terça-feira, 15 de maio de 2012

19 - O LIVRO DE SALMOS


  • Autor: Davi e outros
  • Tema: Oração e Louvor
  • Data: Quase todo foi escrito entre os séculos X a V a.C.

Considerações Preliminares

O título hebraico dos Salmos é Tehillim, que significa "louvores"; o título na Septuaginta (tradução do Antigo Testamento para o grego, feita em c. 200 a.C.) é Psalmoi, que significa "cânticos para serem acompanhados por instrumentos de cordas". O título em português, "Salmos", deriva da Septuaginta.

A música desempenhava papel de importância no culto do antigo Israel (cf. Sl 149; 150; 1 Cr 15.16-22); os salmos eram os hinos do povo de Israel. Bem diferente de boa parte da poesia e do cântico do mundo ocidental, compostos com rima ou metrificação, a poesia e o cântico do Antigo Testamento tem por base o paralelismo de pensamento, em que a segunda linha (ou linhas sucessivas) da estrofe praticamente faz uma reiteração (paralelismo sinônimo), ou apresenta um contraste (paralelismo antitético), ou, de modo progressivo, completa (paralelismo sintético) a primeira linha. Todas as três formas de paralelismo caracterizam o Saltério. O salmo mais antigo conhecido vem de Moisés, no século XV a.C. (Salmo 90); os mais recentes provêm dos séculos VI e V a.C. (e.g., Salmo 137). A maioria dos salmos, no entanto, foi escrita no século X a.C., durante a era áurea da poesia em Israel.  

Os títulos descritivos que precedem a maioria dos salmos, embora não pertençam ao texto original, logo não inspirados, são muito antigos (anteriores à Septuaginta) e importantes. O conteúdo desses títulos varia, e forma diferentes grupos de salmos, como (1) o nome do autor (e.g., Salmo 47, "Salmo... entre os filhos de Corá"); (2) o tipo de salmo (e.g., Salmo 32, um "masquil", que significa uma poesia para meditação ou ensino); (3) termos musicais (e.g., Salmo 4, "Para o cantor-mor, sobre Neguinote [instrumentos de cordas]"); (4) notações litúrgicas (e.g., Salmo 45, "Cântico de Amor", i.e., um cântico para casamento); e (5) breves notações históricas (e.g., Salmo 3, "Salmo de Davi, quando fugiu... de Absalão, seu filho"). (Nota do Editor - em quase todas as Bíblias atuais, dependendo da agência publicadora e da respectiva versão e edição, cada salmo traz, antes de tudo, uma epígrafe [ou título], elaborada por essas agências. É evidente que essas epígrafes [bem como as demais através da Bíblia] não são inspiradas).


No tocante à autoria dos salmos, os títulos atribuem setenta e três deles a Davi, doze a Asafe (um levita com dons relacionados à música e à profecia, ver 1 Cr 15.16-19; 2 Cr 29.30), dez aos filhos de Corá (uma família talentosa na música), dois a Salomão, um a Hemã, um a Etã e um a Moisés. Com exceção de Moisés, Davi e Salomão, todos os outros autores mencionados eram sacerdotes ou levitas com vocação musical e com responsabilidade no culto sagrado durante o reinado de Davi. Cinqüenta salmos são anônimos. As referências bíblicas e históricas sugerem que Davi (cf. 1 Cr 15.16-22), Ezequias (cf. 2 Cr 29.25-30; Pv 25.1) e Esdras (cf. Ne 10.39; 11.22; 12.27-36,45-47) participaram, em suas respectivas épocas, da compilação dos salmos para o uso no culto público em Jerusalém. A compilação final do Saltério deu-se mais provavelmente nos dias de Esdras e de Neemias (450-400 a.C.).       

Propósito

Os salmos, como orações e louvores inspirados pelo Espírito, foram escritos para, de modo geral, expressarem as mais profundas emoções íntimas da alma em relação a Deus. (1) Muitos foram escritos como orações a Deus, como expressão de (a) confiança, amor, adoração, ação de graças, louvor e anelo por maior comunhão com Deus; (b) desânimo, intensa aflição, medo, ansiedade, humilhação e clamor por livramento, cura ou vindicação. (2) Outros foram escritos como cânticos de louvor, ação de graças e adoração, exaltando a Deus por seus atributos e pelas grandes coisas que Ele tem feito. (3) Certos salmos contêm importantes trechos messiânicos.

Visão Panorâmica

O Saltério, uma antologia de 150 Salmos, abarca ampla gama de temas, inclusive revelações a respeito de Deus, da criação, da raça humana, do pecado e do mal, da justiça e da santidade, da adoração e do louvor, da oração e do juízo. Alude a Deus de modo ricamente variado: como fortaleza, rocha, escudo, pastor, guerreiro, criador, rei, juiz, redentor, sustentador, aquele que cura e vingador; Deus expressa amor, ira e compaixão; Ele é onipotente, onisciente e onipresente. O povo de Deus é também descrito de várias maneiras: como a menina dos olhos de Deus, ovelhas, santos, retos e justos que Ele livrou do lamaçal escorregadio do pecado e pôs seus pés na rocha, dando-lhes um cântico novo. Deus dirige os seus passos, satisfaz seus anseios espirituais, perdoa todos os seus pecados, cura todas as suas enfermidades e lhes provê uma habitação eterna.


Um bom método para estudar o livro é fazê-lo pelas categorias classificatórias dos salmos (algumas dessas categorias se sobrepõem parcialmente). (1) Cânticos de Aleluia ou de Louvor: engrandecem o nome, a majestade, a bondade, a grandeza, e a salvação de Deus (e.g., Sl 8; 21; 33; 34; 103 ao 106; 111; 113; 115; 117; 135; 145; 150). (2) Cânticos de Ação de Graças: reconhecem o socorro e livramento divinos, em muitas ocasiões, em favor do indivíduo ou de Israel como nação (e.g., Sl 18; 30; 34; 41; 66; 100; 106; 116; 126; 136; 138). (3) Salmos de Oração e Súplica: incluem lamentos e petições diante de Deus, sede de Deus e intercessão em favor do seu povo (e.g., Sl 3; 6; 13; 43; 54; 67; 69 ao 70; 79; 80; 85 ao 86; 88; 90; 102; 141; 143). (4) Salmos PenitenciaisSl 32; 38; 51; 130). (5) Cânticos da História Bíblica: narram como Deus lidou com a nação de Israel (e.g., Sl 78; 105; 106; 108; 114; 126; 137). (6) Salmos da Majestade Divina: declaram convictamente que o "Senhor reina" (e.g., Sl 24; 47; 93; 96 ao 99). (7) Cânticos Litúrgicos: compostos para cultos ou eventos festivos especiais (e.g., Sl 15; 24; 45; 68; 113 ao 118; estes seis últimos eram cantados anualmente na Páscoa). (8) Salmos de Confiança e de Devoção: expressam (a) a confiança que o crente tem na integridade de Deus e no conforto da sua presença e (b) a devoção da alma a Deus (e.g., Sl 11; 16; 23; 27; 31 ao 32; 40; 46; 56; 62 ao 63; 91; 119; 130 ao 131; 139). (9) Cânticos de Romagem: também chamados "Cânticos de Sião" ou "Cânticos dos Degraus". Eram cantados pelos peregrinos , a caminho de Jerusalém  para celebrarem as festas anuais da Páscoa, de Pentecoste e dos Tabernáculos ((e.g., Sl 43; 46; 48; 76; 84; 87; 120 ao 134). (10) Cânticos da Criação: reconhecem a obra de Deus na criação dos céus e da terra (e.g., Sl 8; 19; 33; 65; 104). (11) Salmos Sapienciais e Didáticos (e.g., Sl 1; 34; 37; 73; 112; 119; 133). (12) Salmos Régios ou Messiânicos: descrevem certas experiências de Davi ou Salomão com significado profético, cujo cumprimento pleno terá lugar à vinda do Messias, Jesus Cristo (e.g., Sl 2; 8; 16; 22; 40; 41; 45; 68; 69; 72; 89; 102; 110; 118). (13) Salmos Imprecatórios: invocam a maldição ou condenação divina sobre os ímpios (e.g., Sl 7; 35; 55; 58; 59; 69; 109; 137; 139.19-22). Muitos crentes ficam perplexos quanto a estes salmos, porém, deve-se observar que eles foram escritos por zelo pelo nome de Deus, por sua justiça  e sua retidão, e por intensa aversão à iniqüidade, e não por simples vingança. Em suma: clamam a Deus para Ele elevar os justos e abater os ímpios.     

Características Especiais

Nove características principais assinalam o livro de Salmos . (1) É o maior livro da Bíblia, e contém o capítulo mais extenso (119.1-176), o capítulo mais curto (117.1,2) e o versículo central da Bíblia (118.8). (2) É o hinário e livro devocional dos hebreus, e a sua profundidade e largueza espirituais fazem com que este livro seja o mais lido e estimado do Antigo Testamento, pela maioria dos crentes. (3) "Aleluia" (traduzido por "louvai ao Senhor" em algumas Bíblias), um termo hebraico universalmente conhecido pelos cristãos. Ele ocorre vinte e oito vezes na Bíblia, sendo que vinte e quatro estão no livro de Salmos. O Saltério chega ao seu auge no Salmo 150, com uma manifestação de louvor completo, harmonioso e perfeito ao Senhor. (4) Nenhum outro livro da Bíblia expressa tão bem a gama inteira das emoções e necessidades humanas em relação a Deus e à vida humana. Suas expressões de louvor e devoção fluem dos picos mais altos, da comunhão com Deus, e seus brados de desespero ecoam dos vales mais profundos do sofrimento. (5) Cerca de metade dos salmos  consiste de orações de fé em tempos de tribulação. (6) é o livro do Antigo Testamento mais citado no Novo Testamento. (7) Contém muitos dos "capítulos prediletos" da Bíblia, como Sl 1; 23; 34; 37; 84; 91; 103; 119; 121; 139; e 150. (8) O Sl 119 é único na Bíblia por: (a) seu tamanho (176 versículos), (b) seu grandioso amor à Palavra de Deus, (c) sua estrutura literária que compreende vinte e duas estrofes de oito versículos cada, sendo que dentro de cada estrofe, cada versículo inicia com a mesma letra, segundo a ordem das 22 letras do alfabeto hebraico, formando um acróstico alfabético. (9) A característica literária principal do livro é um estilo poético chamado paralelismo, que utiliza mais o ritmo dos pensamentos do que o ritmo da rima ou da métrica. Esta característica possibilita a tradução da sua mensagem de um idioma para outro sem muita dificuldade.     

O Livro de Salmos ante o Novo Testamento

Há 186 citações dos Salmos no Novo Testamento, o que ultrapassa qualquer outro livro do Antigo Testamento. É fato claro que Jesus e os escritores do Novo Testamento conheciam muito bem os salmos, e que o Espírito Santo usou muitas passagens do livro nos ensinos de Jesus, bem como em ocasiões em que Ele cumpriu as Escrituras como o Messias predito: por exemplo, o breve Salmo 110 (com sete versículos) é mais citado no Novo Testamento do que qualquer outro capítulo do Antigo Testamento. Ele contém profecias sobre Jesus como o Messias, como o Filho de Deus e como sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque. Outros salmos messiânicos referentes a Jesus no Novo Testamento são: 2; 8; 16; 22; 40; 41; 45; 68; 69; 89; 102; 109 e 118. Referem-se a: (1) Jesus como profeta, sacerdote e rei; (2) sua primeira e segunda vinda; (3) sua qualidade de Filho de Deus e seu caráter; (4) seus sofrimentos e morte expiatória; e (5) sua ressurreição. Resumindo: os salmos contêm algumas das profecias mais minuciosas de todo o Antigo Testamento a respeito de Cristo e, a cada passo, vemo-las fartamente entretecida na mensagem dos escritores do Novo Testamento. 


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BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, Edição de 1995, ano 2002, pp. 813, 814, 815 e 816.

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