quinta-feira, 3 de setembro de 2015

VENENO DE VESPA BRASILEIRA MATA CÉLULA DE CÂNCER

Vespa Polybia paulista tem veneno que contém toxina anticancerígena (Foto: Mario Palma/Unesp)

A ciência já conhecia as propriedades anticancerígenas do veneno da vespa brasileira Polybia paulista, que se mostrou eficaz em coibir a proliferação de células de câncer de próstata e bexiga, bem como de leucemia. O que não se sabia era como a toxina presente no veneno conseguia atacar seletivamente determinadas células de câncer, deixando intactas as células normais.

Uma pesquisa desenvolvida a partir de uma parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de Leeds, no Reino Unido, descobriu o mecanismo de ação da toxina, abrindo o caminho para o desenvolvimento de uma nova classe de drogas para tratamento de câncer. Os resultados foram publicados na revista científica “Biophysical Journal” nesta terça-feira (1º).

Nas células cancerígenas, existem dois tipos de lipídios que ficam do lado de fora da membrana das células. Em células normais, esses lipídios ficam localizados do lado de dentro da membrana. O que a toxina MP1 faz é interagir com esses lipídios que por acaso só estão "acessíveis" nas células cancerígenas.

O resultado dessa interação é a formação de “buracos” na membrana da célula cancerígena, mecanismo que acaba levando à morte das células.

“Uma terapia de câncer que ataque a composição lipídica da membrana da célula seria uma classe completamente nova de drogas anticancerígenas”, disse um dos autores do estudo, Paul Beales, da Universidade de Leeds. “Isso poderia ser útil no desenvolvimento de novas combinações de terapias, onde múltiplas drogas são usadas simultaneamente para tratar câncer ao atacar diferentes partes das células de câncer simultaneamente.”
Os pesquisadores puderam testar esse mecanismo de ação em modelos de membranas criadas em laboratório, que continham esses tipos de lipídio. A exposição dessa membrana à ação da toxina MP1, do veneno da vespa, revelou à formação de poros que, em uma célula de verdade, levaria à sua morte.
Segundo os autores, a toxina tem o potencial para ser um tratamento seguro contra câncer, mas mais pesquisas são necessárias para desenvolver um medicamento.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A "DECLARAÇÃO DE FÉ DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS”

A “Declaração de Fé das Assembleias de Deus” e o seu momento histórico

Por Gutierres Fernandes Siqueira

A Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGADB) criou uma comissão especial para a elaboração de uma inédita Declaração de Fé das Assembleias de Deus. A previsão é que essa comissão conclua o trabalho em 2017. Nesses próximos meses alguns fóruns serão realizados em todo o país para que a elaboração do documento tenha a contribuição da igreja nacional. 

A Assembleia de Deus não está formulando um credo. A palavra Credo está sempre associada aos primeiros documentos da Igreja Cristã antes da primeira cisão entre a igreja ocidental e oriental. Nesse grupo de documentos há o Credo Apostólico, o Credo Niceno e o Credo Atanasiano. O que caracteriza o Credo é o seu caráter ecumênico (serve a todas as tradições cristãs  católica, ortodoxa e protestante), histórico, devocional e sacramental. Os assembleianos também não estão formulando uma Confissão de Fé ou um Catecismo Maior. Essas nomenclaturas normalmente estão associadas aos documentos do período da Reforma Protestante. Nesse grupo de documentos há o Catecismo Maior de Lutero, a Confissão de Fé Belga, o Catecismo de Heidelberg, a Confissão de Fé de Westminster, os 39 Artigos da Religião etc. O que a Assembleia de Deus está fazendo é uma Declaração de Fé, um documento que naturalmente sofrerá influências dos credos da tradição cristã e das confissões reformadas.

Até a presente data o único documento doutrinário institucional das Assembleias de Deus brasileira é o Cremos. O Cremos, um texto conciso e simples, é um resumo das Verdades Fundamentais  que é a declaração de fé das Assembleias de Deus norte-americana (AG). Adaptar o documento americano para a igreja brasileira foi uma iniciativa do pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos (1914 — 1988). Vasconcelos trabalhava com a perspectiva que a igreja brasileira precisava de consolidação. O Cremos teve a primeira publicação em junho de 1969 no jornal Mensageiro da Paz, órgão oficial de comunicação da denominação.


“Declaração das Verdades Fundamentais”


Inicialmente com o nome Declaração de Verdades, as Assembleias de Deus nos Estados Unidos (AG) prepararam esse documento ainda em 1916, ou seja, apenas dois anos após a fundação oficial da denominação. No Concílio Geral da AG em 1961 foi aprovado o atual documento Declaração das Verdades Fundamentais com 16 pontos. A única diferença entre os dois papéis era a expressão “inteira santificação”, que, ao ser excluída na nova declaração de 1961, retirava da doutrina assembleiana a influência wesleyana.

Desde cedo a AG teve forte preocupação doutrinária. Isso porque no seu começo alguns grupos defendiam doutrinas não trinitárias e pregavam um restauracionismo além dos limites da ortodoxia. Outro debate importante na época girou em torno da santificação  onde a visão próxima da tradição reformada do evangelista William Howard Durham sobre a “obra consumada no Calvário” acabou prevalecendo em relação à santificação como “segunda obra da graça” de Charles Fox Parham e William Seymour, ambos de origem no Movimento da Santidade que, por outro lado, teve decisiva influência da doutrina da “perfeição cristã” de John Wesley.

Ao contrário da irmã americana, a Assembleia de Deus no Brasil só agora determinou a criação de sua própria Declaração de Fé, mas o debate não é recente. Desde a década de 1960 pastores mais esclarecidos, como o próprio Alcebíades Vasconcelos, alertavam sobre a necessidade de oficialização doutrinária. E, é claro, tais pastores sofreram a oposição daqueles líderes que temiam o tradicionalismo nas Assembleias de Deus.


A necessidade de posição na catolicidade da igreja


Embora o Cremos seja ortodoxo e consistente há a necessidade de um documento mais amplo. E, talvez, essa seja a principal novidade da declaração que está sendo elaborada, pois esta não ficará restrita aos atuais temas do Cremos (trindade, salvação, santificação, escatologia, ordenanças etc.), mas também trará a posição da denominação em assuntos de ética e moralidade (divórcio e segundo casamento, homossexualidade, aborto, eutanásia, etc.). É importante que não somente a igreja tenha posição, mas saiba o conteúdo daquilo que acredita.  

Espera-se que o documento não seja excessivamente hermético e nem caia na tentação de fechar qualquer assunto não essencial como fundamental. Ainda que haja a necessidade de um aprofundamento, esse processo não deve ser feito à custa da consciência que o “Espírito sopra onde quer” e que a Igreja não pode viver em função do denominacionalismo, ainda que seja ela mesma uma denominação histórica. A AD é apenas parte da cristandade e sempre precisa lembrar aos seus membros deste fato. A igreja do Senhor nunca é uma seita, ou seja, fechada em si como o grupo iluminado e exclusivo.  O pastor E. N. Bell, o formulador da Declaração de Verdades da AG em 1916, humildemente declarou sobre o documento pronto: “a fraseologia empregada em tal declaração não é inspirada e nem a defendemos contenciosamente” (grifo meu) [1]. Que esse seja o lema dessa nova Declaração de Fé.

Outra posição que cabe destacar é de Jacó Armínio, que longe da controvérsia soteriológica, declarou pela moderação na relação entre as confissões e seus rebeldes:

Mas o Sínodo não deverá assumir a autoridade de impor aos outros, pela força, as resoluções que possam ter sido aprovadas por consentimento unânime. Pois esta reflexão sempre deve ser sugerida: “Embora este Sínodo possa parecer ter feito todas as coisas conscientemente, é possível que, afinal, possa ter cometido um erro de juízo”. Essa modéstia e moderação de mente terão maior poder e maior influência que qualquer rigor excessivo possa ter sobre a consciência dos dissidentes obstinados, e sobre todo o grupo de fiéis, porque segundo Lactâncio, 'Para recomendar a fé aos outros devemos fazer dela assunto de persuasão, e não de compulsão'. Tertuliano também diz: “Nada está mais distante de ser algo religioso do que o emprego da coerção a respeito da religião”. [2]

É importante sempre defender as doutrinas da denominação sem, é claro, esquecer-se da catolicidade da igreja, ou seja, lembrando que a Igreja do Senhor tem um caráter além do tempo, do espaço, da cultura e das histórias locais. A denominação não pode usar o combate ao sincretismo como desculpa para o sectarismo, como bem escreveu o teólogo Justo González:

No entanto, o que muitas vezes não vemos é que o sincretismo e o sectarismo caminham paralelamente, que é muito fácil usar a ameaça do sincretismo como desculpa para sectarismo, e que, inclusive, o sincretismo pode ser sectário. Como o próprio nome indica, uma seita é um grupo que toma uma parte da realidade e da experiência como se fosse o todo. O termo “seita”, por si mesmo, não diz nada acerca da verdade ou falsidade, ortodoxia ou heterodoxia dos ensinamentos de um grupo. O que quer dizer é que um grupo, não importa o quanto ortodoxo seja, se equivoca quando considera que seu próprio âmbito da realidade, sua própria perspectiva limitada são toda a realidade ou a única perspectiva possível. Uma seita pode, então, ser perfeitamente ortodoxa. Certamente, pode ser mais ortodoxa que qualquer outro grupo. Mas, enquanto se considera como a única ortodoxia possível, torna-se sectária. [3]

Portanto, o momento é histórico e relevante, mas ao mesmo tempo, como dito acima, se deve evitar qualquer tentação sectária. Que o documento seja claro o suficiente para evitar interpretações dúbias em questões essenciais e seja livre o suficiente nas controvérsias não essenciais. E, ao mesmo tempo, que honre as Sagradas Escrituras e a tradição pentecostal-assembleiana. O desafio não é fácil e a comunidade assembleiana faz bem ao orar por esse período de elaboração e meditação.


Referências Bibliográficas:

[1] HORTON, Stanley M. e MENZIES, William W. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. 8 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.  p 11. Bell ainda declarou: Essas Assembleias opõem-se a toda Alta Crítica radical da Bíblia, a todo o modernismo, a toda a incredulidade na igreja e à filiação a ela de pessoas não-salvas, cheias de pecado e de mundanismo; e acreditam em todas as verdades bíblicas genuínas sustentadas por todas as igrejas verdadeiramente evangélicas [HORTON, Stanley M. (Ed.)Teologia Sistemática: uma Perspectiva Pentecostal. 8 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. p 21.]

[2] ARMÍNIO, Jacó. As Obras de Armínio. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015. p 174.

[3] GONZÁLEZ, Justo L. Mapas Para a História Futura da Igreja. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 99.



domingo, 2 de agosto de 2015

CALVINISMO NA ASSEMBLEIA DE DEUS — PARTE 2


Pastor Ciro Sanches Zibordi declara: Não sou 100% arminiano nem 0% calvinista”.


Depois de participar de um ótimo e conciliador hangout — promovido pela VINACC (Visão Nacional para Consciência Cristã) —, no qual os pastores e pregadores do Evangelho Euder Faber, Joaquim de Andrade, Renato Vargens, Franklin Ferreira e este articulista conversaram amistosamente sobre os pontos de convergência de calvinismo e arminianismo, tenho recebido muitos elogios e algumas críticas. A mais recorrente é a seguinte: “Por que o irmão, apesar de representar o grupo dos arminianos, no hangout, não assumiu que é arminiano?”

Pr. Ciro Sanches Zibordi
Muitos arminianos, especialmente, se incomodaram com o fato de eu ter iniciado a minha participação na aludida conferência pela Internet dizendo que não sou 100% favorável ao arminianismo nem 100% contrário ao calvinismo. Penso que esses irmãos em Cristo estão um tanto irritados comigo em razão de reduzirem o calvinismo e o arminianismo aos cinco pontos expressos pelos acrósticos ingleses TULIP (Total DepravityUnconditional ElectionLimited AtonementIrresistible Grace e Perseverance of the Saints), no caso do calvinismo, e FACTS (Freed by GraceAtonement for AllConditional Election,Total Depravity e Security in Christ), no caso do arminianismo.

Ora, é evidente que os cinco pontos de TULIP e FACTS são irreconciliáveis e excludentes, na prática. Entretanto, não se deve reduzir o calvinismo e o arminianismo aos mencionados cinco pontos. Estes são apenas os pontos discordandes. Por que ninguém menciona os pontos de convergência, como fizemos no hangout? Afinal, calvinismo e arminianismo transcendem as discussões soteriológicas sobre depravação total e livre-arbítrio, eleição e expiação, graça salvadora e segurança da salvação, etc.

A despeito de eu defender as doutrinas atreladas à sigla FACTS — livre-arbítrio, eleição condicional, obra redentora extensiva a toda a humanidade (o que é diferente de universalismo), possibilidade de resistir à graça salvadora e possibilidade de decair da graça —, nunca fiz a mínima questão de usar o rótulo de arminiano. Isso porque não demonizo o calvinismo por causa da TULIP, nem sacralizo o arminianismo em razão de eu advogar a FACTS.

Finalmente, saliento que aprendi com o mestre e teólogo Antonio Gilberto, que também não faz questão de dizer que é arminiano, a não confundir a teologia com a Bíblia. A teologia é o que os teólogos — homens falíveis, sejam calvinistas, sejam arminianos — dizem das Escrituras. E a Bíblia é a própria Palavra de Deus. Respeito, pois, e leio todos os teólogos, mas tenho a certeza de que o veredicto é dado pela Palavra de Deus.

Ciro Sanches Zibordi


Fonte: CPADNews


sexta-feira, 31 de julho de 2015

O PERIGOSO UNIVERSALISMO DE ED RENÉ KIVITZ

Teólogos calvinistas e arminianos vêm debatendo há séculos a respeito do alcance da obra salvífica de Cristo, mas não a ponto de cometerem heresias. De modo geral, os primeiros creem em uma expiação restrita, afirmando que o Senhor Jesus teria provado a morte, de modo eficaz, somente pelos eleitos (cf. Mc 10.45). Já os arminianos defendem que Jesus morreu por toda a humanidade, mas somente “aquele que nele crê” (Jo 3.16) é efetivamente salvo (cf. 1 Tm 2.4-6). O universalismo é uma perigosa heresia, condenada tanto por calvinistas como por arminianos que se prezam.

“Os evangélicos, de modo global, rejeitam a doutrina do universalismo absoluto (isto é, o amor divino não permitirá que nenhum ser humano ou mesmo o diabo e os anjos caídos permaneçam eternamente separados dEle). O universalismo postula que a obra salvífica de Cristo abrange todas as pessoas, sem exceção” (PECOTA in HORTON, p. 358). Observe que o universalismo extremado prevê a salvação até do Diabo! Para os teólogos pentecostais, a heresia em apreço — quando levada às últimas consequências — é o ensino “segundo o qual todos os seres humanos, anjos e o próprio Satanás acabarão sendo salvos e desfrutarão eternamente do amor e da presença de Deus para sempre” (HORTON, p. 803).

Poucos teólogos universalistas, na atualidade, têm a coragem de afirmar que Deus é tão amoroso, a ponto de salvar o próprio Diabo. Mas Ed René Kivitz, pastor e filósofo ligado ao movimento Missão Integral, tem afirmado, especialmente com base em João 1.29, que o pecado não está mais presente na relação entre Deus e os homens. Com base nisso, há alguns anos, ele ousou dizer que poderemos encontrar até Hitler no céu (!), não porque esse tirano tenha se arrependido antes de morrer (!!!), e sim porque Deus já tirou o pecado do mundo. Em outras palavras, todos serão salvos, haja o que houver, pois o pecado não mais existe (KIVITZ, 2013).

Kivitz interpreta a frase “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” de modo isolado, fora do seu contexto imediato e remoto, e sem considerar os três aspetos da obra salvífica: posicional, progressivo e perfectivo. À luz das Escrituras, a nossa preciosa salvação pela graça de Deus abrange passado, presente e futuro. No passado, a salvação é posicional: como já fomos justificados, regenerados e santificados, estamos "em Cristo" (2 Co 5.17; Ef 2.1-6). No presente, a salvação é progressiva, uma vez que, a cada dia, somos mais santos (Hb 12.14), operando a nossa salvação com temor e tremor (Fp 2.12). E, no futuro, ela será perfeita (Fp 3.19,20); este aspecto perfectivo da nossa salvação está ligado a outra dimensão, na glória, quando estivermos para sempre com o nosso Deus (Rm 8.18; 1 Pe 5.1). Nesse caso, hoje estamos libertos, em Cristo, do poder do pecado. Mas, somente na glória, estaremos livres da presença do pecado.

Qual é, pois, o erro de Kivitz? Ele afirma, em outras palavras, que Deus, hoje, já nos livrou da presença do pecado, contrariando o que está escrito em Gálatas 5.16-26. Ademais, ele não apenas defende a ideia falaciosa da libertação da presença do pecado, no presente, mas comete erro maior, ao afirmar — ou sugerir, pelo menos — que haverá salvação automática de todos, inclusive de Hitler, sem fé e arrependimento, uma vez que Jesus já teria tirado o pecado do mundo. Esse pensamento é, sem dúvida, uma grande heresia, haja vista a Palavra de Deus ser clara quanto à necessidade de o ser humano precisar crer e se arrepender para receber a preciosa salvação pela graça de Deus (Mc 1.15; Jo 3.36; At 3.19; Rm 10.9,10).

Ciro Sanches Zibordi

Fonte: Clique aqui.

A ATUALIDADE DOS MÉTODOS DE JESUS


INTRODUÇÃO

O ministério terreno de Cristo teve por essência o ensino. Todos os seus atos – inclusive os milagres – não fugiram à regra. Onde quer que estivesse, tinha uma meta: ensinar as pessoas. As situações aparentemente mais corriqueiras serviam-lhe de instrumento para expor uma lição aos seus ouvintes. Jesus viveu movido por este propósito e empregou as estratégias certas para cumpri-lo.

Igualmente, a Igreja hoje exerce o ministério pedagógico. Essa é a sua prioridade. O complexo mundo pós-moderno impõe-lhe o dever de multiplicar as suas energias nessa direção e ter como foco, sobretudo, as crianças, pois é nos primeiros anos de vida que ocorre a estruturação psicológica do indivíduo.

Não desconhecemos o avanço da pedagogia, nem lhe tiramos o mérito de introduzir novas formas de pensar a educação para que os objetivos do ensino sejam alcançados. Mas estas são as grandes perguntas de nossa reflexão: os métodos de Jesus continuam válidos para a época atual ou perderam a sua eficácia?  Se Cristo vivesse sua humanidade hoje como seria a sua forma de aproximação das pessoas?  Se a pedagogia põe ao nosso dispor novas ferramentas para cumprir os objetivos do ensino, em que podemos aprender com os métodos de Jesus?

UM HOMEM AFINADO COM O SEU TEMPO

Para que tenhamos uma visão clara sobre isso, precisamos primeiro descobrir como Jesus se relacionou com a sua época, envolvendo não só a questão religiosa, mas também a cultura e os aspectos sociais. Esta premissa é necessária para que não se tenha a idéia, pela leitura equivocada dos evangelhos, de que o Mestre tenha sido uma pessoa alienada do contexto em que viveu.

Não obstante Cristo ter nascido para cumprir os propósitos de Deus de implantar o Novo Concerto entre os homens, do qual seria o mediador através do próprio sacrifício vicário, sem nenhum vínculo formal com o judaísmo, a sua nacionalidade judaica não foi uma circunstância, mas uma necessidade espiritual, profética e teológica. Deus usou a nação de Israel para ser a depositária de sua revelação à humanidade. Portanto, o Salvador do mundo, enquanto homem, teria de vestir-se de judeu para  cumprir os propósitos divinos.

Assim, Cristo foi em tudo uma pessoa afinada com o seu tempo. Ele viveu como judeu, cumpriu os ritos do Antigo Concerto, incorporou em sua prática diária os elementos básicos de sua cultura e fez uso das convenções sociais de então nos seus relacionamentos. É óbvio que confrontou os erros, condenou a hipocrisia religiosa, combateu o formalismo da fé, proclamou as boas novas do novo tempo que Ele próprio representava, mas sempre se utilizou de ferramentas judaicas para isso, inclusive na arte de ensinar ao povo.

Em suma, esta é a expressão que melhor resume como o Mestre se comportou em sua vida humana: um homem contemporâneo.

UM HOMEM QUE CONHECIA AS NECESSIDADES HUMANAS

Outra peculiaridade de Jesus está na importância que dava aos relacionamentos. Ele não deixou de valorizar os momentos a sós com Deus, onde renovava as forças para os embates diários, mas ocupava grande parte de seu tempo em contatos com as multidões e as pessoas em particular. Ele o fazia porque conhecia as necessidades humanas. Esse era o foco de sua atenção. Essa era a prioridade do seu ensino.

Qualquer que fosse a forma de aproximação de alguém necessitado, ou da própria multidão, o Senhor conduzia o processo até chegar ao âmago do problema para então propor os caminhos para a mudança de curso e a restauração pessoal ou comunitária. Mas o ponto de partida nunca se constituía de um discurso vazio e sem levar em conta o que importava: a necessidade do próximo.

Em outras palavras, o ensino não pode ser superficial, nem apenas formal. É preciso considerar o que as pessoas necessitam e ponderar sobre como é possível levá-las a mudar a sua concepção e a pôr em prática os conceitos aprendidos para que façam sentido em sua vida e produzam aperfeiçoamento.

Isso implica em convivência, compartilhamento, aceitação do ser humano, capacidade de avaliar as reações alheias, interesse pelo que as outras pessoas vivem e sentem e disposição para ser mais que um professor: tornar-se um verdadeiro condutor de pessoas, segundo a etimologia do termo grego. Esse foi  o sentimento que moveu o coração de Cristo em sua compaixão pelo homem.

UM HOMEM QUE DOMINAVA OS RECURSOS PEDAGÓGICOS

Em vista do que acabamos de expor, Jesus sabia fazer uso dos recursos pedagógicos e os aplicava à luz das especificidades humanas. Ele não era um autômato que seguia a mesma rotina em todos os casos. Mas agia como um conhecedor dos problemas humanos.

Os diálogos do Mestre não se restringiam à mera ocupação do tempo, mas tinham objetivos bastante definidos; suas perguntas retóricas não eram para demonstrar conhecimento, mas instrumentos para chegar a um fim; suas parábolas não o tornavam um simples contador de histórias, mas levavam-no a estabelecer analogias consistentes; os seus simbolismos não ficavam no mundo abstrato, mas eram extraídos da linguagem do povo para que este o compreendesse – em qualquer situação o método era aplicado conforme o propósito.

Quando a circunstância exigia conduzir o processo pedagógico etapa por etapa, esse era o caminho; quando o confronto direto se impunha, esse era o método; quando a demonstração de atitude era mais forte do que as palavras, esse era o comportamento. Mesmo naquelas situações que envolviam logística, o Senhor preocupou-se em criar condições para que seus ouvintes não tivessem nenhuma dificuldade que os impedisse de serem alcançados.

Portanto, quando se olha para a tríplice perspectiva do ministério terreno de Cristo – ensinar, pregar e curar – percebe-se com bastante precisão que Ele não perdia as oportunidades de cumprir os seus propósitos pedagógicos. Qualquer que fosse o contexto, nunca deixava de ser contemporâneo na forma de falar às pessoas em busca do fim desejado.

UM  HOMEM CUJOS MÉTODOS PERMANECEM ATUAIS

Após esta reflexão, chegamos então à nossa grande pergunta: permanecem ainda atuais os métodos empregados por Jesus? A resposta é positiva. À medida que a pedagogia avança, novos conceitos são incorporados e outros vão sendo aperfeiçoados. Não se discute, por exemplo, a importância da tecnologia para a educação. Entre o antigo flanelógrafo e um moderno sistema multimídia a distância é muito grande e ninguém, em sã consciência, abre mão do último recurso, se estiver disponível.

Todavia, se nos dermos ao gratificante trabalho de comparar conceitualmente os recursos da pedagogia moderna com os métodos empregados por Cristo, numa época em que as limitações físicas eram enormes e o sistema educacional não dispunha das mesmas facilidades de hoje, temos de convir que o Mestre sempre esteve na vanguarda. Não só o seu ensino continua atual – e jamais deixará de sê-lo – mas os seus métodos se constituem em excelente modelo para a nossa prática pedagógica.

Quando estudamos as várias correntes da pedagogia, descobrimos conflitos entre uma e outra escola. Mas há também nelas verdades que se complementam. Se cotejarmos essas verdades à luz dos métodos de Cristo, veremos por fim que o Senhor, para o nosso exemplo, “ousou” antecipá-las na realização do seu ministério pedagógico.

CONCLUSÃO

A conclusão se dá, portanto, em duas vertentes. Na primeira, somos levados a crer que temos muito a aprender com o modelo pedagógico de Cristo. Sem desconsiderar o que os especialistas de hoje nos apontam como tendências da educação, no seu aspecto positivo, nunca devemos abrir mão de compreender que o Senhor continua sendo o nosso modelo de melhor educador.

Na segunda, temos também de aceitar que se Jesus vivesse fisicamente entre os homens nos dias atuais, não se furtaria em estar na vanguarda da educação com o propósito de levar os seus ouvintes modernos a compreenderem cabalmente o seu ensino. Repita-se: Ele é o nosso exemplo, somos seus imitadores, exerçamos o paidon em toda a sua plenitude.


Post Script:

Resumo de palestra ministrada em diferentes conferências e congressos na área da Educação Cristã.



CALVINISMO NA ASSEMBLEIA DE DEUS — PARTE 1


Começo agora uma série de postagens acerca do "movimento calvinista" existente na Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Brasil. Para início dessa série de postagens, escolhi uma entrevista cedida pelo pastor Geremias do Couto ao Blog Teologia Pentecostal, do irmão Gutierres Fernandes Siqueira. Eu já postei aqui neste blog uma matéria sobre o assunto (clique aqui para ver). Todavia, diante da séria realidade do fato, vou tratar com mais profundidade a questão em pauta. Na parte final desta série, exporei o meu posicionamento acerca da teoria calvinista.  

Assembleiano e calvinista convicto: uma entrevista com Geremias do Couto

Por Gutierres Fernandes Siqueira

[...]

Hoje o teólogo Geremias do Couto nos concede uma entrevista sobre o impacto do crescente calvinismo nas Assembleias de Deus e entre pentecostais de maneira geral, normalmente identificados com o Arminianismo. Ele conta a própria experiência como um pentecostal, pastor assembleiano e calvinista convicto. Como será essa relação?

Geremias do Couto em palestra.
 Um dos poucos pastores assembleianos de expressão nacional assumidamente calvinista.

Geremias do Couto é pastor na Assembleia de Deus em Teresópolis (RJ), mestre em teologia pelo conceituado Gordon–Conwell Theological Seminary (GCTS) onde foi aluno do conhecido exegeta assembleiano Gordon Donald Fee, autor do livro “A Transparência da Vida Cristã” e coautor do obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, ambos publicados pela CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus). Foi um dos editores da famosa Bíblia de Estudo Pentecostal (BEP) do norte-americano Donald Stamps. Couto também presidiu o Projeto Minha Esperança Brasil da Associação Evangelística Billy Graham.

Blog Teologia Pentecostal: Como pastor das Assembleias de Deus, conhecido escritor entre os assembleianos e de uma família de tradição pentecostal, como foi aderir ao Calvinismo? Qual a causa e a circunstância dessa guinada teológica?


Geremias do Couto: Creio que a expressão “aderir” é muito simplificadora, sobretudo para quem constrói a sua história de vida à luz da coerência. Isso foi mais resultado de um processo iniciado ainda na minha adolescência do que uma mudança propriamente dita. Sempre fui questionador e ledor voraz desde quando ainda era criança. Fui da época em que se marcavam os versículos a lápis de cor durante a leitura. Mantenho ainda o mesmo hábito.

Embora se diga que a AD seja tradicionalmente arminiana, pelos muitos de seus escritos em nossos órgãos oficiais, na prática, na rotina dos nossos púlpitos, regra geral, a verdade é que sobrepujava uma tendência para o semipelagianismo, sem que os pastores soubessem até o que isso significa. É só nos lembrarmos dos antigos “cultos de doutrina”, onde o que menos tínhamos era doutrina, mas a insistência na pregação dos usos e costumes, de forma opressora, com o risco de “perder” a salvação, se incorrêssemos na quebra de uma daquelas regras, mesmo que fosse jogar bola de gude ou soltar pipa. Cresci nesse ambiente em que durante o dia me via “perdendo” a salvação várias vezes, com drama de consciência, pois não conseguia cumprir à risca o que era necessário para manter-me salvo. A noite, tentando dormir, sofria com medo de ir para o inferno, se morresse, por causa das falhas cometidas.

A primeira vez em que se ensinou sobre a diferença entre doutrina e costumes em nossa igreja foi através do pastor Antonio Gilberto. Eu tinha por volta de 13 anos. Nos dias seguintes foi só confusão. O ministério foi até reunido, de forma protocolar, para discutir a questão. Para mim, no entanto, tratou-se de um divisor de águas até porque, em conversa particular com o conhecido mestre, enquanto almoçava com ele no restaurante, pude lhe expor um problema que então me atormentava: a masturbação. Ali, com a sua sabedoria, começou a descortinar-se para mim, como numa penumbra, o sentido da verdadeira salvação. Mas se contasse o problema para um dos presbíteros da igreja, seria sumariamente excluído da igreja. Pelo menos era o que eu pensava pela forma como éramos ensinados a viver a vida cristã. Ora, isso nunca foi arminianismo, mas com bastante complacência identifico como semipelagianismo: a salvação obtida pelo esforço humano.

Com o tempo passei a ter contato com as doutrinas da graça, a ler os mesmos livros citados pelo pastor Silas Daniel em sua entrevista, além de alguns outros, a fazer perguntas e mais perguntas, em diálogos imaginários com os autores das respectivas obras, com lógica e método na exposição do raciocínio, sem nunca abandonar a Bíblia, até que abraçar a fé reformada tornou-se algo natural, sem que houvesse necessidade da qualquer ruptura “explosiva”.

TP: Na sua opinião, quais são os motivos que levam inúmeros jovens  assembleianos a abraçarem o Calvinismo e a cosmovisão presbiteriana aqui no Brasil?


GC: Algumas razões já apresentei de forma implícita na resposta anterior, como a predominância do semipelagianismo em nossos púlpitos. Esse era o “arminianismo”que nos ensinavam. Mas convém sinalizar que a liderança assembleiana, com as honrosas exceções de praxe, sempre teve uma atitude refratária à educação teológica formal. Temos de ser realistas e encarar o fato sem maquiagem. Não éramos estimulados ao estudo acadêmico. João Kolenda Lemos e Ruth Dorris Lemos pagaram elevado preço para implantar o IBAD – Instituto Bíblico das Assembleias de Deus, a primeira instituição do gênero nas Assembleias de Deus, localizado em Pindamonhangaba, SP. É só folhear as páginas do Mensageiro da Paz do período, que serão encontrados artigos contrários e favoráveis ao ensino formal. Aliás, essa era uma qualidade que precisa ser exaltada. O Órgão Oficial assembleiano abrigava esse debate. Hoje, infelizmente, isso não mais acontece.

Outra questão a ser considerada é que a literatura pentecostal assembleiana, no Brasil, também era parca. Tínhamos poucos livros, a maioria de natureza devocional, mas praticamente nenhum de caráter acadêmico. Na verdade, uma de nossas maiores igrejas não adotava sequer a revista da Escola Dominical. A primeira obra sistemática de que me lembro, traduzida do inglês, foi “As Grandes Doutrinas da Bíblia”, de Myer Pearlman, que se tornou o livro de cabeceira dos pastores assembleianos. Já aqueles que conheciam o idioma de Shakespeare eram privilegiados e se tornavam a nossa fonte de conhecimento, visto que não tínhamos acesso a essas fontes primárias. Mas como os tempos mudam, houve também mudanças positivas, com a chegada dos seminários, faculdades teológicas, a publicação abundante de livros, as redes virtuais etc. Até mesmo a CPAD tornou-se a maior editora da América Latina, publicando também diversas obras de autores reformados, sem que eu tivesse qualquer influência nisso durante a minha gestão como Diretor de Publicações. Elas começaram a ser publicadas em fase posterior.

No vácuo que acabei de mencionar, de um lado, e a explosão das fronteiras da educação teológica formal, de outro, além da inexistência de obras em português tratando do arminianismo de forma consistente, nossos jovens começaram a ter contato com a literatura e a teologia reformadas, até mesmo através de professores de origem reformada em cátedras de nossos seminários e faculdades, criando assim todas as condições para o surgimento desse interesse. Não acredito que tenha sido algo orquestrado e desconheço que haja pessoas fazendo proselitismo, querendo “calvinizar” as Assembleias de Deus. Isso é forçar a barra. Mas aonde chego, encontro jovens e pessoas já maduras na idade, com boa formação, que acreditam na doutrina reformada, sem qualquer vestígio de proselitismo, e não criam nenhum problema nas igrejas onde professam a fé. Não acho que isso tenha sido um mal. Ao contrário, isso trouxe o nosso meio de forma mais efetiva o “espírito bereano” de cotejar a Escritura em busca de seu respaldo (ou não) para o que está sendo ensinado. Vejo também de modo muito positivo a aproximação entre a fé reformada e a fé pentecostal, partilhando a mesma trincheira em defesa das verdades do Evangelho.

TP: É visível uma reação arminiana entre os pentecostais. Ainda pequena, é bem verdade, mas com um potencial fantástico. Todavia, seria uma reação tardia?


GC: A rigor, a reação arminiana entre os pentecostais é tímida, na defensiva, a não em discussões de grupos no Facebook, onde mais predomina a carnalidade do que um debate sério e consistente entre as duas correntes. O próprio pastor Silas Daniel, na entrevista concedida ao blog, afirmou que sua manifestação era particular, embora contasse com a aprovação da direção superior da CPAD por tratar-se de uma revista institucional destinada aos obreiros da igreja. Mas é bom que essa reação aconteça e posso analisá-la sob duas perspectivas:

1.           Se o arminianismo for ensinado tal como Armínio o formulou ou com as características wesleyanas, isso permitirá que muitos pentecostais percebam o quão diferente é do semipelagianismo que ainda predomina em muitos púlpitos assembleianos. Quem fez essa excelente observação foi o irmão Clóvis Gonçalves, a quem considero o  melhor expoente da fé reformada no meio pentecostal. Ao descobrir isso, verão também que o calvinismo não é o tal “monstro” que alguns tentam criar em suas cabeças.

2.           A outra perspectiva é que se o intuito for cercear a liberdade cristã  ou promover uma “caça às bruxas”, a reação já nasce com espírito carnal e de forma tardia, pois as Assembleias de Deus, atualmente, enfrentam sérios problemas institucionais, de gravíssima monta, diga-se de passagem, além de estarem  extremamente fragmentadas, que lançar um debate com esse propósito  acabará por dilacerar o pouco de unidade que resta. Goste-se ou não, o número de reformados, hoje, é muito grande no meio assembleiano. Isto sem qualquer proselitismo.

TP: Alguns pastores assembleianos reagem ao Calvinismo tratando-o como "vento de doutrina", "novidade perniciosa", "heresia" e  outros adjetivos não amigáveis. Como você responde aos seus colegas de ministério?

GC: Radicais há de ambos os lados. Sob o guarda-chuva do calvinismo abrigam-se diferentes tendências. O mesmo pode-se dizer do arminianismo. Até o Teísmo Aberto encontra guarida sob o sistema, como deixa explícito Roger Olson em seu livro: Teologia Arminiana – Mitos e Realidades, e teve como um de seus principais expoentes Clark Pinnock, um dos autores da obra: “Predestinação e Livre-Arbítrio”, ao lado de Norman Geisler. Mas neste ponto, prefiro ficar com a posição que o pastor Silas Daniel expressou em sua entrevista, ao afirmar que o calvinismo honra a Deus tanto quanto o arminanismo – ele enumera as razões – e que em suas leituras de obras reformadas sempre apreciou a “paixão por Deus, pela pureza, pela santidade de Deus, pelo viver para a glória de Deus” de seus autores.

Só me soa contraditório, depois dessa afirmação extremamente conciliadora, propor que os calvinistas pentecostais deixem a Assembleia de Deus e busquem outra denominação, onde a fé reformada seja o cerne da doutrina. Aí acabou por jogar fora a água da bacia com o bebê e tudo. De minha parte, sempre cri que reformados e arminianos podem dar-se as mãos como cristãos, sem contradição alguma, sem ataques e agressões mútuas, que nada engrandecem a Deus e edificam o Reino. A título de ilustração, ontem mesmo vi no Facebook um arminiano chamando a fé reformada de demoníaca, enquanto um calvinista usava o mesmo epíteto para o Arminianismo. Há necessidade disso? É cristão agir dessa forma? Se ambas honram a Deus – repito – por que se digladiar tanto ao invés de lutarmos em defesa do evangelho. Fico com um pé atrás se essa reação “particular” não estaria sendo movida por segundas intenções, uma espécie de cortina de fumaça para encobrir graves problemas que a instituição assembleiana enfrenta.

TP: Como calvinista convicto você sempre mantém uma postura conciliatória.  Sendo assim, qual ponto positivo você poderia apontar no  Arminianismo?

GC: Se estamos falando de arminianismo clássico ou wesleyano, encontro os mesmos pontos positivos que o pastor Silas Daniel encontrou na fé reformada. Mas em se tratando da “mecânica da salvação, prefiro ficar com a essência do aforismo peculiar ao veterano pastor José Isaías Neto, vinculado ao Ministério do Belenzinho, em Sorocaba, SP, que do alto dos seus 80 anos, grande parte deles vivido ao lado de Cícero Canuto de Lima, assim afirma: “Não sou calvinista , nem preciso de Calvino para ir ao céu, mas em questão da salvação Calvino estava 100 % certo”.

TP: E  a Assembleia de Deus é tradicionalmente arminiana, embora lhe falte  a formalização de uma confessionalidade. É possível ser calvinista e assembleiano? Não seria uma distorção de identidade?

GC: Já expressei o meu ponto de vista sobre a questão logo na primeira pergunta. Embora tradicionalmente arminiana, o que sempre predominou nos púlpitos da AD, regra geral, foi o semipelagianismo. Dito isto, vamos a algumas indagações: todos os arminianos são pentecostais? São todos cessacionistas? Ora, assim como há arminianos cessacionistas e arminianos pentecostais, não vejo dificuldade alguma em que haja calvinistas pentecostais, assim como há calvinistas cessacionistas. Em relação à identidade assembleiana, cabe refletir: qual? A do reteté, com suas expressões cultuais estranhas ao genuíno pentecostalismo, como descrito em 1 Coríntios 12, 13 e 14? A do neopentecostalismo, que grassa em nosso meio a olhos vistos, com a introdução de ritos judaicos na liturgia? A do liberalismo, que já encontra eco em diversas cátedras de alguns dos nossos seminários? A do engessamento institucional e político-religioso, que tem devastado a unidade da igreja em nosso país? Ora, se o calvinismo honra a Deus, como bem expressou o pastor Silas Daniel, não vejo porque a presença de reformados na Assembleia de Deus, que não vivem por aí a fazer proselitismo, possa ferir a identidade da denominação.



quarta-feira, 22 de julho de 2015

PASTOR FAZ FIÉIS COMEREM COBRAS VIVAS EM CULTO

Pastor sul-africano faz seus fiéis comerem serpentes vivas



Réptil vira chocolate, diz Mnguni
O profeta sul-africano dos Ministérios do Final dos Tempos, Penuel Mnguni (foto), 25, faz com que seus fiéis comam serpentes vivas durante cultos. Ele diz que transforma esses répteis em chocolate e pedra em pão.

Fotos postadas no Facebook pelo profeta mostram seus seguidores engolindo serpentes. 

Mnguni já era famoso por obrigar seus fiéis a beberem gasolina como se fosse suco de abacaxi e a comerem grama.

A SPCA (Sociedade Protetora Sul-Africana dos Animais) denunciou o pastor à Justiça por cometer crueldade. 

“Imagine o que é ser comido vivo”, disse um porta-voz da sociedade. “Isto tem de parar.”

Protetores de animais visitaram a congregação do profeta, onde ele vive, para libertar serpentes, mas não as encontraram.

Pastor diz que captura as serpentes com o
seu poder divino
Mnguni disse que não tem serpentes em cativeiro porque as captura com seu poder divino antes dos cultos.

O Conselho Nacional Inter-religioso da África do Sul acusou o pastor de “danificar a sociedade”.

“O que ele faz nem sequer está fundamentado em uma Escritura Sagrada”, disse o reverendo Thamin Mvambo, membro do Conselho.





Em 2014 o site PAULOPES divulgou a seguinte matéria:


Pastor sul-africano faz seguidores comerem grama

Lesego Daniel diz que que está é uma forma de ficar mais perto de Deus

O pastor Lesego Daniel (foto ao lado), do Centro de Ministérios Rabboni, da África do Sul, fez com que seus seguidores em culto em Garankuwa comessem grama para ficar “mais perto de Deus”. A página no Facebook da própria igreja publicou na segunda-feira (6) uma foto onde aparecem os fiéis pastando. 

A estudante de direito Rosemary Phetha, 21, disse ao jornal local Times Live que não se envergonha de ter comido grama. “Isso demonstra que, com o poder de Deus, podemos fazer qualquer coisa.”

Afirmou que a dor de garganta que sentia há tempos passou quando comeu grama.

O pastor pisa em seus seguidores, como ocorreu recentemente em um culto para mil pessoas. Em outra ocasião, ele teria feito fiéis dormirem. Há imagens mostrando pessoas vomitando.

Daniel prega que o Espírito de Deus faz as pessoas comerem qualquer coisa.

O ministério de Daniel foi aberto em novembro de 2012 e desde então atrai cada vez mais devotos. 

Ele tem arrecadado dinheiro para construir a sede do seu minstério.

Uma devota enche a boca de grama

Fonte: Clique aqui


Nota: As bizarrices mostradas acima, embora tenham me deixado indignado, não me deixaram surpreso. Essas pessoas, que são dominadas por esses "pastores" marginais, e que, submetendo-se ao ridículo, agem como animais irracionais, não são muito diferentes das que pagam para assistir os shows do herético cantor Thalles Roberto. Enfim, é uma parte do povo que perece por falta de conhecimento. 

Pastor Hafner
Lausanne - Suíça