejas evangélicas tradicionais como a Presbiteriana, conhecida por defender a doutrina calvinista. Manoel Hygino, além de ser pioneiro na região norte e nordeste, era também muito próximo a Gunnar Vingren no início do seu ministério, e, como os outros líderes, era experiente na liderança ministerial. Sua adesão ao calvinismo causou surpresas.

Agora, após sete décadas da questão calvinista na 
Assembleia de Deus, o tema ressurge com força nas redes sociais e blogs. O assunto talvez nunca tenha desaparecido, mas simplesmente abafado pelos principais pastores e expoentes das Assembleias de Deus. Em tempos de internet, aquilo que no passado era "tratado e resolvido", agora é fonte de debates abertos entre os estudiosos dos temas soteriológicos. Um bom debate com certeza.


Fontes:

  • ALENCAR, Gedeon Freire de. Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus 1911-2011. Rio de Janeiro: Novos Diálogos, 2013.
  • ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
  • DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
  • www.genibau.com.br/principal/nossa_historia_nacional.htm