quarta-feira, 11 de julho de 2012

21 - O LIVRO DE ECLESIASTES



  • Autor: Salomão e outros
  • Tema: A Nulidade da Vida à Parte de Deus
  • Data: Cerca de 935 a.C.

Considerações Preliminares

O título deste livro no Antigo Testamento hebraico é koheleth (derivado de kahal, "reunir-se"). Literalmente, significa, "aquele que reúne uma assembléia e lhe dirige a palavra". Este termo ocorre sete vezes no livro (1.1,2,12; 7.27; 12.8-10) e é geralmente traduzido por "pregador" ou "mestre". A palavra correspondente no grego da Septuaginta é ekklesiastes, e dela deriva o título "Eclesiastes" em português. A obra inteira, portanto, é uma série de ensinos por um orador público bem conhecido.

Crê-se, geralmente, que o autor é Salomão, embora seu nome não apareça no livro, como em Provérbios (e.g., Pv 1.1; 10.1; 25.1) e em Cantares (Ct 1.1). Vários trechos, no entanto, sugerem a sua autoria. (1) O autor identifica-se como o filho de Davi, que reinou em Jerusalém (Ec 1.1,12). (2) Faz alusão a si mesmo como o governante mais sábio do povo de Deus (Ec 1.16) e como o escritor de muitos provérbios (Ec 12.9). (3) Seu reino tornou-se conhecido por causa das riquezas e grandezas (Ec 2.4-9). Tudo isso encaixa-se na descrição bíblica do rei Salomão (cf. 1 Rs 2.9; 3.12; 4.29-34; 5.12; 10.1-8). Além disso, sabemos que Salomão, vez por outra, reunia uma assembléia e discursava diante dela (e.g., 1 Rs 8.1). A tradição judaica atribui o livro a Salomão. Por outro lado, o fato de seu nome não aparecer declaradamente em Eclesiastes (apesar de sê-lo nos seus dois outros livros) pode sugerir que outra pessoa auxiliou na compilação do livro. Deve-se considerar que o livro é de Salomão, mas que por certo foi compilado posteriormente na sua forma atual por outra pessoa, assim como ocorreu com certas partes do livro de Provérbios (cf. Pv 25.1).

Liturgicamente, o livro de Eclesiastes é um dos cinco rolos da terceira parte da Bíblia Hebraica, os Hagiographa ("Escritos Sagrados"), cada um dos quais era lido em público anualmente numa das festas sagradas judaicas. Eclesiastes era assim lido na Festa dos Tabernáculos.

Propósito

Segundo a tradição judaica, Salomão escreveu Cantares quando jovem; Provérbios, quando estava na meia-idade, e Eclesiastes, no final da vida. O efeito conjunto do declínio espiritual de Salomão, da sua idolatria e da sua vida extravagante, deixou-o por fim desiludido com os prazeres desta vida e o materialismo, como caminho da felicidade. Eclesiastes registra suas reflexões negativistas a respeito da futilidade de buscar felicidade nesta vida, à parte de Deus e da sua Palavra. Ele teve riquezas, poder, honrarias, fama e prazeres sensuais em grande abundância, mas no fim, o resultado de tudo foi o vazio e a desilusão: "vaidade de vaidades! É tudo vaidade" (Ec 1.2). Seu propósito principal ao escrever Eclesiastes pode ter sido compartilhar com o próximo, especialmente os jovens, antes de morrer, seus pensamentos e seu testemunho, a fim de que outros não cometessem os mesmos erros que ele cometera. Revela de uma vez por todas, a total futilidade do ser humano considerar bens materiais e conquistas pessoais como os reais valores da vida. Embora os jovens devam desfrutar da sua juventude (Ec 11.9,10), o mais importante é que se dediquem ao seu Criador ((Ec 12.1) e que decidam temer a Deus e guardar os seus mandamentos (Ec 12.13,14). Esse é o único caminho que dá sentido à vida.  

Visão Panorâmica

É difícil fazer uma análise precisa de Eclesiastes. Sem muito trabalho, nenhum esboço consegue um bom ordenamento de todos os versículos ou parágrafos deste livro. Em certo sentido, Eclesiastes parece uma seleção de trechos do diário pessoal de um filósofo, nos seus últimos anos, com suas desilusões. Começa com uma declaração do tema predominante: a vida no seu todo é vaidade e aflição de espírito (Ec 1.1-14). O primeiro grande bloco de matéria do livro é estritamente autobiográfico; Salomão aborda os fatos principais da sua vida altamente egocêntrica, envolta em riquezas, prazeres e sucessos materiais (Ec 1.12 - 2.23). A vida "debaixo do Sol" (expressão que ocorre vinte e nove vezes no livro) é a vida segundo o conceito do homem incrédulo, caracterizada pela injustiça, incertezas, mudanças inesperadas no setor das riquezas e justiça falha. Salomão consegue divisar o verdadeiro alvo da vida somente quando olha "para além do Sol", para Deus. Viver somente para a busca do prazer terreno é mediocridade e estultícia; a juventude é demasiadamente breve e fugaz para ser esbanjada insensatamente. O livro termina, mandando os jovens lembrarem-se de Deus na sua juventude, para não chegarem à idade avançada com amargos lamentos e triste incumbência de prestar contas a Deus por uma vida desperdiçada.

Características Especiais

Cinco características principais destacam Eclesiastes. (1) É um livro nitidamente pessoal, no qual o autor freqüentemente emprega o pronome pessoal "eu", ao longo dos dez primeiros capítulos. (2) Sob o negativismo subjacente do autor, o livro revela que a vida, à parte de Deus, é incerta e repleta  de vaidade (a palavra  "vaidade" ocorre no livro trinta e sete vezes). Salomão observa em atitude negativista os vários paradoxos e inquietações da vida (ver, e.g., Ec 2.23 e 2.24; 8.12 e 8.13; 7.3 e 8.15). (3) A essência dos conselhos de Salomão no livro está nos seus dois últimos versículos: "Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem" (Ec 12.13,14). (4) O estilo literário do livro é irregular; seu vocabulário e sintaxe são dos mais difíceis no hebraico do Antigo Testamento e não se encaixam bem em nenhum período específico da literatura hebraica. (5) Contém a alegoria mais pitoresca da Bíblia, alusiva à pessoa quando envelhece (Ec 12.2-7).

O Livro de Eclesiastes ante o Novo Testamento     

Possivelmente, apenas um texto de Eclesiastes é citado no Novo Testamento (Ec 7.20 em Rm 3.10, sobre a universalidade do pecado). Todavia, não deixa de haver várias e possíveis alusões: Ec 3.17; 11.9; 12.14, em Mt 16.27; Rm 2.6-8; 2 Co 5.10; 2 Ts 1.6,7; Ec 5.15, em 1 Tm 6.7. A conclusão do autor, quanto à futilidade da busca de riquezas materiais, Jesus a reiterou quando disse: (1) que não devemos acumular tesouros na terra (Mt 6.19-21,24); e (2) que é estultícia alguém ganhar o mundo inteiro e perder a própria alma (Mt 16.26). O tema de Eclesiastes, de que a vida, à parte de Deus, é vaidade e nulidade, prepara o caminho para a mensagem do Novo Testamento, a da graça: o contentamento, a salvação e a vida eterna, nós os obtemos como dádiva de Deus (cf. Jo 10.10; Rm 6.23).

De várias maneiras este livro preparou o caminho para a revelação do Novo Testamento, no sentido inverso. Suas freqüentes referências à futilidade da vida, e à certeza da morte, preparam o leitor para a resposta de Deus sobre a morte e o juízo, isto é, a vida eterna por Jesus Cristo. Salomão, como o homem mais sábio do Antigo Testamento, não conseguiu respostas satisfatórias para os seus problemas da vida através de prazeres egoístas, riqueza e acúmulo de conhecimento. Portanto, deve-se buscar a resposta nAquele de que o Novo Testamento afirma que "é mais do que Salomão" (Mt 12.42), isto é, em Jesus Cristo, "em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência" (Cl 2.3).  


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BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, Edição de 1995, ano 2002, pp. 964, 965 e 966.

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