domingo, 25 de janeiro de 2015

Libertação para os tolos



Tolos. Se você conhece algum, vai entender perfeitamente a razão pela qual considero a persuasão lógica e racional uma péssima estratégia no diálogo com eles. O motivo é bem simples: o tolo é, por natureza, prisioneiro de si mesmo — tão prisioneiro que a sua voz é a única coisa que ele consegue escutar enquanto o outro fala. Por isso, não perca o seu tempo tentando explicar para um tolo o que você está dizendo. Não adianta. A capacidade de ouvir, esforçando-se para entender o outro, não é um hábito cultivado por ele. Salomão tinha razão quando disse que “o tolo não tem prazer no entendimento, mas sim em expor os seus pensamentos” (Pv 18.2).

O que mais me espanta é constatar que tamanha insensibilidade não é resultado de um distúrbio no aparelho auditivo (antes fosse!), mas sim de um fascínio exagerado que o tolo tem por si mesmo. Quem dera esse fascínio fosse uma resposta positiva ao célebre imperativo do “conhece-te a ti mesmo!" Infelizmente não é esse o caso. Tal fascínio não passa de egolatria. Assim como Narciso, o tolo não busca entendimento, mas autoabsorção, ou seja, ele não quer entender, quer, na verdade, admirar a si mesmo. Por isso, não vale a pena esperar do tolo a autocrítica. Ele é demasiado narcisista. Não está acostumado a refletir seriamente sobre suas ideias.

O tolo não se interessa pelo entendimento, pois sabe que essa tarefa exige certa desconfiança de si mesmo. A autodesconfiança é um ato de humildade. É acima de tudo a capacidade de pensar sobre nós mesmos, sobre nossas próprias ideias, confrontando-as e suspeitando de que elas não são tão nossas como parecem ser. Falta ao tolo justamente esse gesto de humildade, pois carece do entendimento de que suas ideias não são tão originais como aparentam ser.

Entretanto, falta ao tolo não apenas o entendimento daqueles que desconfiam de si mesmos, mas também o rigor daqueles que corrigem suas opiniões principalmente quando elas não condizem com a verdade. A propósito, a falta de entendimento e de rigor autocrítico são os dois sinais mais visíveis de que a condição do tolo não poderia ser outra senão a de um aprisionamento. Afinal, quem não é capaz de ponderar, de inquirir a si mesmo e de corrigir seus equívocos jamais será livre o suficiente para enxergar o mundo à sua volta. Mas, antes de falarmos mais detidamente a respeito do aprisionamento do tolo, é necessário desfazer o equívoco que poderia induzir alguém a confundir tolice com limitação intelectual.

Tolice e limitação intelectual

Antes de mais nada, é bom esclarecer que não estou chamando de tolo aquele que não tem estudo nem formação intelectual, mesmo porque não acredito que os intelectuais sejam imunes a tolices e nem tampouco que os poucos instruídos não possam ser sábios. Aqueles que conseguem alcançar o cume da inteligência também podem atingir o cúmulo da tolice. Por exemplo, existem pessoas que são dotadas de uma inteligência arguta, que sacam bem as coisas, com rapidez e sagacidade impressionantes, mas mesmo assim são tolas. Um caso concreto é o do filósofo alemão Martin Heidegger, que, apesar de possuir uma incontestável habilidade lógica e filosófica, ingressou no Partido Nacional Socialista e defendeu com veemência as ideias divulgadas pela propaganda nazista.

Em contrapartida, existem pessoas que são muito lentas quando pensam, mas são tudo menos tolas. Lutero, por exemplo, vivia reclamando pelos cantos da Universidade de Erfurt, na Alemanha, de que ele jamais poderia ser um teólogo de verdade porque se considerava lento demais para a filosofia e para o raciocínio lógico; e, diga-se de passagem, muitos seguidores de Philipp Melanchthon concordariam com Lutero. Mas foi esse teólogo pouco afeito à lógica e à filosofia o responsável por uma das mais importantes transformações ocorridas na igreja no alvorecer do século XVI. Tolice, portanto, não é sinônimo de limitação intelectual.

No entanto, não é suficiente desfazer o equívoco que leva alguém a confundir tolice com limitação intelectual. É preciso ir mais longe e dizer que a tolice não representa a fraqueza de alguns. Pelo contrário, ela é universal, é uma fraqueza inerente a todos os seres humanos. Todos os homens são, por natureza, tolos. A questão, portanto, não é saber como um homem se torna tolo, mas sim como pode deixar de sê-lo.

Na ocasião em que foi preso pelos agentes da Gestapo, o teólogo luterano Dietrich Bonhoeffer escreveu inúmeras cartas, as famosas “cartas da prisão”. Numa delas, ele disse que “somente um ato de libertação poderia vencer a tolice; um ato de instrução ou argumentação lógica nada pode fazer para convencer o tolo de sua tolice. Antes de tudo, o tolo precisa de uma libertação interior autêntica, e enquanto isso não ocorre temos de desistir de todas as tentativas de persuadi-lo”1.  Por isso, insistimos que não adianta discutir com o tolo. Enquanto ele não for liberto de si mesmo, qualquer palavra que for dirigida contra a sua tolice será como uma pérola lançada aos porcos.

O tolo e as sombras da caverna

A ideia de que, para alcançar o entendimento, é necessária uma “libertação interior autêntica” é bem antiga e pode ser, de certa forma, encontrada no livro VII da República. Nele, Platão descreve Sócrates dizendo para o jovem Glauco que, para as pessoas alcançarem o entendimento, elas precisam ser primeiramente libertas. Para explicar melhor essa ideia, o filósofo contou um mito sobre seres humanos que, desde o seu nascimento, estão aprisionados em uma caverna subterrânea. Eles não sabem o que é o mundo fora da caverna. Suas pernas e seu pescoço estão algemados de tal sorte que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas na direção de uma parede ao fundo.

Atrás deles, na entrada da caverna, há um foco de luz que ilumina todo o ambiente. Entre esse foco de luz e os prisioneiros, há uma subida ao longo da qual foi erguida uma mureta. E para além dessa mureta, encontram-se homens que transportam estátuas que ultrapassam a altura da mureta. Eles carregam estátuas de todos os tipos: de seres humanos, de animais e de toda sorte de objetos. Por causa do foco de luz e da posição que ele ocupava, os prisioneiros são capazes de enxergar, na parede ao fundo, as sombras dessas estátuas, mas sem conseguirem ver as próprias estátuas, nem os homens que as carregam. Como nunca viram outra coisa além das sombras, os prisioneiros pensam que elas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que as sombras não passam de projeções das coisas, nem podem saber que as coisas projetadas são apenas estátuas carregadas por outros seres humanos.

O que aconteceria, pergunta Sócrates a Glauco, se alguém libertasse os prisioneiros? O que faria um prisioneiro se fosse liberto de suas algemas? Sem dúvida, olharia toda a caverna. Ao seu redor, veria os outros prisioneiros, a mureta às suas costas, as estátuas e a entrada da caverna. Seu corpo doeria a cada passo dado. Afinal de contas, ele ficou imóvel durante muitos anos. Não bastassem as dores do corpo, ao se dirigir à entrada da caverna ficaria momentaneamente cego, pois aquele foco de luz que clareava a caverna, na verdade, era o sol com todo o seu fulgor. Contudo, com o passar do tempo, já acostumado com a claridade, seria capaz de ver não só as estátuas, mas também os homens que as carregavam. Prosseguindo em seu caminho, passaria a enxergar as próprias coisas, descobrindo que, durante toda a sua vida, não contemplara nada, a não ser as sombras das estátuas projetadas no fundo da caverna.

Na condição de conhecedor desse “novo” mundo, o prisioneiro liberto regressaria ao velho mundo subterrâneo. Ao chegar, ele contaria aos outros prisioneiros o que viu. Sua missão seria libertá-los, pois é somente na condição de homem livre que alguém pode ser capaz de contemplar o mundo das coisas tais como elas são. O que mais poderia acontecer após esse retorno? Uma estranha reação. Ao voltar e contar o que viu, os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras, pois, para eles, o único mundo admissível é o mundo no fundo da caverna. No entanto, se o escravo liberto teimasse em afirmar o que viu e insistisse em convidá-los a sair da caverna, os prisioneiros das sombras o matariam. E foi assim que Sócrates concluiu o famoso “mito da caverna”.

Tolos são como os prisioneiros que tomam as sombras como se fossem as coisas mesmas. Veja bem, o problema não está nas sombras. Aparentemente não há nada de errado com elas. O problema está no prisioneiro que não consegue perceber que as sombras são apenas uma espécie de vestígio de algo que está muito além delas. Assim como os prisioneiros no fundo da caverna, o tolo não consegue perceber que ele e suas ideias ultrapassam a si mesmos.

Já aquele que deixou de ser tolo é como o prisioneiro que não mais se satisfaz com as sombras projetadas no fundo da caverna, mas que, impulsionado pela curiosidade e pelo desejo de contemplar as coisas mesmas, se dirige para o outro lado, o lado da origem de tudo o que acontece no fundo da caverna. Entretanto, isso só é possível se o tolo for liberto de sua tolice. Nesse aspecto, tanto o platonismo como o cristianismo são bastante parecidos. Ambos reconhecem que o conhecimento da verdade, que salva o homem da tolice, pressupõe libertação. Ou melhor, uma dupla libertação, pois uma coisa é a libertação para conhecer e outra bem diferente é o conhecimento que liberta.

Dupla libertação e inteligência humilhada

Pois bem, o tolo precisa de uma dupla libertação: a libertação que é resultado do próprio conhecimento da verdade e a libertação que é fruto do irrompimento de um poder que liberta o tolo para conhecer a verdade. Por exemplo, alguém que tenha uma venda nos olhos só poderá enxergar o que está acontecendo à sua volta se ela for primeiro retirada. Nesse caso, o ato de enxergar pressupõe o ato de remover a venda. De forma semelhante, a libertação pelo conhecimento pressupõe a libertação para o conhecimento.

A libertação pelo conhecimento é semelhante ao ato de enxergar; já a libertação para o conhecimento é semelhante ao ato de remover a venda. Assim como para enxergar é necessário que primeiro seja removida a venda, também é necessária a libertação para o conhecimento a fim de que haja libertaçãopelo conhecimento. Ora, quem ou o que é responsável pela libertação para o conhecimento? Que poder é esse que liberta o coração do tolo para o conhecimento da verdade? É exatamente na resposta a essas indagações que o platonismo e o cristianismo se distanciam, permanecendo ambos em lados diametralmente opostos e irreconciliáveis.

Para o platonismo, o poder que liberta o tolo reside no próprio homem. É o homem que se liberta. É o tolo que busca forças em si mesmo para se libertar da tolice. Em contrapartida, o cristianismo reconhece a completa insuficiência e a incapacidade de o tolo se libertar. Não há no tolo recursos disponíveis e suficientemente capazes de libertá-lo para o conhecimento da verdade.

Se o platônico busca em si mesmo a libertação da tolice é porque ele acredita que a mera autorreflexão o tornará livre para conhecer a verdade. E, nesse sentido, o platonismo ainda é refém da autoabsorção do tolo. Já o cristão, ao contrário, se humilha diante de um poder superior que irrompe no coração do tolo e o livra de seu maior pecado: a autorreferência. O cristão sabe que não adianta tentar persuadir aquele que é prisioneiro de si mesmo. Por experiência própria, o cristão reconhece que somente um poder infinitamente superior poderá convencer o tolo de sua tolice.

Há quem pense que Platão, por causa da condenação de Sócrates, tenha desacreditado a maiêutica socrática2. Polêmicas à parte, o fato é que o platônico de carteirinha acredita que apenas com o uso da razão o tolo será liberto. Entretanto, parece que a libertação para o conhecimento requer mais do que o mero exercício da razão. O platônico acerta quando reconhece que é necessária a libertação do tolo, mas erra quando acredita que essa libertação reside na autonomia da capacidade racional do tolo. No final das contas, isso não passa de tolice disfarçada. Tal disfarce não convence, pois o homem sempre ultrapassa suas máscaras.

Na contramão do disfarce platônico está a inteligência humilhada do cristão. E que não se confunda “inteligência humilhada” com sacrificium intellectus! O cristão não pressupõe a morte da razão. O que ele pressupõe é a consciência de que a razão é insuficiente. Nesse sentido, podemos dizer que o cristão exige algo bem menos do que a autonomia da razão, porém bem mais do que o sacrifício do intelecto. Para o cristão, o que de fato está em jogo é a constatação de que a inteligência humana é insuficiente para conhecer a verdade. Ou seja, para chegar ao conhecimento verdadeiro, a razão depende de um poder que a transcende, que ultrapassa seus limites.

O platônico e o cristão entendem que a libertação implica a conscientização de si mesmo, isto é, o conhecimento de sua real condição. A diferença está no que ambos entendem ser a origem dessa conscientização. Para o platônico a consciência da real condição do tolo está no próprio tolo, uma vez que tal consciência é resultado da mera autorreflexão; para o cristão, por sua vez, a conscientização é fruto da ação interna do Espírito que liberta o coração do tolo para ouvir em primeiro lugar a voz de Deus. O cristão acredita que é a palavra de Deus, iluminada pelo Espírito, que conscientiza o tolo de sua tolice. Portanto, é o Espírito que liberta o tolo de si mesmo e o coloca diante de Deus. E, quando se está diante de Deus, não há pensamento algum que seja relevante o suficiente para ser dito. Eis a condição para a libertação do tolo: ouvir. E o próprio ato de ouvir já é por si só o primeiro sinal de uma “libertação interior autêntica”.

João Calvino chama essa ação do Espírito, que coloca o tolo diante de Deus, de testimonium internum Spiritus Sancti [testemunho interno do Espírito Santo] (Institutas, 1.7.4-5; 3.2.33). Calvino entende que, para o tolo ouvir a voz divina, não basta Deus falar. A razão é simples. O tolo é, por natureza, surdo para ouvir a voz de Deus e cego para enxergar a verdade revelada. Por isso, antes de ouvir, ele precisa ser curado de sua surdez; antes de ver, ele precisa ser curado de sua cegueira. Nas palavras de Calvino, “a palavra de Deus é semelhante ao sol: ilumina a todos a quem é pregada, mas não produz fruto entre os cegos. E, nessa parte, todos nós somos, por natureza, cegos. Por isso não pode penetrar em nossa mente, a não ser pelo acesso que lhe dá o Espírito, esse mestre interior, com sua iluminação” [Intitutas, 3.2.34]3.

O cristão, portanto, não nega que o conhecimento da verdade liberta o tolo, porém afirma que, antes de conhecer a verdade, o tolo precisa de uma libertação que não é fruto nem de uma reflexão sobre a verdade e muito menos de uma autorreflexão, mas sim de uma ação interna do Espírito que, com efeito, liberta o tolo para o conhecimento da verdade.

De fato, o platônico acerta quando diz que a condição primordial não é conhecer para ser liberto, mas ser liberto para conhecer. Todavia, equivoca-se quando entende que o poder que liberta é a mera reflexão. Nem mera reflexão, nem conhecimento teórico algum poderão libertar o tolo para o conhecimento da verdade. Algumas pessoas pensam que o remédio para a tolice está num seminário teológico, numa faculdade de filosofia ou num laboratório de ciências. Ledo engano. O seminário, a faculdade ou o laboratório podem ser mais sombrios que o fundo de uma caverna. Deus não fala a teólogos, filósofos e cientistas, mas a tolos perdidos em si mesmos. É uma tremenda tolice esperar dos seminários de teologia, das faculdades de filosofia ou dos laboratórios de ciências aquilo que somente o confronto com a voz de Deus pode dar. Como diz Herman Dooyeweerd,

o verdadeiro conhecimento de Deus e de nós mesmos (Deum et animam scire) ultrapassa todo o pensamento teórico. Esse conhecimento não pode ser objeto teórico, seja de uma teologia dogmática seja de uma filosofia cristã. Ele pode apenas ser adquirido pela operação da palavra de Deus e do Espírito Santo no coração, ou seja, na raiz e centro religioso de nossa existência e experiência humanas em sua inteireza4

Em contraste com o platônico, o cristão entende que o único poder capaz de libertar o tolo é a voz de Deus. Apenas a palavra de Deus pode entrar no coração do tolo e romper as cadeias que o impedem de conhecer a verdade. Não! A libertação do coração não depende das artimanhas e dos improvisos do tolo! Não há nada no tolo que seja capaz de libertá-lo. Embora a libertação aconteça no seu interior, isso não significa que o tolo seja capaz de libertar-se. O poder de que falamos é de uma grandeza inalcançável e infinitamente superior. Trata-se do poder da voz que disse “Haja luz!” e houve luz. Ou seja, trata-se do poder que criou todas as coisas a partir do nada (ex nihilo) e com o poder da palavra. Não estamos falando de um poder que criou o mundo como um demiurgo que modela a matéria a partir das formas que desde sempre existiram. Pelo contrário, falamos de um poder que criou o mundo e tudo o que nele há apenas com a força de sua voz. É admirável pensar que o poder que fala ao coração do tolo seja o mesmo poder daquele que criou o universo simplesmente falando.

Conclusão

Para o cristão, a inteligência humilhada é uma condição que não pode ser evitada. Não há prevenção contra ela. Nenhuma criatura pode evitar a humilhação inerente à sua própria condição de criatura. A inteligência humilhada não é uma possibilidade, mas sim uma realidade, a realidade da Criação. A razão humana não deveria ser louvada quando o homem se recusa a humilhar-se diante de Deus5.  Ora, não existe algo como “a classe das inteligências que se humilham” e outro como “a classe das inteligências que não se humilham”. Diante de Deus, toda inteligência criada está sob a condição da humilhação. Em contrapartida, o que de fato existe é a consciência ou não de que, diante de Deus, toda inteligência criada está sob a condição da humilhação. Observe o sábio conselho que Blaise Pascal, filósofo e matemático francês, deu para os que acreditam que o seu próprio entendimento é um recurso suficiente para o conhecimento da verdade:

Conhecei, pois, soberbo, que paradoxo sois para vós mesmos. Humilhai-vos, razão impotente! Calai-vos, natureza imbecil; aprendei que o homem ultrapassa infinitamente o homem e ouvi de vosso Mestre vossa condição verdadeira que ignorais. Escutai a voz de Deus6

Isso é o mesmo que dizer que nenhum louvor cabe ao tolo pelo conhecimento da verdade, o que é demasiadamente chocante para aqueles que são mais otimistas com relação à autonomia da razão. E não deveria deixar de ser, pois quem advoga a autonomia da razão acredita que o único poder que liberta o tolo está na própria natureza racional do ser humano. Na verdade, a atitude de buscar na natureza racional o poder para a libertação da tolice revela o quanto o tolo pode ser ainda mais tolo. E como dizia Salomão, “o tolo que faz uma tolice pela segunda vez é como um cão que volta ao seu vômito” (Pv 26.11).

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 1 Dietrich Bonhoeffer. Resistência e submissão. São Leopoldo: Sinodal, 2003, p. 34 (grifo meu).
 2 A palavra “maiêutica” vem do grego maieutiké e significa “realizar um parto”. No contexto do método socrático, maiêutica é a arte de “ajudar a alma a extrair de si os conhecimentos que contém em si mesma”. Rodolfo Mondolfo. O pensamento antigo. São Paulo: Ed. Mestre Jou, 1967 p. 215. Veja também Hannah Arendt. A dignidade da política. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1993, p. 91-115.
 3João Calvino. A instituição da religião cristã. Tomo II. São Paulo: Unesp, 2009, p. 58-59.
 4 Herman Dooyeweerd. No crepúsculo do pensamento. São Paulo: Hagnos, 2010, p. 183. Embora concorde que Platão não rejeitou a possibilidade da revelação divina, Dooyeweerd entende que Platão havia negado que a revelação divina pudesse de alguma forma ser a fonte ou a origem do conhecimento verdadeiro, cf. p. 176.
 Segundo Calvino, “somos obrigados a olhar para cima, não só para que, em jejum e famintos, busquemos o que nos falta, mas também para, despertados pelo temor, aprendermos a humildade” (Institutas 1.1.1).
  6 Blaise Pascal. Pensamentos. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 47 (Laf. 131/Bru. 434).


Fonte: Clique aqui.

Igrejas protestantes brasileiras, presbiterianas, foram atacadas no Níger, no Norte da África.


No dia 16 de agosto de 2013, escrevi aqui no meu blog um post cujo primeiro parágrafo dizia o seguinte:

“No ano passado — portanto, em 2012 —, pelo menos 105 mil pessoas foram assassinadas no mundo por um único motivo: eram cristãs. O número foi anunciado pelo sociólogo Maximo Introvigne, coordenador do Observatório de Liberdade Religiosa, da Itália. E, como é sabido, isso não gerou indignação, protestos, nada. Segundo a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), 75% dos ataques motivados por intolerância religiosa têm como alvos os… cristãos. Mundo afora, no entanto, o tema quente, o tema da hora — e não é diferente na imprensa brasileira —, é a chamada ‘islamofobia’”.

Pois é… Logo depois dos ataques facinorosos ocorridos em Paris, teve início o debate sobre a, quem diria?, “islamofobia”. E, é evidente, não foi diferente nas terras brasileiras. Que coisa! Leandro Colon informa na Folha que duas igrejas protestantes brasileiras, presbiterianas, foram atacadas no Níger, no Norte da África, em manifestações de protesto contra a publicação da charge de Maomé pelo jorna francês “Charlie Hebdo”. Outras duas igrejas protestantes e uma escola, também comandadas por brasileiros, foram atacadas. As agressões aconteceram em Niamey, capital do país.

Dez cristãos já foram assassinados no Níger desde sexta-feira, e 20 templos depredados. “Estou em estado de choque. Moro aqui desde 2009; na África, há 14 anos, e nunca vi algo parecido. A relação com os muçulmanos sempre foi tranquila. Só pode ser coisa do satanás”, afirmou o pastor Roberto Gomes, que pertence à Igreja Presbiteriana Viva, com sede em Volta Redonda, no Estado do Rio.

Pois é… O satanás não tem nada a ver com isso. A ação é fruto de milícias islâmicas, que se espalham mundo afora e que respondem, reitero, pelo assassinato, a cada ano, de 100 mil cristãos. Critiquei aqui na semana passada a fala ambígua do papa Francisco sobre os ataques terroristas em Paris. Tanto eu estava certo que o próprio Vaticano veio a público para, mais uma vez, botar os devidos pingos nos is e esclarecer o que, afinal de contas, o Sumo Pontífice quis dizer.

A imprensa ocidental e a própria Igreja Católica, como instituição, são omissas a respeito da perseguição a que são submetidos os cristãos mundo afora. Ora, o que presbiterianos, católicos e outras denominações cristãs têm a ver com as charges do “Charlie Hebdo”? Resposta: nada! Também eles são alvos das críticas da publicação. A verdade é que as democracias ocidentais combatem uma “islamofobia” que não existe e são omissas a respeito de uma “cristofobia” que é real.

Imaginem se 100 mil muçulmanos morressem todo ano, vítimas de milícias cristãs… O mundo talvez já estivesse em chamas. Como são apenas cristãos morrendo, ninguém dá bola. A impostura já foi denunciada mundo afora pela ativista somali Ayaan Hirsi Ali, que hoje mora na Holanda. Em Darfur, no Sudão, estimam-se em 400 mil os mortos por milícias islâmicas desde 2003. Depois de aterrorizar a Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram agora ataca o norte de Camarões. Dezenas de pessoas foram assassinadas, e há pelo menos 80 sequestradas — 50 são crianças.

Mas, como já apontou Ayaan Hirsi Ali, os intelectuais europeus não se interessam pela morte de cristãos nem buscam combater a cristofobia. Estão ocupados demais com a tal “islamofobia”.

Fonte: Blog da Rô.

sábado, 24 de janeiro de 2015

DEUS E O FACEBOOK

Se Deus tivesse uma página no Facebook e se você lhe enviasse um pedido de amizade, será que Ele confirmaria a sua solicitação de amizade? ("Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando" > João 15:14). Será que Ele curtiria os seus pensamentos e o seu modo de viver? ("Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor" > Isaías 55:8). De qualquer modo, creio que ainda há tempo para "adicionarmos" a Deus como o nosso "amigo" real (e não, "virtual"), a fim de que Ele possa "compartilhar" conosco algo infinitamente mais importante do que fotos ou pensamentos, isto é, o Seu infinito amor pela humanidade e a Sua maravilhosa Salvação em Cristo.


  • Linha do Tempo: Existe desde a eternidade passada, até a eternidade presente e futura. (Salmo 90:2).
  • Registro de Atividades: Desde que criou o mundo, continua a mantê-lo, a governá-lo e a abençoá-lo com o Seu poder e com a Sua graça. (Salmo 89:11; 119:91)
  • Mora em: Todo o lugar ao mesmo tempo, pois é Onipresente (Jeremias 23:23-24) e também na vida daqueles que o amam e guardam a Sua Palavra. (João 14:23)
  • Livros: A Bíblia. (Hebreus 4:12)
  • Músicas: Os Salmos.
  • Atividade Recente: Continua a chamar os pecadores ao arrependimento, uma vez que não sente prazer na morte do ímpio. (Ezequiel 18:23) 
  • Compartilhou: O Seu amor por toda a humanidade, ao oferecer o Seu Único Filho, Jesus, na cruz, pelos nossos pecados. (João 3:16)
  • Está disponível para o Bate-Papo: A todo aquele que quiser se dirigir a Ele em oração agora mesmo. (Isaías 55:6)


"PASTOR" APRISIONA DEMÔNIOS EM GARRAFAS

Um pastor evangélico que se identifica como Waldecy Ferreira publicou no YouTube vídeos nos quais ele aparece expulsando demônios e, supostamente, os aprisionando em uma garrafa de refrigerante. Nos vídeos, gravados dentro de uma pequena igreja, o religioso afirma ter o poder para ordenar que os supostos demônios saiam da fiel e fiquem presos dentro da garrafa, antes de ele os mandarem de volta ao inferno.
A igreja onde as cenas foram filmadas não foi identificada no vídeo, que não mostra placas com o nome da denominação, que também não aparece na descrição do vídeo. Publicados a cerca de um ano, os vídeos do pastor Waldecy Ferreira ganharam força recentemente nas redes sociais.
Em um dos vídeos publicados por Ferreira, ele pede para os obreiros o filmarem expulsando demônios de uma fiel que aparece de costas falando com a voz grave e fazendo sons guturais. Quando o religioso conta até três, realizando o ritual de exorcismo, a mulher volta a conversar normalmente. Para comprovar que realmente tem o poder de dar ordem aos demônios, o pastor “devolve” os demônios para o corpo da mulher em um dos vídeos. A gravação não mostra se o religioso “expulsou” os demônios novamente.
No vídeo, o pastor ainda critica membros de outras denominações evangélicas, afirmando que eles estariam tentando “roubar” os fiéis de sua igreja. Ele afirma ainda que nenhum seminário ensina a fazer o que ele faz, e que uma “carteira de pastor” não concede este tipo de poder.
No blog Púlpito Cristão, o pastor Renato Vargens criticou a prática filmada pelo pastor Ferreira afirmando que “a capacidade de misturar o Evangelho de Cristo com crendices é absurda”, e lembrando de lendas e contos populares sobre demônios sendo presos em garrafas.
– Caro amigo, diante disto lhe pergunto: Que Cristianismo é esse? Que evangelho é esse? Que doutrinas são estas? Ora, esse não é e nunca foi o evangelho anunciado pelos apóstolos. Antes pelo contrário, este é o evangelho que alguns dos evangélicos fabricaram! Infelizmente, a Igreja deixou de ser a comunidade da palavra de Deus cuja fé se fundamenta nas Escrituras Sagradas, para ser a comunidade da pseudo-experiência, do dualismo, do misticismo e do maniqueísmo e da venda de indulgências – criticou Vargens.
Assista ao vídeo:

Fonte: Clique aqui.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

E Disse Deus: "Haja Cruz". E Houve Cruz.


Esta breve reflexão tem o objetivo de nos mostrar, entre outras coisas, que foi o próprio Deus quem tomou a iniciativa no ato de redimir o ser humano de seus pecados. Esse fato é tão evidente que a Bíblia chega até mesmo a falar sobre o "Cordeiro [Jesus] que foi morto desde a fundação do mundo" (Ap 13.8). Isto é, antes que o homem existisse e, portanto, antes que pudesse praticar qualquer obra em seu favor (e até mesmo contra si próprio), Deus já havia planejado a cruz.

Aliás, é curioso observar como a cruz projeta a sua "sombra" sobre toda a Bíblia, até culminar na morte de Jesus Cristo no madeiro. Com isso, Deus estava mostrando ao homem, ao longo do tempo, de que forma Ele haveria de salvar o ser humano, ou seja, através da crucificação de Seu Filho. Dito de outra maneira, a cruz foi o jeito que Deus encontrou para poder declarar o Seu eterno amor para com toda a humanidade pecadora. O "haja cruz" pode ser notado em várias passagens do Antigo Testamento, nas quais a cruz já estava sendo prevista no pensamento de Deus.

Em Êxodo 12, no capítulo que trata sobre a instituição da Páscoa, o texto bíblico fala sobre o "cordeiro sem mácula" (v.5) que deveria ser sacrificado "à tarde" (v.6) e cujo "sangue" (v.7) deveria ser colocado nos umbrais das portas a fim de "proteger" (v.13) aqueles que estivessem dentro daquelas casas. Estes acontecimentos prefiguraram de forma admirável a morte do Cordeiro de Deus, Jesus, no Gólgota, pelos nossos pecados.

Em Êxodo (entre os capítulos 25-40), no corpo da narrativa que descreve toda a mobília que compunha o tabernáculo, vemos que a posição em que cada móvel se encontrava lembrava o contorno da cruz (basta traçar uma linha vertical imaginária, de baixo para cima, cujo "traçado" é formado pelo Altar do Holocausto, a Pia de Bronze, o Altar do Incenso e a Arca da Aliança. Tendo feito isso, imagine agora essa linha vertical sendo cruzada na horizontal por outra linha imaginária formada pelo Candelabro à esquerda e a Mesa dos Pães da Proposição à direita). Essa figura lembra os contornos geométricos da cruz!

Em Levítico, os sacrifícios expiatórios de animais também apontavam, em caráter temporário e rudimentar, para o perfeito sacrifício que seria realizado séculos depois, ou seja, o sacrifício de Cristo no Calvário.

Já em Números, vemos o relato sobre a serpente de metal que é hasteada por Moisés no deserto (Nm 21.4-9). O contexto da passagem nos fala sobre os israelitas murmuradores que foram picados por serpentes, muitos dos quais morreram. Acontece, porém, que todos aqueles que eram picados por estas serpentes venenosas e olhavam para essa serpente de metal, ficavam curados. Depois de passados mais de mil anos, o próprio Jesus, comentando esse evento, declarou o seguinte: "E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.14,15). Em outras palavras, Jesus comparou o hasteamento da serpente de metal no deserto com o seu próprio hasteamento na cruz!

Indo mais adiante, mais exatamente no livro dos Salmos, vemos Davi falar profeticamente sobre a crucificação de Jesus, ao dizer: "transpassaram-me as mãos e os pés" (Sl 22.16b). Detalhe: tais palavras foram ditas cerca de mil anos antes de Jesus ser conduzido à cruz!

Entrando nos livros proféticos, vemos os contornos da cruz serem fortemente delineados de forma magnífica no belíssimo texto messiânico de Isaías 52.13-53.12. E esse texto que fala, por exemplo, sobre o "cordeiro que foi levado ao matadouro" e que "não abriu a sua boca" (53.7) faz a ponte perfeita para a crucificação de Jesus tal como aparece narrada no Novo Testamento.

Nas páginas do Antigo Testamento a cruz existe na intenção salvífica e redentora de Deus. É algo que ainda não foi concretizado e, por isso, é apenas o "Haja Cruz". Porém, no Novo Testamento, o cumprimento desta intenção divina se realiza e, portanto, o resultado é: "E Houve Cruz". Conseqüentemente, houve também salvação! No Novo Testamento, o Verbo se fez carne para que, além de outros motivos, Deus pudesse principalmente se tornar "crucificável". Isso me faz pensar no maravilhoso texto de Hebreus 10.5: "Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste". Deus preparou um corpo físico para o Seu Filho, Jesus, para que este pudesse morrer na cruz pelos nossos pecados!

Nisso tudo podemos perceber como os valores de Deus são tão diferentes daquilo que os homens valorizam! Os homens, de forma individualista e materialista, dizem: "haja prosperidade", "haja prazer", "haja conforto", "haja poder", "haja diversão". Contudo, Deus, de forma altruísta, diz: "haja amor", "haja perdão", "haja reconciliação", "haja encarnação", "haja salvação" e, portanto, "Haja Cruz!". E Houve Cruz! E porque houve cruz, então hoje "temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5.1).

Ora, Àquele que nos reconciliou consigo mesmo por meio da cruz de Seu Filho, sejam o louvor, a glória e a honra para todo o sempre!


Subsídio para a 4ª Lição da EBD - 25/01/2015 - Não farás imagens de escultura!



Gostaria de propor uma abordagem interessante para compreendermos a influência dos ídolos e imagens na cosmovisão cristã. Recorro à dinâmica do símbolo de Paul Tillich [1]. De fato, o ídolo nada mais é do que a representação simbólica da cosmovisão religiosa de um grupo ou pessoa, à qual outros devem aderir ou re-significar. O objeto, na teologia de Paul, é aquilo que representa de maneira objetiva uma realidade subjetiva. Cada vez que um fiel toma em sua mão um pedaço do pão, por exemplo, ele é mentalmente transportado para a crucificação.

Então o ídolo não é apenas uma escultura, ornada em ouro ou prata, ou uma coluna de pedra, mas a delimitação do poder divino, reduzindo-o às medidas físicas ou à influência do objeto que o representa. Ora, Deus enche a terra e o céu, e até mesmo o céu dos céus não pode contê-lo (II Crônicas 6:18).

Que fique claro, porém, que um ídolo não é apenas um objeto ou pessoa, mas qualquer coisa:

1) À qual direcionemos a atenção como faríamos a Deus;
2) A que atribuamos poder como atribuímos a Deus;
3) Que adoramos como adoraríamos a Deus.

Creio que assim a lista do que é idolatria se amplia...

Outra questão importante é compreender que Deus não parece com nada que Ele criou. Logo a nada pode ser associado. Aqui se incluam coisas, pessoas, locais, objetos, anjos, seres espirituais, etc. Em Isaías 45:6 há esta argumentação: "A quem me assemelhareis, e com quem me igualareis, e me comparareis, para que sejamos semelhantes?" Então, se Deus não parece com nada que Ele criou, a nada pode ser comparado, anulando o poder de qualquer outro objeto de adoração ou devoção.

Por fim, a idolatria católica. Bem, em primeiro lugar, temos a questão da hábil exploração de vulnerabilidades. A figura da mãe, do protetor desta ou daquela especialidade ou profissão, ou seja, risco. Ao invés de elevar teologicamente seus membros, prefere mantê-los na ignorância, para poder manipulá-los. Em segundo lugar, temos a atribuição real de poder aos santos, aos quais diz apenas venerar. Eu propus a seguinte situação:

Imagine que um devoto se dobra à Maria em Goiana, Mata Norte pernambucana, às 18:00h, convencionada como hora da Ave Maria. Outro devoto se ajoelha em Palmares, Mata Sul, 180 quilômetros de distância entre os dois pontos. Maria ou ouviria a ambos? Certamente não, pois não é onisciente!
 Agora imagine que um devoto grita por Maria em Campina Grande, sertão paraibano, pedindo água. Outro devoto se ajoelha em Sergipe com o mesmo intuito, 500 quilômetros de distância entre os dois pontos. Maria socorreria a ambos ao mesmo tempo? Certamente não, pois não é onipresente!

O que dizer da atribuição de poder que se dá a Santo Antonio, casamenteiro? Aquela moça enfia uma faca numa bananeira ou faz outra mandinga qualquer porque compreende que o santo pode resolver seu problema! Não é apenas veneração, é atribuição de poder!

Dia desses uma senhora devota travou o seguinte diálogo comigo:

- Por que vocês não gostam de Maria?
- Quem lhe disse isso?
- Vocês não veneram ela, então é porque não gostam...
- A senhora gosta de sua mãe?
- Sim.
- Mas venera?
- Não, claro que não.
- Então, gostamos de Maria, mas não a adoramos.
- Hum... não gostar da mãe do Salvador, a mãe de Deus!
- Quem veio a existir primeiro: Jesus ou Maria?
- Claro que foi Maria, ela não é a mãe?
- Então, vamos ler em sua própria Bíblia Católica. Comecemos por Hebreus 1:1, Colossenses 1:17... - depois de lidas as passagens na própria Bíblia dela, retrucou:
- Ah! Vocês gostam é de confundir.

E ainda tem o vergonhoso sincretismo. Diversas igrejas católicas catalisam a adoração aos inúmeros deuses das religiões afro harmonizando com personagens bíblicos. Um acinte sob todos aspectos. Uma coisa é um determinado orixá, outra um personagem da Bíblia.

Por fim, por que tantos então se beneficiam com milagres se os santos católicos nada podem fazer do lado de cá? A explicação está em Mateus 5:45.


[1] Tillich, Paul, Teologia Sistemática, Editora Sinodal.


Fonte: Clique aqui.

REFLEXÕES SOBRE O TRABALHO


Segundo a Bíblia, o trabalho é uma criação divina. Aliás, é bom lembrar que o trabalho surge na Bíblia 'antes' da queda do homem no pecado (cf. Gênesis 2:15) e, segundo o Novo Testamento, "os trabalhos" (em grego, "tà érga") dos cristãos os acompanham, mesmo depois de sua morte (Apocalipse 14:13). Sendo assim, o trabalho é uma bênção, e não uma maldição, como muitos infelizmente costumam enxergá-lo. A palavra "trabalho", na Bíblia, vem do hebraico ma'aseh, "obra, ação, trabalho", a qual é oriunda da raiz verbal 'ayin-sin-hê, "fazer, criar" e do grego érgon, cujo significado é semelhante. Contudo, a visão negativa que muitos têm sobre o trabalho se deve, principalmente, à forma como este passou a ser visto no Ocidente. A palavra "trabalho", no Ocidente, é derivada do latim tripalium (tri, "três" + palus, "pau"), que era o nome dado a um instrumento de tortura romano formado por "três paus" entrecruzados, os quais eram colocados no pescoço dos escravos a fim de torturá-los. Sendo assim, no Ocidente a ideia de trabalho adquiriu conotações essencialmente ruins e negativas, uma vez que ficou associada à escravidão. Porém, a perspectiva bíblica sobre o trabalho é essencialmente positiva. Jó, por exemplo, disse que "o homem nasce para o trabalho" (Jó 5:7). E o próprio Jesus declarou: "Meu Pai [Deus] trabalha até agora, e eu trabalho também" (João 5: 17). Diante disso, só posso concluir com as palavras de Paulo: "Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor" (1 Coríntios 15:58).