domingo, 29 de abril de 2012

18 - O LIVRO DE JÓ


  • Autor: Desconhecido
  • Tema: Por Que Sofre o Justo?
  • Data: Incerta

Considerações Preliminares

Jó é um dos livros sapienciais e poéticos do Antigo Testamento; "sapiencial", porque trata profundamente de relevantes assuntos universais da humanidade; "poético", porque a quase totalidade do livro está elaborada em estilo poético.  Sua poesia, todavia, tem por base um personagem histórico e real (ver Ez 14.14,20) e um evento histórico e real (ver Tg 5.11). Os fatos do livro se desenrolam na "terra de Uz" (Jó 1.1), que posteriormente veio a ser o território de Edom, localizado a sudeste do mar Morto, ou norte da Arábia (cf. Lm 4.21). Assim sendo, o contexto histórico de Jó é mais árabe do que judaico. 

Há duas datas importantes relacionadas a Jó: (1) a data do próprio Jó e dos eventos descritos no livro; e (2) a data da escrita inspirada do livro. Certos fatos indicam que Jó viveu por volta dos tempos de Abraão (2000 a.C.) ou até antes. Os fatos mais destacados são: (1) ele ter vivido mais 140 anos após os eventos do livro (Jó 42.16), o que sugere uma duração de vida de quase 200 anos (Abraão viveu 175 anos); (2) suas riquezas eram calculadas em termos de gado (Jó 1.3; 42.12); (3) sua atividade como sacerdote da família, idêntica à de Abraão, Isaque e Jacó (Jó 1.5); (4) a família patriarcal como unidade social básica, semelhante aos dias de Abraão (Jó 1.4,5,13); (5) as incursões dos sabeus (Jó 1.15) e dos caldeus (Jó 1.17), que se encaixam na era abraâmica; (6) o uso freqüente (trinta e uma vezes) do nome patriarcal  comum de Deus, Shaddai ("O Onipotente"), e (7) a ausência de referência a fatos da história israelita ou à lei mosaica também sugere uma era pré-mosaica (i.e., antes de 1500 a.C.). 

Há três diferentes pontos de vista sobre a data escrita deste livro. Talvez tenha sido escrito: (1) durante a era patriarcal (c. 2000 a.C.), pouco depois da ocorrência dos eventos citados, e talvez pelo próprio Jó; (2) durante o reinado de Salomão ou pouco depois (c. 950 - 900 a.C.), pelo fato de o estilo literário do livro assemelhar-se ao da literatura sapiencial daquele período; ou (3) durante o exílio de Judá (c. 586 - 538 a.C.), quando, então, o povo de Deus procurava entender teologicamente o significado da sua calamidade (cf. Sl 137). Se não foi o próprio Jó, o escritor deve ter obtido informações detalhadas, escritas ou orais, oriundas daqueles dias, as quais ele utilizou sob o impulso da inspiração divina para escrever o livro na feição em que o temos. Certas partes do livro vieram evidentemente da revelação direta de Deus (e.g. Jó 1.6 - 2.10).

Propósito

O livro de Jó lida com a pergunta dos séculos: "Se Deus é justo e amoroso, por que permite que um homem realmente justo, tal com Jó (Jó 1.1,8) sofra tanto?" Sobre esse assunto o livro revela as seguintes verdades: (1) Satanás, como adversário de Deus, teve permissão para provar a autenticidade da fé de um homem justo, por meio da aflição, mas a graça de Deus triunfou sobre o sofrimento, porque Jó permaneceu firme e constante na fé, mesmo quando parecia não haver qualquer proveito em permanecer fiel a Deus. (2) Deus lida com situações demais elevadas para a plena compreensão da mente humana (Jó 37.5). Nesses casos, não vemos as coisas com a amplitude que Deus vê e precisamos da sua graciosa auto-revelação (Jó caps. 38 a 41). (3) A verdadeira base da fé acha-se, não nas bênçãos de Deus, nem em circunstâncias pessoais, nem em teses formuladas pelo intelecto, mas na revelação do próprio Deus. (4) Deus, às vezes, permite que Satanás prove os justos mediante contratempos, a fim de purificar a sua fé e vida, assim como o ouro é refinado pelo fogo (Jó 23.10; cf. 1 Pe 1.6,7). Tal provação resulta numa maior integridade espiritual e humildade do seu povo (Jó 42.1-10). (5) Embora os métodos de Deus agir, às vezes, pareçam contraditórios e cruéis (conforme o próprio Jó pensava), ver-se-á, no fim, que Ele é plenamente compassivo e misericordioso (Jó 42.7-17; cf. Tg 5.11).

Visão Panorâmica

Há cinco divisões distintas no livro de Jó: (1) o prólogo (capítulos 1 ao 2), que descreve a calamidade de Jó e a causa subjacente disso; (2) três ciclos de diálogo entre Jó e os seus três amigos, nos quais estes buscam, na mente humana, respostas para o sofrimento de Jó (capítulos 3 ao 31); (3) quatro monólogos de Eliú, um homem de menos idade que Jó e seus três amigos. Estes monólogos contêm certo vislumbre de compreensão do significado (mas não a causa) do sofrimento de Jó (capítulos 32 ao 37); (4) o próprio Deus, que fala a Jó da sua ignorância e das suas queixas e ouve a resposta de Jó à sua revelação (capítulos 38.1 ao 42.6); (5) o epílogo (capítulo 42.7-17), com a restauração de Jó. O livro de Jó está escrito em forma poética, com exceção do prólogo, do trecho 32.1-6a, e do epílogo.

No capítulo 1, temos Jó como um homem justo e temente a Deus (Jó 1.1,8) e o mais importante de todos do Oriente (Jó 1.3). Repentinamente, uma série de grandes calamidades destruiu seus bens, seus filhos e sua saúde (Jó 1.13-22; 2.7-10). Jó ficou totalmente desorientado, sem saber que estava envolvido a fundo num conflito entre Deus e Satanás (Jó 1.6-12; 2.1-6). Os três amigos de Jó - Elifaz, Bildade e Zofar - chegaram para consolar Jó, mas, em vez disso, passaram a debater com ele sobre o porquê dos seus infortúnios. Insistiam que, pelo fato de Deus ser justo, os sofrimentos de Jó evidentemente eram castigos por seus pecados ocultos, e que o seu único recurso era o arrependimento. Jó rejeitou essas respostas preconcebidas, afirmou a sua inocência e confessou sua incapacidade de compreender sua situação (capítulos 3 ao 31). Eliú apresentou outra perspectiva, a saber, que o sofrimento de Jó tinha a ver com o propósito divino de purificar Jó ainda mais (capítulos 32 ao 37).

Finalmente todos se calaram, inclusive Jó, enquanto o próprio Deus falou com ele da sua sabedoria e poder como Criador. Jó confessou, arrependido e humilhado, sua ignorância e pequenez (capítulos 38 ao 41). Quando Jó arrependeu-se de estar argumentando com o Todo-poderoso (Jó 42.5,6), e orou por seus amigos que o tinham magoado profundamente (Jó 42.8,10), foi liberto da sua prova de fogo e duplamente restaurado (Jó 42.10). Além disso, Jó foi vindicado quando Deus declarou que o patriarca tinha falado a respeito dEle "o que era reto" (Jó 42.7). Os dias subseqüentes de Jó foram mais abençoados do que os anteriores à sua aflição (Jó 42.12-17). 

Características Especiais

Sete características principais assinalam o livro de Jó: (1) Jó, um habitante do norte da Arábia, foi um não-israelita justo e temente a Deus, que talvez tenha existido antes da família de Israel, e do seu concerto com Deus (Jó 1.1). (2) Este livro é o mais profundo que existe sobre o mistério do sofrimento do justo. (3) Revela uma dinâmica importante, presente em toda prova severa dos santos: enquanto Satanás procura destruir a fé dos santos, Deus está operando para depurá-la e aprofundá-la. A perseverança de Jó na sua fé permitiu que o propósito de Deus prevalecesse  sobre a expectativa de Satanás (cf. Tg 5.11). (4) o livro é de valor inestimável pela revelação bíblica que contém sobre assuntos-chaves tais como: Deus, a raça humana, a criação de Satanás, o pecado, o sofrimento, a justiça, o arrependimento e a fé. (5) Boa parte do livro ocupa-se da avaliação teológica errônea que os amigos de Jó fizeram do sofrimento deste. A repetição freqüente desta avaliação errônea no livro talvez indique tratar-se de um erro comum entre o povo de Deus; erro este que exige correção. (6) O papel de Satanás como "adversário" dos justos, o livro de Jó o demonstra mais do que em qualquer outro livro do Antigo Testamento. Entre as dezenove referências nominais a Satanás no Antigo Testamento, quatorze ocorrem em Jó. (7) Jó demonstra com toda clareza o princípio bíblico de que os crentes são transformados pela revelação, e não pela informação (Jó 42.5,6).

O Livro de Jó e Seu Cumprimento no Novo Testamento

O Redentor a quem Jó confessa (Jó 19.25-27), o Mediador por quem ele anseia (Jó 9.32,33) e as respostas às suas perguntas e necessidades mais profundas, todos têm em Jesus Cristo o seu cumprimento. Jesus identificou-se inteiramente com o sofrimento humano (cf. Hb 4.15,16; 5.8), ao ser enviado pelo Pai como Redentor, mediador, sabedoria, cura, luz e vida. A profecia da parte do Espírito sobre a vinda de Cristo, temo-la mais claramente em Jó 19.25-27. Menção explícita de Jó, temos duas vezes no Novo Testamento: (1) uma citação (Jó 5.13 , em 1 Co 3.19) e (2) uma referência à perseverança de Jó na aflição e o resultado misericordioso da maneira de Deus lidar com ele (Tg 5.11). Jó ilustra muito bem a verdade neotestamentária de que quando o crente experimenta perseguição ou algum outro severo sofrimento, deve perseverar firme na fé e continuar a confiar naquele que julga corretamente, assim como fez o próprio Jesus quando aqui sofreu (1 Pe 2.23). Jó 1.6 a 2.10 é o mais detalhado quadro do nosso adversário, juntamente com 1 Pe 5.8,9.


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ESTUDOS ANTERIORES


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BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, Edição de 1995, ano 2002, pp. 766, 767 e 768.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Estudo sobre o Tabernáculo - Parte 2

Esta é a segunda parte do estudo sobre o Tabernáculo que o Senhor Deus determinou que Moisés construísse. É um estudo maravilhoso, que nos mostra como Deus está no controle de todas as coisas, nos seus mínimos detalhes - Ele conhece o passado, controla o presente e anuncia o futuro. Aleluia!  

O POSTE


"Deus disse a Moisés: 'Trazei madeira de acácia'. Vocês se lembram que a acácia simboliza o corpo incorruptível? A madeira, simboliza a carne. A acácia, o incorruptível. A acácia era a única madeira encontrada nos desertos do Oriente, os desertos da Arábia, e ela nos fala da perfeição do filho do Deus Vivo, cujo o corpo não conheceu corrupção.

Porém Deus disse: 'Quero que o poste seja forrado no topo com prata [redenção], e que a base tenha bronze [sofrimento]. E quero uma corda de pêlo de cabra atada ao poste e bem presa ao chão'.

Pêlo de cabra nos fala de pecado. Em Levítico 9.3, a Bíblia declara que o cabrito macho era uma oferta de perdão. Deus disse: 'Quero que ates a este poste uma corda de pêlo de cabra que esteja amarrado embaixo com uma estaca de bronze enterrada no chão metade dentro, metade fora'.

Deixe-me mostrar todo o Evangelho em um poste, um topo, uma base, uma corda e uma estaca. Creio que isto é glorioso, a sombra do que virá. E, finalmente, tomemos a substância. A sombra era tudo o que tinham até então. Deixe-me mostrar-lhes o Evangelho com estas cinco coisas.

Aqui está outra vez o poste: JESUS, o Homem Perfeito.

  • Na madeira incorruptível que fala de um corpo incorruptível - que foi meu Redentor;
  • na prata - que foi meu Salvador;
  • no bronze - que se fez pecado por mim;
  • no pêlo de cabra (Lv 9.3) - que sofreu e morreu;
  • na estaca de bronze e que foi enterrado até a metade. E a outra metade está fora porque Ele ressuscitou dos mortos.
  •   
Aleluia! Aqui temos Jesus, o Homem perfeito na madeira de acácia, que é meu Redentor, que é o meu Salvador, que se fez pecado por mim, que sofreu e morreu por mim, foi sepultado, mas ressuscitou. Imagine: o povo de Israel tinha todo o Evangelho em um poste, uma corda e uma estaca, e não podiam vê-lo. Por quê? Porque o que tinham era a sombra e não podiam entendê-la. Mas nós hoje temos a substância desta sombra.

Pense nisto: se a glória de Deus repousou sobre uma sombra, quanto mais sobre a substância. Se a nuvem cobria a sombra durante o dia, quanto mais cobrirá hoje aqueles que têm a substância. Se o fogo cobriu o que era uma sombra, quanto mais cairá esse fogo sobre nós que levamos essa substância.

Em Êxodo 25.8, Deus disse a Moisés: 'E me farão um santuário e habitarei no meio deles'. Isto é somente uma sombra do santuário. Quem é o santuário? Você e eu. Quando Jesus veio formou para Si mesmo um corpo e agora Ele habita em nossos corações; é Ele quem vive em nós. Tudo isto é o santuário, a sombra do atual e verdadeiro, o corpo de Cristo. O poste e o topo, a base e a corda, a estaca. Jesus, todo o Evangelho aqui e não podiam vê-lo. Porém, quando Jesus veio, nossos olhos foram abertos e vimos o filho de Deus e Ele nos transformou neste santuário, enchendo-nos com a nuvem do Espírito Santo; enchendo-nos com Seu fogo e Seu poder.

O que aconteceu no Pentecostes? A presença de Deus encheu o lugar e línguas de fogo desceram sobre os apóstolos e eles foram cheios do Espírito Santo e de poder. Lembre-se: a nuvem fala da presença de Deus, enquanto o fogo fala do poder de Deus. Se o fogo, que é o poder, e a nuvem, que é a presença, repousaram sobre a sombra simbolizando a glória que viria a cada crente, quanto mais terá que repousar sobre nós?

Agora vamos entrar e experimentar esta mesma glória.



O ALTAR DE SACRIFÍCIOS

Ao entrar o que vemos primeiro é o Altar de Sacrifícios. Os sacerdotes viam este Altar logo que passavam pelo portão. E deste lugar podiam ver toda a cerca de 60 pilares que Deus mandou Moisés fazer. Não há detalhe sem sentido na Palavra de Deus. Não há detalhe que não tenha sentido na Palavra de Deus. Cada coisa que Deus dava tinha um sentido por trás. Cada coisa que Deus dizia era vitalmente importante.

Ele disse a Moisés: 'Quero que tenha 60 pilares para sustentar a cerca'. Bem, por que sessenta? Na Bíblia:

  • Seis = é o número do homem.
  • Dez = é o número da responsabilidade.

Significa que Jesus, o Filho de Deus, se fez homem e cumpriu com nossas responsabilidades. Nas áreas em que nós falhamos Jesus assumiu e cumpriu nossas responsabilidades para com Deus. Deus olhou e disse: 'O homem me tem falhado'. Mas Jesus veio e tomou nosso lugar, nosso pecado e nossas fraquezas. É disto que tratam os 60 pilares: Jesus fazendo-se homem e cumprindo com nossas responsabilidades.

Creio que é glorioso. Porém aqui, neste Altar de Sacrifício, é onde tudo começa, logo que os sacerdotes entravam. E agora, quero mostrar-lhes nas Escrituras tudo o que é referente ao Altar.

Jesus cumpriu com nossas responsabilidades. Mas agora estamos aqui, junto ao Altar de Sacrifício: a primeira coisa que os sacerdotes viam ao entrar. E lembre-se: a porta era uma sombra de Cristo, O Caminho. Em outras palavras: uma vez que conhecemos o Senhor como Salvador, e passamos por esta porta, nos deparamos com o Altar.

experimentar a presença de Deus, você não pode entrar no lugar santíssimo sem antes experimentar e compreender o poder do Sangue:

  • Efésios 1.7 diz que o sangue nos dá perdão.
  • I João 1.7 diz que o sangue nos limpa.
  • Romanos 5.9 diz que o sangue nos justifica.
  •   
Assim que:

  • pelo sangue temos perdão,
  • pelo sangue somos limpos e
  • pelo sangue somos justificados.

E aqui há algo glorioso:

  • perdão sempre tem a ver com o passado;
  • ser limpo tem a ver com o presente;
  • mas a justificação está relacionada com o futuro.

Ou seja: o Sangue de Cristo, o Filho de Deus, já se ocupou do seu passado, do seu presente e do seu futuro. Isto é glorioso! Efésios 1.7 declara que o Sangue nos traz perdão. Perdão do quê? Dos nossos pecados e iniquidades do passado. E mais, I João diz: 'Porém, se andarmos na luz como Ele na luz está, então o sangue de Jesus nos limpa, no presente, nos limpa de todo o pecado'. Limpar-nos está relacionado a quedas e erros do presente.

Quer dizer: se você está falando com alguém e você falha ou alguma fraqueza te derruba, tudo o que você tem a dizer é: 'Senhor, perdoa-me', e o Sangue instantaneamente te limpa. Você fica limpo neste mesmo instante, como se não tivesse feito nada. Mas o Sangue também justifica. Romanos 5.9 diz: 'somos justificados da ira que virá'. O Sangue tem trazido justificação da ira que virá e vemos o futuro envolvido aqui.

Bem, podemos pensar: 'Isto não nos dá permissão para pecar?' O povo não precisa de permissão para pecar. Mas, se você anda em obediência a Ele, se você vive para Ele, se O ama e O serve, se você é Seu filho, se realmente nasceu de novo, você não vai sair e viver pecando. É impossível agir assim se você nasceu de novo. É impossível planejarmos o pecado. É impossível dizer: 'eu vou fazer assim e assim' e planejar e pecar; falhamos porque somos fracos. Não planejamos, apenas acontece. É por isso que o Sangue está ali para nos limpar. E o futuro está resolvido porque a graça nos justifica. Como isto é maravilhoso!

Voltemos ao Altar de Sacrifícios pois, não só nos revela o Sangue e o poder do Sangue, mas também o lugar da morte. Você não pode experimentar o poder de Deus sem experimentar a morte; a morte da carne, de si mesmo.

A Bíblia nos diz que devemos crucificar a carne. Aqui é onde a morte ocorre. A primeira coisa que os sacerdotes viam ao entrar no Tabernáculo era o lugar da morte. Nossa primeira experiência após nascermos de novo é encarar a cruz, o lugar da morte. Jesus disse: 'Se alguém quiser vir após mim, tome a sua cruz e siga-me'. A cruz é simbolo de morte.

As pessoas me perguntam: 'Como a unção veio sobre a sua vida? Como tudo aconteceu?' Sempre respondo o mesmo: 'Quando morri'.

Como se morre? [...] Deixe-me mostrar-lhes. Vamos aos Salmos 63. Quero que entenda isto. É Glorioso. Verso 1: 'Ó Deus, Tu és o meu Deus; de madrugada Te buscarei; minh’alma tem sede de Ti; a minha carne Te deseja muito numa terra seca e cansada onde não há água; para ver Teu poder e tua glória como Te vi no santuário' (Salmo 63.1).

Davi estava faminto pela presença e pelo poder de Deus, mas ele sabia que algo tinha que acontecer antes. Mas o que deveria acontecer? Ele declarou: 'Minha carne Te deseja'. Tem que haver o desejo da presença de Deus.

Vejamos o Salmo 42.1: 'Como o cervo brama pelas correntes de águas assim a minh’alma clama por Ti, Oh Deus!'. Veja bem: o cervo, quando perseguido por outro animal, busca as águas não tanto para beber, mas para mergulhar nelas, para estar submerso. Por quê? Porque o cervo sabe que é o seu cheiro que está atraindo outros animais. E também sabe que, se ele encontrar água e mergulhar nela, o cheiro se perderá, irá embora. Nenhum animal o alcançará.

Você e eu, quando perseguidos pelo inimigo, devemos fazer o quê? De que necessitamos? Necessitamos das águas do Espírito Santo para mergulharmos na presença do Deus Todo-Poderoso, onde nenhum demônio pode alcançar você nem te tocar. Mas como chegamos lá? Como começa esse processo de morte? Começa com a carne anelando a presença de Deus. Para saltar nessa presença e nessas águas onde nada pode te tocar.

Então, vamos falar de oração, porque é assim que começamos a morrer. Eu dizia: 'Oh Senhor, mata-me, ajuda-me a morrer!'. Não sabia o que falava. O Espírito Santo começou a me mostrar – como fiquei feliz quando Ele finalmente me mostrou como morrer. Quando começamos a orar, como começamos? Pode ser ajoelhados, sentados, em pé, Deus não nos disse como devemos ficar. A Ele não interessa a postura do corpo, só a do coração. Quando começamos a orar, como começamos? Começamos com luta, com repetição, com uma guerra que se dá entre a carne e o Espírito. Quando começo a orar, a glória não vem em seguida, nada acontece no começo. Primeiro, devemos pôr a carne de lado. A carne deve morrer como neste Altar de Sacrifício, onde o Sangue foi derramado, e então, chegamos ao lugar da morte.

Ao começarmos a orar, a carne começa a morrer. E ao começar, você o faz com repetição, com fraqueza e, por momentos, sua mente se distancia e pensa: 'Bem, talvez seja melhor eu pedir uma pizza, ou quem sabe, parar ou ficar dormindo'; outras vezes talvez boceje ao tentar orar.

Veja: a carne luta, porém escute: quanto mais tempo você ficar ajoelhado, ainda que esteja repetindo, o que você não percebe é que, quanto mais você ficar parado, mais a carne está morrendo. E, quanto mais ela é crucificada, chegará um momento em que haverá um quebrantamento, uma libertação. E só quando isto acontecer, somente então, você saberá que a carne foi crucificada.

Enquanto durar a luta, a carne estará viva, mas a guerra acaba quando a carne se rende, quando a repetição acaba, quando o bocejo cessa, não há mais sono, quando não há o desejar isto ou aquilo, então a carne morreu.

Enquanto a guerra continua, a carne está viva, mas o que você não sabe é que a carne está morrendo, está se submetendo. Quanto mais tempo você ficar submisso mais o espírito está vivo e mais a carne está morrendo. Como sei que estou morto? É simples: a culpa já não existe.

Muitas vezes, ao começarmos a orar, o que dizemos? Ó Deus, perdoa-me, ajuda-me, faz isso, faz aquilo - não há uma relação. O que você faz é pedir e você se sente tão mal, tão culpado – isto é parte do morrer – mas uma vez acabado isso, quando você não fica repetindo: '… abençoe-me, perdoe-me' e quando a oração verdadeira começa, vinda do coração, você sabe que morreu, porque a carne não pode orar, ela não sabe como orar.

Nesse altar Deus trata com os Isaques em nossos corações. Sabe por quê Deus pediu a Abraão o seu filho Isaque? Porque Ele queria o seu coração, o qual Lhe pertencia antes. E Deus disse a Abraão: 'Abraão, teu coração era meu, mas agora Isaque, teu filho, tenta entrar no teu coração'. Acontece que Isaque era muito especial para Abraão. Isaque começava a entrar no lugar que era só de Deus. E Deus disse: 'Nem mesmo Isaque pode dividir o coração que é só meu'.

Se alguém deixar algum Isaque entrar em seu coração e começar a dividir lugar com Deus, Ele diz: “Não! Ofereça-o no Altar”. Tudo deve morrer. O que disse Jesus? 'Se não deixares tudo e amares somente a mim, não serás digno de mim. Se você não deixar seu pai, sua mãe, filhos, esposa, irmãos, se não me amas acima de tudo, não serás digno de mim'. O Senhor não nos pedia para odiarmos ninguém. O que Ele queria era que O amássemos mais do que tudo. Ele é o primeiro da nossa vida e do nosso coração. Comparado com Seu amor, tudo mais deve ser esquecido. Se não O amarmos acima de tudo, não somos dignos dEle. E se amamos nossos pais, nossos filhos… Ele ordenou que nos amássemos uns aos outros, porém, não mais do que O amamos. Ele precisa ser o número um [em nossas vidas], sempre.

Mas isso só vem depois da morte, já que você morreu para tudo e Ele se tornou o número um [em tua vida]. Não há Isaques permitidos, e a carne deve morrer. E neste Altar de Sacrifícios, onde está a morte, você encontrará o Sangue, que o limpará e o manterá limpo.

Assim é que, logo depois de encontrar Jesus como Salvador na entrada, você enfrenta a cruz, lugar de morte e sangue, onde cada parte de você se rende. E assim, Ele vem a ser o número um [em tua vida], e só então, será permitido a você passar deste Altar até a Fonte."


Continua na Parte 3


Para ver a PARTE 1 deste estudo CLIQUE AQUI.

17 - O LIVRO DE ESTER


  • Autor: Desconhecido.
  • Tema: O Cuidado Providencial de Deus
  • Data: 460 - 400 a.C.

Considerações Preliminares

Depois da derrota do império babilônico e sua conquista pelos persas em 539 a.C., a sede do governo dos exilados judeus passou à Pérsia. A capital, Susã, é o palco da história de Ester, durante o reinado do rei Assuero (seu nome hebraico) - também chamado Xerxes I (seu nome grego) ou Khshayarshan  (seu nome persa) - que reinou em 486 - 465 a.C. O livro de Ester abarca os anos 483 - 473 a.C. do reinado de Assuero (Et 1.3; 3.7), sabendo-se que a maioria dos eventos ocorreu em 473 a.C. Ester tornou-se a rainha da Pérsia em 478 a.C. (Et 2.16). Cronologicamente, o episódio de Ester na Pérsia ocorre entre os caps. 6 e 7 do livro de Esdras, isto é, entre o primeiro retorno dos exilados judeus de Babilônia e da Pérsia, para Jerusalém em 538 a.C., chefiados por Zorobabel (Esdras 1 - 6), e o segundo retorno chefiado por Esdras em 457 a.C. (Ed 7 a 10) [...]. Embora o livro de Ester venha depois de Neemias em nosso Antigo Testamento, seus eventos realmente ocorreram trinta anos antes da volta de Neemias a Jerusalém (444 a.C.) para reconstruir seus muros [...]. Enquanto os livros pós-exílicos de Esdras e Neemias tratam de fatos do remanescente judaico que retornara a Jerusalém, Ester registra um acontecimento de vital importância ocorrido entre os judeus que se encontravam na Pérsia.

A importância da rainha Ester vê-se, não somente no fato de ela salvar o seu povo da destruição, mas também por conseguir para esse povo, segurança e respeito num país estrangeiro (cf. Et 8.17; 10.3). Esse ato providencial tornou possível o cargo de Neemias na corte do rei, por décadas seguidas, e sua escolha para reconstruir os muros de Jerusalém. Se Ester e os judeus (inclusive Neemias) tivessem perecido na Pérsia, o remanescente em crise em Jerusalém talvez nunca tivesse reconstruído a sua cidade. O resultado da história judaica pós-exílica certamente teria sido outro muito diferente.

Embora não se conheça o autor do livro de Ester, as evidências internas do livro revelam que ele conhecia pessoalmente os costumes persas, o palácio de Susã e pormenores da pessoa do rei Assuero. Isso indica que o autor provavelmente morava na Pérsia durante o período descrito no livro. Além disso, o apreço do autor pelos judeus, bem como seu conhecimento dos costumes judaicos sugerem que ele era judeu.

Propósito

O livro tem um propósito duplo. (1) Foi escrito para demonstrar a proteção e livramento de extermínio iminente do povo judeu, mediante a intervenção de Deus através da rainha Ester. Embora o nome de Deus não seja mencionado especificamente, a evidência é patente da sua providência no decurso de todo o livro. (2) Foi escrito, também, para prover um registro e contexto histórico da festa judaica do Purim (Et 3.6,7; 9.26-28) e, assim, manter viva para gerações futuras, a lembrança desse grande livramento do povo judeu na Pérsia (cf. a festa da Páscoa e o grande livramento dos israelitas da escravidão no Egito).

Visão Panorâmica

O livro de Ester enseja um estudo do caráter de cinco personagens principais do referido livro. (1) o rei persa, Assuero; (2) seu primeiro ministro, Hamã; (3) Vasti, a rainha que antecedeu Ester; (4) Ester, a formosa moça judia que tornou-se rainha; e (5) Mardoqueu, o íntegro primo de Ester que a adotou como filha e cuidou dela na mocidade. Ester, naturalmente é a heroína da história; Hamã é o vilão; e Mardoqueu é o herói que, como alvo principal do desprezo de Hamã, é vindicado e exaltado no fim. A figura principal nos eventos do livro é Mardoqueu, pois ele influenciou a rainha Ester e lhe deu conselhos retos.

A providência de Deus está presente em todas as partes do livro. É vista, primeiramente, na escolha de uma virgem judia chamada Hadassa (hebraico) ou Ester (persa ou grego), para ser rainha da Pérsia, numa hora crítica da história dos judeus (Et 1 a 2; 4.4).  A providência de Deus é novamente evidente quando Mardoqueu, primo de Ester, que a criara como filha (Et 2.7), foi informado de uma trama para assassinar o rei, denunciou-a, salvou a vida do rei, e seu ato foi registrado nas crônicas do rei (Et 2.19-34). Isso, o rei descobriu providencialmente no momento certo , durante uma noite de insônia (Et 6.1-14).

O ódio que Hamã alimentava por Mardoqueu estendeu-se a todos os judeus. Urdiu um horrendo complô e, usando de fraudulência, persuadiu Assuero a promulgar um decreto para exterminar todos os judeus no dia 13 do mês de adar (Et 3.13). Mardoqueu persuadiu Ester a interceder junto ao rei a favor dos judeus. Depois de um jejum levado a efeito por todos os judeus de Susã, de três dias de duração, Ester arriscou a sua vida ao aproximar-se do trono real sem ter sido convocada (cap. 4); obteve o favor do rei (Et 5.1-4) e denunciou o funesto complô de Hamã. A seguir, o rei mandou enforcar Hamã na forca que este preparara para Mardoqueu (Et 7.1-10). Um segundo decreto do rei possibilitou aos judeus triunfarem sobre os seus inimigos (Et 8.1 a 9.16). Essa ocasião motivou uma grande celebração e deu origem à festa anual de Purim (Et 9.17-32). O livro termina com um relato da fama de Mardoqueu (Et 10.1-3).

Características Especiais

Cinco características assinalam o livro de Ester. (1) É um dos dois livros na Bíblia que levam o nome de uma mulher, sendo Rute o outro. (2) O livro começa e termina com uma festa, e menciona um total de dez festas ou banquetes no decurso das quais se desenrola boa parte do drama do livro. (3) O livro de Ester é o último dos cinco rolos da terceira parte da Bíblia hebraica, chamados Hagiographa ("Escritos Sagrados"). Cada um desses rolos é lido publicamente em uma das grandes festas judaicas. "O livro de Ester" é lido na festa de Purim, em 14-15 de adar, que comemora o grande livramento do povo judeu na Pérsia, durante o reinado de Ester. (4) Embora o livro mencione um jejum de três dias de duração, não há qualquer referência explícita a Deus, à adoração, ou à oração (aspecto este que tem levado alguns crítico a, insensatamente questionarem o valor espiritual do livro). (5) Embora o nome de Deus não apareça através do livro de Ester, sua providência é patente em toda parte do mesmo (e.g., Et 2.7,17,22; 4.14; 4.16 a 5.2; 6.1,3-10; 9.1). Nenhum outro livro da Bíblia ilustra tão poderosamente a providência de Deus ao preservar o povo judeu a despeito do ódio demoníaco dos seus inimigos.

O Livro de Ester e o Novo Testamento

Não há referência ou alusão a este livro no Novo Testamento. Todavia, o ódio de Hamã aos judeus e seu complô visando o extermínio de todos os judeus do império persa (cap. 3; 7.4) é uma prefiguração no Antigo Testamento, do Anticristo do Novo Testamento, que procurará destruir todos os judeus e também os cristãos no final da história [...].

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BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, Edição de 1995, ano 2002, pp. 753, 754 e 755.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Aprenda Francês com a Bíblia - Parte 1



Você está querendo aprender um idioma? Então segue abaixo algumas dicas:

1º - OUÇA muito (filmes, TV, rádio, desenhos animados, etc., no idioma que você quer aprender);

2º - REPITA em voz alta as frases completas e palavras que você ouvir;

3º - LEIA muita coisa no idioma que você está querendo aprender (jornais, revistas, etc.);

4º - REVISE todo conteúdo que você ouviu, repetiu e leu durante o tempo de estudo;

6º - ESCREVA todas as novas frases, palavras e/ou sentenças que você aprender;

7º - CONVERSE bastante, principalmente com pessoas de países em que o idioma que você quer aprender seja a língua oficial.

Se você quer aprender ou já está aprendendo o FRANCÊS, o vídeo acima é uma boa ajuda, pois coloquei áudio, textos e imagens. Procure ouví-lo várias vezes, dando pausa para ler e repetir o que ouviu.

Bonne chance!

terça-feira, 10 de abril de 2012

16 - O LIVRO DE NEEMIAS


  • Autor: Esdras e Neemias (?)
  • Tema: Reedificação dos Muros de Jerusalém
  • Data: Cerca de 430 - 420 a.C.

Considerações Preliminares

O livro de Neemias encerra a história do Antigo Testamento, ocasião em que os expatriados judeus foram autorizados a retornarem a seu país, estando cativos na Babilônia. Juntamente com o livro de Esdras (com o qual formam um só livro no Antigo Testamento hebraico;...), Neemias relata os três retornos dos exilados a Jerusalém. Esdras trata de fatos dos dois primeiros retornos (538 a.C.; 457 a.C.), e Neemias, de fatos ligados ao terceiro (444 a.C.). Enquanto o enfoque de Esdras recai na reconstrução do templo, o de Neemias recai na reconstrução dos muros de Jerusalém. Os dois livros frisam a importância da renovação espiritual e da consagração a Deus e à sua Palavra.

Neemias, um contemporâneo de Esdras, servia na corte de Artaxerxes I (rei da Pérsia), como copeiro, quando soube que os exilados que já se encontravam em Judá, estavam sob opróbrio e os muros de Jerusalém continuavam em ruínas. Depois de orar em favor da triste condição de Jerusalém, Neemias recebeu uma munificente autorização do rei Artaxerxes para viajar a Jerusalém como governador, e reedificar os muros da cidade. Como líder dinâmico ele motivou seus compatriotas a reedificar todo muro em apenas cinqüenta e dois dias, apesar da ferrenha oposição. Serviu como governador por doze anos. Depois de um breve retorno à Pérsia, exerceu um segundo mandato de governador de Judá (cf. Ne 2.1; 13.6,7a).

Esdras, o sacerdote, auxiliou Neemias na promoção do avivamento e renovação espiritual do remanescente que voltara. É possível que Neemias tenha ajudado Esdras a escrever esse livro. A historicidade do livro de Neemias é confirmada por documentos antigos descobertos em 1903, chamados Papiros de Elefantina, que mencionavam Sambalate (Ne 2.19), Joanã (Ne 12.23), e a substituição de Neemias como governador em cerca de 410 a.C.

Propósito

Este livro foi escrito (1) como o epílogo da história pós-exílica de Judá, iniciada no livro de Esdras, e (2) para demonstrar o que Deus fez em favor do remanescente judeu através da liderança piedosa de Neemias e Esdras durante a terceira etapa da restauração pós-exílica.

Visão Panorâmica

Os capítulos 1 a 7 narram o desempenho de Neemias como governador e como responsável pela reedificação dos muros de Jerusalém. O cap. 1 revela a profunda espiritualidade de Neemias como homem de oração. Estando a serviço do rei da Pérsia, foi informado da triste situação de Jerusalém e começou zelosamente a interceder em oração, pedindo que Deus interviesse em favor da cidade e dos seus habitantes. O cap. 2 descreve como Deus usou Artaxerxes para nomear Neemias como governador de Jerusalém, e como este chegou ali. Os caps. 3.1 a 7.1 revelam a liderança corajosa, sábia e decisiva de Neemias ao mobilizar Jerusalém para reconstruir seus muros, e isto em apenas cinqüenta e dois dias, a despeito de forte oposição dentro e fora da cidade.

A segunda metade do livro descreve (1) a restauração espiritual que teve lugar entre os habitantes de Jerusalém, liderada por Esdras, o sacerdote (8 - 10), e (2) certos problemas nacionais abordados por Neemias (11 - 13). De muita importância para a renovação espiritual do povo, foram a leitura pública da Lei de Deus, o arrependimento do pecado e uma nova resolução do remanescente no sentido de ter em memória o seu concerto com Deus e de cumpri-lo. O último capítulo trata de reformas que Neemias iniciou durante seu segundo período de governo (cap. 13).

Características Especiais

Cinco características principais destacam-se no livro de Neemias. (1) Registra os últimos eventos da história judaica do Antigo Testamento, antes do período intertestamentário. (2) Fornece o contexto histórico de Malaquias, o último livro do Antigo Testamento, posto que Neemias e Malaquias foram contemporâneos. (3) Neemias é um excelente modelo bíblico de um líder crente no governo: um homem de sabedoria, convicção, coragem, integridade a toda prova, fé firme, compaixão pelos oprimidos, e possuidor de ricos dons de liderança e organização. Durante todos os seus anos como governador, Neemias foi um homem justo, humilde, isento de cobiça, abnegado e que não se corrompeu pela sua posição ou poder. (4) Neemias é um dos exemplos mais notáveis do Antigo Testamento de um líder que ora (cf. também Daniel). Umas onze vezes, o registro descreve Neemias dirigindo-se a Deus em oração ou intercessão (e.g., Ne 1.4-11; 2.4; 4.4,9; 5.19; 6.9,14; 13.14,22,29,31). Foi um homem que executou tarefas que pareciam impossíveis, por causa da sua total dependência de Deus. (5) O livro ilustra de modo claro o fato de que a oração, o sacrifício, o trabalho árduo e a tenacidade operam em conjunto na realização de uma visão dada por Deus.

O Livro de Neemias Ante o Novo Testamento

Este livro registra o cumprimento de todos os passos básicos da restauração do judaísmo pós-exílico, passos estes necessários à vinda de Cristo no início da era do Novo Testamento. Teve lugar a reconstrução de Jerusalém e do templo, a restauração da lei, a renovação do concerto e a devida preservação da linhagem davídica. Exteriormente, tudo estava em condição para a vinda do Messias (cf. Dn 9.25). O período retratado em Neemias termina com a esperança profética de que o Senhor em breve viria ao seu templo (Ml 3.1). O Novo Testamento começa com o cumprimento dessa expectativa e esperança pós-exílica.    

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BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, Edição de 1995, ano 2002, pp. 727, 728 e 729.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

1 ANO DO BLOG DO PASTOR HAFNER


 
Hoje, 09 de abril de 2012, este Blog está completando 1 ano de existência. Meus sinceros agradecimentos a todos vocês de várias partes do mundo que visitaram e estão visitando o BLOG DO PASTOR HAFNER, com mais de vinte mil acessos até aqui. Que possamos continuar compartilhando por mais tempo, se Deus assim nos permitir, todos os estudos e informações que foram postados neste espaço (foram 98 até a presente data), e todos que serão ainda postados.

Muito obrigado, especialmente, a todos os irmãos em Cristo e amigos que se tornaram seguidores deste Blog. 

Ao SENHOR JESUS CRISTO toda a glória, honra e louvor. "Porque Dele; e por Ele; e para Ele são todas as coisas; a Ele, pois, a glória eternamente".

Um forte abraço a todos os seguidores e visitantes. Que Deus vos abençoe!


Pastor Hafner
Chavannes - Suíça

Google faz homenagem a Eadweard J. Muybridge



Gosto de fotografias e de trabalhar com edição de vídeos. Assim, achei interessante conhecer um pouco da história de Eadweard J. Muybridge (foto acima). O Google fez uma homenagem a Muybridge que, caso ainda estivesse vivo, estaria completando hoje (09 de abril de 2012) 182 anos. Vale lembrar que, também hoje, este Blog está completando 1 ano de existência. 

A Wikipédia informa o seguinte sobre Eadweard J. Muybridge:

"Eadweard J. Muybridge (9 de abril de 18308 de maio de 1904) foi um fotógrafo inglês conhecido por seus experimentos com o uso de múltiplas câmeras para captar o movimento, além de inventor do zoopraxiscópio, um dispositivo para projetar os retratos de movimento que seria o precursor da película de celulóide, usada ainda hoje.

Vida e carreira

Muybridge nasceu Edward James Muggeridge, em Kingston, Inglaterra. É possível que ele tenha mudado seu nome para combinar com o nome do rei Eadweard. Embora não tendo mudado seu nome até meados de 1870, mudou seu sobrenome para Muygridge, seguido por Muybridge - no lançamento de sua carreira fotográfica.

Em 1855 Muybridge chegou em São Francisco, começando sua carreira como agente e livreiro de um editor. Saiu de São Francisco no fim dessa década, e após um acidente em que sofreu lesões em sua cabeça, acabou retornando a Inglaterra por alguns anos. Reapareceu em São Francisco em 1866 já com o sobrenome Muybridge e tornou-se rapidamente bem sucedido na profissão de fotógrafo, concentrando-se em paisagens e assuntos arquitetônicos.

Fotografando o Oeste

Muybridge começou a criar sua reputação em 1867, com fotos do Yosemite National Park e de São Francisco, Califórnia (muitas dessas fotos do Yosemite National Park reproduziam algumas cenas já fotografadas por Carleton Watkins). Muybridge tornou-se rapidamente famoso por estas fotos, que mostraram a grandiosidade do oeste.

As imagens foram publicadas sob o pseudônimo de "Helios". No verão de 1868, Muybridge organizou uma comissão para fotografar uma das expedições do exército dos Estados Unidos ao Alaska, território recém adquirido.

Em 1871 a California Geological Survey convidou Muybridge para fotografar. Nesse mesmo ano ele se casa com Flora Stone. Ele gastou muitos anos de sua vida viajando como fotógrafo. Em 1873 a Central Pacific Railroad avança dentro do território dos índios e o exército americano convoca Muybridge para fotografar a Modoc Wars.

Stanford e a questão do galope

Em 1872, o ex-governador da Califórnia Leland Stanford, homem de negócios e apreciador de corridas de cavalo, tomou uma posição popularmente debatida: afirmou que todos os quatro cascos de um cavalo deixavam a terra ao mesmo tempo durante o galope. Stanford tomou esse partido e decidiu provar cientificamente sua afirmação, procurando Muybridge e o empregando para resolver essa questão.

Para provar a afirmação de Stanford, Muybridge desenvolveu um esquema para a captação instantânea de imagens. Seu trabalho envolveu fórmulas químicas para o processamento fotográfico e um disparador elétrico criado por John D. Isaacs. É importante colocar a colaboração de Muybridge e John D. Isaacs, que conseguiu realizar o projeto do disparador fora de cada câmera, há muito tempo imaginado por Muybridge.

Em 1877, Muybridge resolveu a questão de Stanford com uma única foto do cavalo de corrida Occident (de propriedade de Stanford), "voando" em meio ao galope.  
                         
No ano de 1878, com o patrocínio de Stanford para expandir o experimento, Muybridge fotografou com sucesso o galope de um cavalo quadro a quadro, usando uma série de 24 câmeras. A primeira experiência com sucesso ocorreu em 11 de junho, com a imprensa presente. Muybridge utilizou uma série de 12 câmeras estereoscópicas a uma distância de 21 polegadas umas das outras para cobrir os 20 pés tomados por um passo do cavalo, tomando retratos em um milésimo de um segundo. Essa série de fotos, tiradas onde hoje é a Universidade de Stanford, foram chamadas The Horse in Motion, e mostra e que todos os cascos ficam fora da terra - embora não com as patas completamente estendidas, como os ilustradores contemporâneos tenderam a imaginar, mas um pouco dobradas sob o cavalo, "puxando" as patas dianteiras e "empurrando" as traseiras. O relacionamento entre Muybridge e Stanford teve ruptura em 1882, quando Stanford publicou 'The Horse in Motion as Shown by Instantaneous Photography', no qual omite fotografias reais de Muybridge, confiando nos desenhos e nas gravuras baseadas nas fotografias, além de dar escassos créditos a Muybridge pelo seu trabalho. [Na foto acima: a "sequência de um cavalo galopando, por Muybridge". Veja o "cavalo em movimento" no vídeo abaixo].

video


Assassinato de Harry Larkyns

Em 1874, morando em São Francisco, Muybridge descobriu que sua esposa tinha um amante, o Major Harry Larkyns. Em outubro de 1874, ele procurou Larkyns e disse, "Good evening, Major, my name is Muybridge and here is the answer to the letter you sent my wife" (Boa noite Major, meu nome é Muybridge e aqui está a resposta para a carta que você enviou para minha esposa); Ele então matou o Major com um tiro de espingarda.

Muybridge acreditava que Larkyns era o verdadeiro pai de seu filho - embora adulto, o filho tivesse uma semelhança notável com Muybridge, que foi absolvido do assassinato por ser "um homicídio justificável". O inquérito interrompeu sua experiência da fotografia dos cavalos, mas não seu relacionamento com Stanford, que pagou por sua defesa.

Um interessante aspecto da defesa de Muybridge foi o argumento de demência devido a uma lesão em sua cabeça (anteriormente citada). Os amigos demonstraram que o acidente mudou a personalidade de Muybridge de genial para instável e errático. Embora o júri tenha aceitado o argumento de demência, não é improvável que Muybridge tinha experimentado as mudanças emocionais devido a dano de cérebro no córtice frontal, associado frequentemente com lesões traumáticas na cabeça.

Após a absolvição, Muybridge saiu dos Estados Unidos por um momento e foi fotografar na América Central, retornando em 1877. Teve seu filho, Florado Helios Muybridge (alcunhado "Floddie" por amigos), posto em um orfanato. Ao se tornar adulto, Floddie trabalhou como rancheiro e jardineiro. Em 1944 não sobreviveu a um acidente de carro.

Esse episódio na vida de Muybridge é assunto de The Photographer, uma ópera de 1982 escrita por Philip Glass.

Zoopraxiscópio

Esperando capitalizar em cima da atenção do público aos seus retratos, Muybridge inventou o Zoopraxiscópio, uma máquina similar ao Zootrópio, mas onde as imagens possuíam um movimento realístico. O sistema foi o precursor do desenvolvimento da película de filme e suas apresentações foram aclamadas pelas audiência do público e dos cientistas.

Na World's Columbian Exposition, no ano de 1893 Chicago, Muybridge deu uma série de leituras sobre locomoção animal no salão Zoopraxográfico, construído especialmente para essa finalidade. Usou seu zoopraxiscópio para mostrar seus retratos movimentados a um público pagante, que fez com que o salão fosse considerado o primeiro cinema comercial.

Na Universidade da Pennsylvania e no zoológico local, Muybridge usou uma série de câmeras para fotografar povos e animais e estudar seu movimento. Os modelos, ou inteiramente nus ou com roupa muito pequenas, foram fotografados em uma variedade de empreendimentos, variando do encaixotamento, ao passeio abaixo das escadas. Entre 1883 e 1886 ele fez um total de 100.000 imagens, trabalhando sob os auspícios da Universidade do Pensilvânia. Foram publicados como 781 placas que compreendem 20.000 das fotografias em uma coleção intitulada Animal Locomotion. Muybridge trabalhou lado a lado com o início da ciência da biomecânica e da mecânica dos atletas.

Recentemente tem-se agregado a influência de Étienne Jules de Marey no trabalho de Muybridge. Muybridge visitou o estúdio de Marey na França e viu estudos de "stop-motion" de Marey antes de retornar aos Estados Unidos, para promover seu próprio trabalho na mesma área. Entretanto, visto que as realizações científicas de Marey nos reinos da cardiologia e da aerodinâmica (assim como a abertura de caminhos do trabalho na fotografia e na cronofotografia ) são indisputáveis, os esforços de Muybridge eram a algum grau mais artísticos do que científicos. O próprio Muybridge explicou, em algumas de suas sequências publicadas, que substituiu as imagens onde as exposições não ilustravam um movimento representativo.

Morte

Eadweard Muybridge retornou a Inglaterra em 1894, publicou dois livros e faleceu em 8 de maio de 1904. Foi cremado e suas cinzas enterradas em Woking.

Legado

Muitas de suas sequências fotográficas foram publicadas em 1980 sob o título Studies of Animal Locomotion. O vídeo do single de Larry Gowan's, "(You're A) Strange Animal", foi uma animação proeminentemente feita no rotoscópio, outro trabalho de Muybridge. Em 1993 o U2 fez um vídeo para a música "Lemon", um tributo as técnicas de Muybridge. Em 2004, a banda de música eletrônica The Crystal Method fez um vídeo para a música "Born Too Slow", também baseado no trabalho de Muybridge.

Um documentário sobre sua vida e trabalho intitulado Eadweard Muybridge,

Zoopraxographer foi produzido em 1974 por Thom Andersen.

O compositor Philip Glass compôs em 1982 a ópera The Photographer, baseada na história do assassinato do amante da esposa de Muybridge.

Kingston University, em Londres, tem um prédio nomeado em reconhecimento ao seu trabalho como um dos mais importantes fotógrafos britânicos."

Fonte: Wikipédia (site consultado no dia 09 de abril de 2012, às 16:35 h - hora na Suíça).